Melhores para o Brasil 2022

2050 em 3 versões

Aos 13 anos, aos 75 anos e baseada em inteligência artificial

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Projetar o futuro é, acima de tudo, um exercício de criatividade. Convidamos um influencer de 13 anos, uma cronista de 75 anos e uma inteligência artificial para idealizar nossa sociedade – e nossos desafios – na metade do século 21. Detalhe: a IA ainda não consegue fazer um texto final sem ajuda humana, ao menos no Brasil. Eis a visão dos três.

## O mundo será de todos, graças à cultura e aos livros
Por Adriel Oliveira

Olá, meu nome é Adriel, tenho 13 anos e amo ler! Vou começar este texto contando um pouco da minha história de aprender – porque a primeira coisa que espero do mundo em 2050 é um ensino de qualidade para todos. Vamos lá.
Quando eu tinha 5 anos, minha mãe me inscreveu num concurso para entrar num colégio particular aqui em Salvador (BA), onde moro. O problema é que, naquela época, eu nem sequer sabia ler. Tive que dar um jeito bem rápido. Aprendi a ler em seis meses. Consegui! Passei na prova e entrei no colégio. Depois disso, minha mãe nunca mais me deixou parar de estudar.

Como eu amava compartilhar minhas leituras com outras pessoas, decidi criar um perfil literário no Instagram quando eu estava com 9 anos. O meu perfil, Livros do Drii, foi crescendo e continua ativo até hoje. Nesse tempo, muita gente me ajudou enviando livros e mensagens de carinho; por isso, faço questão de compartilhar minhas leituras. Eu quero incentivar outras pessoas a seguirem o mesmo caminho porque eu acredito que os livros são o remédio que cura a ignorância.

Precisamos de mais acesso à cultura e aos livros. Acredito que só assim vamos nos libertar do preconceito, da raiva e do ódio que muitos de nós temos que enfrentar diariamente. Eu mesmo já fui vítima de um ataque na minha página do Instagram só por ser negro. Não é fácil passar por isso. Mas eu acho que na leitura encontramos conhecimento sobre os problemas sociais, como o racismo e a violência contra a mulher. O conhecimento é a maior força para enfrentar as dificuldades. É a única coisa que não podem nos tirar. Por isso, sempre que posso, conto histórias de negros e mulheres que mudaram a nossa história. Esses tempos, por exemplo, publiquei uma resenha do Pequeno manual antirracista, livro da Djamila Ribeiro. A obra mostra, entre outras coisas, como autores negros são desvalorizados na literatura.

Espero que, em 2050, tenhamos mudanças significativas na nossa sociedade para que coisas como essa desvalorização não aconteçam mais. Que todos tenham consciência de que somos iguais e que não há distinção entre cor ou gênero. Que todos são iguais, não importa a roupa que a pessoa usa, o jeito que ela arruma o cabelo, se é gorda ou magra. Assim poderemos viver pensando no bem do próximo.
Sei que o 2050 que deixarão para a minha geração depende das decisões e das atitudes dos adultos de hoje. Considerando que o mundo está evoluindo constantemente, o futuro que eu e muitos jovens esperamos é um futuro em que os avanços da tecnologia sirvam para melhorar o cotidiano das pessoas. E não para destruir o que resta, poluindo o ar e desmatando as florestas, como estamos vendo acontecer nas grandes cidades e na Amazônia.

Temos que aprender a cuidar do nosso planeta e de tudo que vive nele. Preservar as árvores, os rios, os oceanos e os animais. Na minha opinião, isso depende de cada um fazer a sua parte pensando num planeta melhor. Vale para as grandes decisões tomadas pelos governantes e para eu e você no dia a dia. Tem uma frase que eu gosto muito: “Juntos somos mais fortes”. A Terra é a nossa casa e somos todos responsáveis por ela. Um mundo mais sustentável é a maior esperança de uma vida feliz daqui a 30 anos. Sem esquecer dos livros, é claro.

