Para começo de conversa, não vou ficar aqui falando (novamente) do quanto a IA impacta as nossas vidas (pessoal e profissionalmente), pois agora estamos em outro nível. Para darmos sequência neste papo, quero antes saber se você sabe me dizer o que é o CAIO, ou Chief AI Office?!
Pois é, dentro do contexto de tantas transformações, agora temos também um novo cargo nas organizações. Em linhas gerais, o CAIO é “o dono da IA” nas empresas. Para se ter uma proporção do quanto isso já é uma realidade, dados do IBM Institute for Business Value indicam que 76% das empresas pesquisadas em 2026 já contam com um CAIO (em 2025 eram apenas 26%). Outro dado relevante apontado no estudo é que 85% dos entrevistados afirmam que os líderes realmente eficientes precisarão se tornar também especialistas em IA e outras tecnologias.
Dados da Deloitte apontam que, no Brasil, 95% das empresas pesquisadas planejam adotar IA agêntica nos próximos dois anos, enquanto apenas 27% afirmam possuir governança madura para isso. Diante disso, a pergunta que começa a emergir nas mesas de reuniões e negociações é: E agora, qual é o real papel do CEO?!
A resposta, é claro, não é simplória, já que estamos mergulhando em águas cada vez mais complexas e vemos a IA participando ativamente de tomadas de decisões, automações de processos e fluxos, análises financeiras e até mesmo interações com clientes finais. Para entendermos o papel dos CEOs nessa nova realidade, a mesma pesquisa do IBM Institute, que citei acima, também indica que 64% desses profissionais já se sentem confortáveis em usar IA para auxiliar na tomada de decisões estratégicas. O ponto (que particularmente acho que merece mais atenção) é que para 25% desses CEOs já é ‘normal’ que decisões operacionais sejam tomadas apenas por recursos de IA, sem nenhuma intervenção humana e pior (…ou melhor?), a estimativa é que esse índice alcance 48% até 2030.
Além disso, informações do World Economic Forum já apontam para o fato de que há conselhos e empresas que transferem direitos de decisões para sistemas autônomos (e isso acontece mais do que gostaríamos). O problema é que enquanto alguns gestores focam em se preocupar com o que a tecnologia pode fazer, na verdade deveriam se atentar aos limites que estão estabelecendo para ela. Ou seja: o que você autoriza para que a IA execute?!
Então, neste ponto, você pode me perguntar “Ah Bruno, então o papel do Chief AI Office é desnecessário?”. E a resposta é NÃO.
Na verdade, o CAIO ajuda justamente a acelerar a adoção de recursos de IA (que façam sentido para a operação), ajuda na construção e desenvolvimento de capacidades da equipe, coordena iniciativas e novos projetos e, principalmente, atua no compliance e governança de dados quando o tema é IA.
Acredito que o foco nunca deve ser um “cabo de guerra” entre cargos, mas sim a criação de modelos sinérgicos dentro da mesma empresa. Portanto, o propósito deve ser a união das capacidades singulares do CAIO e do CEO, saindo da sensação de um departamento de IA para algo que faz parte das agendas do CEO, CFO, CHRO, CMO e até mesmo do conselho. Assim, a IA deixa de ser apenas uma infraestrutura e passa a ser encarada com a relevância que tem: auxiliar na estratégia e novos negócios da empresa como um todo.
No final do dia, o papel do CEO continua o mesmo (e cada vez mais importante): saber responder questões únicas, como: Quais operações devem continuar essencialmente humanas?; Até onde a IA pode atuar sem supervisão humana?; Quem responde caso um agente cometa um erro?;
E, a principal: Que tipo de organização queremos ser depois que a IA for incorporada por toda a cultura da empresa?
Essas respostas não podem (nem devem) ser terceirizadas e somente o olhar atento de um CEO que acompanha, estuda e se dedica às transformações de seu tempo, pode responder com qualidade e empatia.




