É fato que por muito tempo, a palavra “disciplina” foi associada a rigidez, controle excessivo e estruturas engessadas. Já a palavra “propósito” virou um termo quase etéreo, sendo inspirador, mas frequentemente desconectado da prática diária da gestão. Agora temos mudanças à vista. Em 2026, essas duas ideias deixam de caminhar separadas e acabam desenvolvendo o novo ciclo da liderança, que exige algo mais maduro, ou seja: disciplina com propósito.
É importante destacar que não falo aqui de tendências passageiras ou de discursos motivacionais. Falo do que observo diariamente ao lado de CEOs e C-levels que comandam organizações complexas, pressionadas por resultados imediatos, transformações tecnológicas aceleradas e um ambiente de negócios cada vez mais imprevisível.
Por isso, posso afirmar que chegamos a um ponto de inflexão. Agora é o fim da euforia e o início da maturidade das lideranças. Estamos em uma vibe da obrigatoriedade da inovação constante e transformação digital urgente. Nesse contexto, muitas empresas correram, mas poucas avançaram de fato.
Em 2026, o jogo muda. Agora não se trata mais de fazer mais, mas de fazer melhor.
Muito menos do “crescer a qualquer custo” ou “liderar pelo discurso”. Agora é preciso pensar em caminhos para sustentar um crescimento sustentável e, principalmente, liderar pelo exemplo.
Nesse novo cenário, a disciplina volta ao centro da estratégia, não como retrocesso, mas como evolução, porque ela deixa de ser vista como controle e passa a ser encarada como clareza! Os líderes mais admirados deste novo momento não são os que centralizam decisões, mas os que criam ritmo, prioridades claras e consistência. Disciplina, hoje, é saber dizer “não” com convicção, proteger o foco da organização e, claro, transformar estratégia em execução diária.
Aqui também vale comentarmos que as empresas com propósito, mas sem disciplina, se perdem em boas intenções. Por outro lado, empresas disciplinadas, mas sem propósito, até são capazes de entregar resultados, mas não engajam, não retêm e não deixam legado. Por isso, é na interseção entre essas duas forças que mora a liderança relevante de 2026.
Acredito que ao longo de 26, veremos lideranças menos carismáticas, mas mais conscientes. Ou seja, veremos menos heróis e mais arquitetos, entregando com menos improviso, mais método e mais responsabilidade.
Isso exige disciplina emocional, intelectual e estratégica. Exige líderes capazes de sustentar decisões impopulares no curto prazo para proteger a visão de longo prazo. Líderes que entendem que cultura não se constrói em eventos, mas em rituais consistentes e com o entendimento que propósito não é romantização. É bússola, é norte!
Como conseguimos notar logo nos primeiros dias do ano, 2026 não aliviará para ninguém. O mercado seguirá volátil e veloz e a tecnologia continuará avançando a passos largos e de forma rápida. E claro, a pressão por resultados não diminuirá, portanto atuar com disciplina com propósito é o que separará empresas que reagem daquelas que conduzem.
Se eu tivesse que resumir o desafio da liderança em 2026 em uma única frase, seria esta: não basta saber aonde queremos chegar, precisamos ser disciplinados o suficiente para não nos perder no caminho, e conscientes o bastante para saber por que estamos indo.