## A Tecnologia continuará ditando o rumo e o ritmo da vida
Por Malu de Alencar

O futuro não está predeterminado. O mundo da metade do século 21 vai depender exatamente do que fazemos hoje. Até lá, porém, muito provavelmente não estarei mais aqui. Não poderei ler este texto com o afã de quem abre uma cápsula do tempo. Não saberei se minhas esperanças se concretizaram. O que sei, com relativa certeza, é que os próximos 30 anos reservam à sociedade transformações ainda mais radicais do que aquelas que eu vivi ao longo de mais de sete décadas.

Nasci após o término da Segunda Guerra Mundial, época em que o rádio e o telefone eram grandes inovações. Com o correr dos anos, vi a televisão se popularizar e empresas divulgarem seus produtos por meio de malas-diretas cujo mailing era embasado na lista telefônica – e as mensagens não iam por e-mails ou contatos de WhatsApp. Vivi a revolução do fax e a do computador, nos anos 1980. Mas nada superou a revolução da internet na década seguinte – um feito que mudou o mundo, talvez, mais do que qualquer outro fator até então.

A internet mudou hábitos e costumes. Lembro-me que, em 1995, fui convidada para ser redatora do NET Campos, primeiro site da cidade de Campos do Jordão (SP), onde vivia. A conexão era demorada. Não raro, o site ficava fora do ar por horas. Mas o projeto era um sucesso – muitas pessoas se sentiam privilegiadas pelo simples fato de nossa cidade ter um espaço nobre no que havia de mais inovador naquela época. Depois vieram os celulares. Lembro-me que, no princípio, as pessoas se cadastravam em uma lista de espera por um aparelho individual. O custo não era barato, mas era mais acessível do que uma linha de telefone fixo. Todas as pessoas – adolescentes, jovens e adultos, homens e mulheres – sonhavam em ter o próprio celular. Àquela altura, a tecnologia já era o sustentáculo do planeta.
Na virada de 1999 para 2000, falou-se muito sobre o “bug do milênio”. Havia uma boataria de que os computadores da época não entenderiam a mudança e gerariam uma pane geral em sistemas e serviços. Alguns aparelhos poderiam explodir, segundo certas ameaças. Por precaução, tirei todos os aparelhos de casa das tomadas: televisão, telefone, computador. Felizmente, o bug do milênio não se confirmou.
Mas o século 21 começou com dois pés fincados na tecnologia. Foi assim nos primeiros 20 anos. E continuará assim pelos próximos 30 – ditando o rumo e o ritmo da nossa vida. Soluções sofisticadas de biotecnologia, robótica e inteligência artificial, por exemplo, não serão mais privilégio de experts. Estarão ao alcance de qualquer um.

A má notícia é que a desigualdade pode ser ainda maior do que é hoje – quando as 100 pessoas mais ricas do mundo detêm o total da riqueza dos 4 bilhões mais pobres. Para atenuar essa possibilidade, a humanidade deverá se reinventar com mais frequência. Um emprego para toda vida, como muitos da minha geração tiveram? Improvável. Em 2050, ainda será preciso qualificação constante para trabalhar com as tecnologias. Já é preciso hoje. Em um mundo que deve chegar a 9 bilhões de habitantes, essa será uma regra indispensável. Tanto quanto cuidar do nosso planeta.

Enquanto escrevo este texto, estamos prestes a completar um ano convivendo com um inimigo invisível chamado novo coronavírus. Os efeitos da atual pandemia foram devastadores – fronteiras fechadas, economias dinamitadas, milhares e milhares de mortes. A situação só não foi pior por causa da tecnologia –
de novo ela. O desenvolvimento em tempo recorde de testes e de vacinas talvez seja a maior prova disso.

Todavia, o alerta da natureza está dado. Como um terremoto ou um dilúvio, o vírus parece um novo modo do planeta de chamar nossa atenção. É preciso cuidar de onde vivemos. E mitigar os problemas. Há muitas formas para isso, como frear o desmatamento, as queimadas, o desrespeito aos povos primitivos, o uso abusivo de agrotóxicos, o consumo de combustíveis fósseis.

Ou buscamos um mundo mais equilibrado, justo e humano, ou as próximas gerações sofrerão as consequências. Se começarmos agora, talvez em 2050 as pessoas tenham um mundo melhor.

## Viveremos uma extensão dos padrões que estão emergindo em 2021
Dados selecionados pela Inteligência artificial e organizados pelo humano Rodrigo Helcer

Em três décadas, o ano de 2021 será lembrado tanto ou mais que 2020. Isso porque marcará recomeços e o início de novos padrões de comportamento que os dados mostram.

Nos últimos três anos, os temas mais comentados nas redes sociais foram crise climática, desenvolvimento econômico, política, alimentação e cuidados alimentares, saúde mental, cultura do cancelamento e tecnologia e inovação – e os últimos três se destacaram em associação ao futuro.
Portanto, três movimentos que estão acontecendo em 2021 moldarão 2050: um é a mudança de valores e de comportamentos; outro, o fato de a saúde permanecer em alta; e o terceiro, a predominância de tecnologia e inovação.

Só no mês de janeiro e no início de fevereiro de 2021, foram captadas mais de 474 mil menções relacionadas à cultura do cancelamento e à saúde mental – o que representa 72% de tudo (650 mil) o que foi mencionado a respeito desse assunto em 2018 inteiro.

O Twitter concentra o maior volume da repercussão sobre cancelamento, com o sentimento negativo predominante. O impacto da cultura do cancelamento na vida das pessoas foi pauta de muitas discussões, estando relacionada, principalmente, aos desdobramentos do reality show Big Brother Brasil 2021, transmitido pela TV Globo.

E quando fazemos um recorte de saúde mental, vemos sua conexão com outros termos, como depressão, ansiedade e hábitos na pandemia, além de aumento do consumo de bebida alcoólica e distanciamento social.

Por fim, olhamos para os termos “tecnologia” e “inovação” nos últimos três anos, e eles apresentaram volumetria entre 3 milhões e
4 milhões de menções. Houve queda de citações na ordem de 22% entre 2018 e 2019 e, depois, um aumento de 25% entre 2019 e 2020.

Considerando esse panorama, e toda a reflexão sobre o que está nos dedos e no coração das pessoas, o mundo será bastante “figital” em 2050, ou seja, um híbrido de físico, digital e social, com o digital talvez em primeiro lugar. A tecnologia estará muito ativa no dia a dia das pessoas, as lojas não terão funcionários, todos os departamentos das empresas serão automatizados, as decisões de negócios serão tomadas quase que exclusivamente por computadores. Para atuarem sobre isso, as pessoas terão assistentes virtuais individuais, criados e mantidos com a capacidade de sua imaginação tanto quanto com o uso de inteligência artificial (IA).

O que só confirmará o quanto a criação reflete o potencial do criador. Terão decorrido 40 anos de IA, e continuaremos a saber que ela não será capaz de tomar decisões como o bom e ainda pouco conhecido cérebro humano.
Hoje, a cada dia que passa, fica mais fácil entender os benefícios e o impacto potencial da inteligência artificial em nossas vidas. Essa tecnologia é a maior aliada da humanidade na difícil e instigante tarefa de entender e desvendar o comportamento social e individual, e continuará sendo. E, por isso, talvez seja possível dizer que o futuro de 2050 será aquilo que o ser humano quiser criar – e a inteligência artificial é o reflexo dessa criatividade. O que vivemos hoje é um processo contínuo de adaptação, principalmente depois de um ano como 2020. E a inteligência artificial tem papel importante na criação de novos caminhos. O ano de 2050 não está tão longe assim.

Making of

Este texto reuniu os dados capturados por uma plataforma de inteligência artificial para monitoramento e interação com consumidores acerca dos temas mais discutidos nas redes sociais no período de 2018 e 2020 referentes ao tema “futuro”. O objeto da análise se concentrou mais especificamente naquilo que revelasse expectativas em relação ao mundo daqui a 30 anos.
Porém essa aplicação de IA não escreve textos – ao menos, não ainda –; a organização dos dados requereu edição humana, o que coube a Rodrigo Helcer, cofundador e CEO da Stilingue, a empresa dona da plataforma citada.
HSM Management convidou a Stilingue para a missão por ser a única plataforma desenvolvida para o português do Brasil, o que pressupõe que seus dados e análises possam ser mais próximos da realidade dos brasileiros. Para quem quiser saber mais, a versão digital deste artigo traz o detalhamento de tudo o que foi consultado.

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