Inovação
6 minutos min de leitura

Design no Brasil: potencial global, entraves locais – Juliana Buso, iF Awards Brasil

O Brasil tem talento reconhecido no design - mas sem políticas públicas e apoio estratégico, seguimos premiando ideias sem transformar setores.
Pesquisador e operador em Organizational Theory, com trajetória internacional marcada por decisões fora do roteiro tradicional. Atuou por mais de uma década na Ásia e também nas Américas e Europa, lidando com operações complexas, ambientes regulatórios adversos e contextos nos quais não há manual disponível. Autodidata e avesso a soluções de prateleira, atua na interseção entre economia, contratos sociais, tecnologia - com foco em processos, modelos descritivos e formulações matemáticas - e organização do trabalho. É membro do Comitê Global de Inovação da Fast Company e colaborador da HSM. Atualmente, lidera a RMagnago, apoiando acionistas e executivos em decisões estratégicas de alto risco e elevada ambiguidade.

Compartilhar:


O iF Design Awards está no Brasil desde 2002, e nesses 23 anos de presença no país desse ótimo modelo alemão de incentivo à criatividade, Juliana Buso e a equipe do Centro Brasil Design lideraram as atividades por 20 anos.

Se o iF Awards pode ser considerado como benchmark dos níveis de inovação de um país, Juliana sabe como ninguém a quantas anda o desenho industrial e a inventividade Brasileira.

Segundo Juliana, o iF Design Awards tem tido uma característica profundamente conceitual no Brasil. A premiação tem sido perseguida por designers e criativos muito mais que por empresas e organizações, e ela acredita que esse fenômeno é consequência da falta de cultura de empresários e dirigentes de empresas quanto ao uso do design nas melhorias em produtos e serviços e na criação de novas receitas.

O governo federal envolveu-se na causa entre 2004 e 2012, com políticas claras de incentivo, e trabalhou em parceria com o iF Design Awards para inscrever mais projetos. A iniciativa chamava-se Design Excelence Brazil, e envolvia o Ministério da Industria e Comércio (MDIC), a APEX (agência promotora de comércio exterior), ABDI (Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e em algumas edições, o Sebrae.

Juliana diz que o orçamento era pequeno à época, mas ainda assim o programa incentivou de 80 a 100 produtos brasileiros para serem inscritos no prêmio internacional e que o governo logo suspendeu o incentivo financeiro de apoio à indústria para se inscrever na premiação alemã, sob a percepção de que a cultura havia sido criada.

Juliana considera o número baixo e lembra que à época faltava engajamento de outras entidades para que a penetração fosse mais granular.

Quando perguntada sobre que projetos recorda terem impactado os consumidores Brasileiros de forma profunda, ou mesmo levado empresas e produtos Brasileiros ao exterior, Juliana se esforça, mas se recorda apenas dos mais atuais, e conclui:

“O Brasil ainda não detém uma marca global, em qualquer área, pois faltam políticas públicas para tal. Se temos um exemplo que comprova isso, é nossa indústria aeronáutica. Com apoio, se transformou no que é hoje.”

Ainda assim, o Brasil é importante no contexto do iF Design Awards, ainda que pelas mãos de designers sem apoio estratégico e muitas vezes sem razões econômicas. O país segue levando projetos anualmente e se destacando nas premiações, uma contradição como tantas outras que presenciamos todos os dias. O prêmio hoje conta com a participação de mais de 60 países.

Juliana vê possibilidades para o design do país, especialmente na oferta de serviços de design para empresas mundiais, tema em que acredita que o Brasil possa ser competitivo, mas que é preciso conscientização dos diferentes stakeholders envolvidos no processo, pois para ela a questão é de política de estado ao final do dia.

Compartilhar:

Pesquisador e operador em Organizational Theory, com trajetória internacional marcada por decisões fora do roteiro tradicional. Atuou por mais de uma década na Ásia e também nas Américas e Europa, lidando com operações complexas, ambientes regulatórios adversos e contextos nos quais não há manual disponível. Autodidata e avesso a soluções de prateleira, atua na interseção entre economia, contratos sociais, tecnologia - com foco em processos, modelos descritivos e formulações matemáticas - e organização do trabalho. É membro do Comitê Global de Inovação da Fast Company e colaborador da HSM. Atualmente, lidera a RMagnago, apoiando acionistas e executivos em decisões estratégicas de alto risco e elevada ambiguidade.

Artigos relacionados

Quando tudo vira conteúdo, o que ainda forma pensamento?

A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo – e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Fornecedores, riscos e resultados: a nova equação da competitividade

Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência – e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

Apartheid climático: Quando a estratégia ESG vira geopolítica

A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
3 de fevereiro de 2026
Organizações querem velocidade em IA, mas ignoram a base que a sustenta. Governança de Dados deixou de ser diferencial - tornou-se critério de sobrevivência.

Bergson Lopes - CEO e fundador da BLR Data

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
2 de fevereiro de 2026
Burnout não explodiu nas empresas porque as pessoas ficaram frágeis, mas porque os sistemas ficaram tóxicos. Entender a síndrome como feedback organizacional - e não como falha pessoal - é o primeiro passo para enfrentar suas causas estruturais.

Marta Ferreira - Cofundadora e presidente da Spread Portugal

3 minutos min de leitura
Estratégia, Marketing & growth
1º de fevereiro de 2026
Como respostas rápidas, tom humano e escuta ativa transformam perfis em plataformas de reputação e em vantagem competitiva para marcas e negócios

Kelly Pinheiro - Fundadora e CEO da Mclair Comunicação e Mika Mattos - Jornalista

5 minutos min de leitura
Lifelong learning
31 de janeiro de 2026
Engajamento não desaparece: ele é desaprendido. Esse ano vai exigir líderes capazes de redesenhar ambientes onde aprender volte a valer a pena.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

7 minutos min de leitura
Liderança
30 de janeiro de 2026
À medida que inovação e pressão por resultados se intensificam, disciplina com propósito torna-se o eixo central da liderança capaz de conduzir - e não apenas reagir.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Estratégia
29 de janeiro de 2026
Antes de falar, sua marca já se revela - e, sem consciência, pode estar dizendo exatamente o contrário do que você imagina.

Cristiano Zanetta - Empresário, palestrante TED e escritor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de janeiro de 2026
Se o seu RH ainda preenche organogramas, você está no século errado. 2025 provou que não basta contratar - é preciso orquestrar talentos com fluidez, propósito e inteligência intergeracional. A era da Arquitetura de Talento já começou.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior e Cris Sabbag - COO da Talento Sênior

2 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de janeiro de 2026
Não é uma previsão do que a IA fará em 2026, mas uma reflexão com mais critério sobre como ela vem sendo usada e interpretada. Sem negar os avanços recentes, discute-se como parte do discurso público se afastou da prática, especialmente no uso de agentes e automações, transformando promessas em certezas e respostas em autoridade.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

0 min de leitura
Lifelong learning
26 de janeiro de 2026
O desenvolvimento profissional não acontece por acaso, mas resulta de aprendizado contínuo e da busca intencional por competências que ampliam seu potencial

Diego Nogare

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
25 de janeiro de 2026
Entre IA agentiva, cibersegurança e novos modelos de negócio, 2026 exige decisões que unem tecnologia, confiança e design organizacional.

Eduardo Peixoto - CEO do CESAR

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...