Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura
Oferecido por SOAP

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.
CEO da SOAP, é graduada em Psicologia e especializada em Gestão de Pessoas pela FAAP. Carol construiu sua carreira estudando o comportamento humano e atuando na área de Recursos Humanos. Há mais de 10 anos na SOAP, empresa especialista em comunicação e pioneira em apresentações profissionais, Carol encontrou na comunicação uma forma de compreender como as pessoas se relacionam e influenciam a percepção umas das outras. Sua atuação reúne conhecimentos de psicologia, neurociência, gestão de pessoas e negócios para ajudar organizações a desenvolver habilidades de comunicação, fortalecer relações interpessoais e alcançar seus objetivos.

Compartilhar:

Você sentou na plenária de qualquer evento. Pegou seu cafézinho, abriu seu caderno e começou a rascunhar insights da palestra de alguém que está falando sobre “intencionalidade”, “humanização” e, claro, “agentes”. 

Faça a lista, possivelmente você vai marcar todas essas palavras na hora de discutir alguma coisa sobre IA. E, sim, a gente também concorda que é difícil fugir delas. Seja alguém gritando que “o Claude Code” é a verdadeira revolução, seja alguém dizendo que “pessoas serão sempre pessoas”.

Quando a gente decidiu reunir time de criativos da SOAP para falar de IA, tudo isso veio pra mesa. Tem o medo da obsolescência, mas tem o fascínio com a possibilidade de criar coisas complexas e muito mais rápido, tem o debate ético, tem o debate estético e artístico, tem até o debate climático (haja água pra tanto meme).

Mas vejo que, no final do dia (eu amo essa expressão, mas as benditas IAs se apropriaram dela), é muito possível falar desse tal potencial humano aumentado, mas sem cair nos clichês. Eu acredito que há um grande bom mix disso tudo.

A socióloga americana Ana Andjelic escreveu um post recentemente sobre onde encontramos de verdade as tendências. “Os clientes mais influentes culturalmente, financeiramente viáveis, formadores de tendências e de alto valor estão se afastando das redes sociais. Eles não parecem estar voltando. Estão em espaços mais difíceis de alcançar: comunidades privadas, eventos ao vivo, varejo físico, boca a boca, livros, zines, entretenimento e newsletters – espaços que exigem intenção para serem acessados, em vez de serem encontrados por acaso por meio de um algoritmo, e nos quais a atenção é oferecida, em vez de explorada.”

Não há nada mais humano do que um encontro, um evento pequeno, um boca a boca, um livro ou uma revista. A vivência está ali, o inesperado, o acaso, o esbarrão na hora do café, uma risada no happy hour. Esse ponto da Ana mostra que toda cultura gera uma contracultura; toda pasteurização excessiva nos retorna a um certo “craft”, uma artesanalidade que a IA pode emular, mas ainda não consegue vivenciar. 

Não humanizar a IA passa por tentar parar de pedir que ela se comporte como alguém. Um agente que pense igual a mim. Um time de agentes para eu demitir toda minha equipe. Uma orquestração de mil agentes para eu ficar dormindo enquanto eles trabalham. Sinceramente, eu não sei se faz sentido ir por aí. Isso certamente não me atrai.

A IA não viveu o frio na barriga antes daquela reunião, não acumulou repertório no susto de um imprevisto e nem percebeu o desconforto de uma sala. E tudo bem. A potência dela está em lugares como: ganhar escala, velocidade, repetir com consistência, otimizar processos. E tudo isso é também fascinante.

O problema começa quando a gente espera que eficiência produza, sozinha, aquilo que depende de vivência. Aqui na SOAP a gente tem seguido um caminho que não fica na briga hard skill x soft skills, mas, sim, cria uma nova possibilidade que a gente chamou de Power Skills.

Por aqui, estamos bastante atentos ao pensamento crítico, e a partir daí, como usar a inteligência comportamental da máquina para dar vida à ideias realmente originais. Que dependem de vivência, até para se fazer uma análise criteriosa daquilo que a IA produz e escalar algo que seja relevante. Nessa hora é mágico ter a mão uma ferramenta que consegue potencializar as possibilidades do meu trabalho. Mas pense! Se você tem ideias medianas ou ruins, a IA vai ser apenas uma máquina de multiplicar ideias medianas ou ruins.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

O que o gestor intermediário recebe, além da cobrança?

Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de setembro de 2026 08H00
Durante anos, as empresas disputaram espaço na tela dos usuários por meio de aplicativos, portais e plataformas digitais. Agora, a ascensão das interfaces de inteligência artificial inaugura uma nova lógica: em vez de buscar atenção, os softwares passam a competir para estar presentes no momento exato em que uma decisão é tomada.

Fulvio Mascara - Head global de inovação da Foursys

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
21 de setembro de 2026 14H00
Da carta assinada por milhares de pesquisadores aos recentes pedidos de desaceleração feitos por líderes da OpenAI, Anthropic e DeepMind, cresce o debate sobre os riscos e os limites da inteligência artificial. O desafio talvez não seja decidir se devemos continuar avançando, mas descobrir como fazê-lo sem perder o controle do rumo que estamos escolhendo.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
21 de setembro de 2026 08H00
Entre ciência da felicidade, burnout, inteligência artificial e futuro do trabalho, a 4ª edição do Mind Summit deixou à autora uma pergunta maior: em um mundo saturado de informação, como distinguimos evidência, narrativa e ideias realmente capazes de mudar a forma como trabalhamos?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

8 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de setembro de 2026 14H00
Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Geopolítica
20 de setembro de 2026 08H00
A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos - energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva - que pode transformar sua posição internacional.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

Oferecido por:
7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução