Você sentou na plenária de qualquer evento. Pegou seu cafézinho, abriu seu caderno e começou a rascunhar insights da palestra de alguém que está falando sobre “intencionalidade”, “humanização” e, claro, “agentes”.
Faça a lista, possivelmente você vai marcar todas essas palavras na hora de discutir alguma coisa sobre IA. E, sim, a gente também concorda que é difícil fugir delas. Seja alguém gritando que “o Claude Code” é a verdadeira revolução, seja alguém dizendo que “pessoas serão sempre pessoas”.
Quando a gente decidiu reunir time de criativos da SOAP para falar de IA, tudo isso veio pra mesa. Tem o medo da obsolescência, mas tem o fascínio com a possibilidade de criar coisas complexas e muito mais rápido, tem o debate ético, tem o debate estético e artístico, tem até o debate climático (haja água pra tanto meme).
Mas vejo que, no final do dia (eu amo essa expressão, mas as benditas IAs se apropriaram dela), é muito possível falar desse tal potencial humano aumentado, mas sem cair nos clichês. Eu acredito que há um grande bom mix disso tudo.
A socióloga americana Ana Andjelic escreveu um post recentemente sobre onde encontramos de verdade as tendências. “Os clientes mais influentes culturalmente, financeiramente viáveis, formadores de tendências e de alto valor estão se afastando das redes sociais. Eles não parecem estar voltando. Estão em espaços mais difíceis de alcançar: comunidades privadas, eventos ao vivo, varejo físico, boca a boca, livros, zines, entretenimento e newsletters – espaços que exigem intenção para serem acessados, em vez de serem encontrados por acaso por meio de um algoritmo, e nos quais a atenção é oferecida, em vez de explorada.”
Não há nada mais humano do que um encontro, um evento pequeno, um boca a boca, um livro ou uma revista. A vivência está ali, o inesperado, o acaso, o esbarrão na hora do café, uma risada no happy hour. Esse ponto da Ana mostra que toda cultura gera uma contracultura; toda pasteurização excessiva nos retorna a um certo “craft”, uma artesanalidade que a IA pode emular, mas ainda não consegue vivenciar.
Não humanizar a IA passa por tentar parar de pedir que ela se comporte como alguém. Um agente que pense igual a mim. Um time de agentes para eu demitir toda minha equipe. Uma orquestração de mil agentes para eu ficar dormindo enquanto eles trabalham. Sinceramente, eu não sei se faz sentido ir por aí. Isso certamente não me atrai.
A IA não viveu o frio na barriga antes daquela reunião, não acumulou repertório no susto de um imprevisto e nem percebeu o desconforto de uma sala. E tudo bem. A potência dela está em lugares como: ganhar escala, velocidade, repetir com consistência, otimizar processos. E tudo isso é também fascinante.
O problema começa quando a gente espera que eficiência produza, sozinha, aquilo que depende de vivência. Aqui na SOAP a gente tem seguido um caminho que não fica na briga hard skill x soft skills, mas, sim, cria uma nova possibilidade que a gente chamou de Power Skills.
Por aqui, estamos bastante atentos ao pensamento crítico, e a partir daí, como usar a inteligência comportamental da máquina para dar vida à ideias realmente originais. Que dependem de vivência, até para se fazer uma análise criteriosa daquilo que a IA produz e escalar algo que seja relevante. Nessa hora é mágico ter a mão uma ferramenta que consegue potencializar as possibilidades do meu trabalho. Mas pense! Se você tem ideias medianas ou ruins, a IA vai ser apenas uma máquina de multiplicar ideias medianas ou ruins.





