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A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.
CEO da SOAP, é graduada em Psicologia e especializada em Gestão de Pessoas pela FAAP. Carol construiu sua carreira estudando o comportamento humano e atuando na área de Recursos Humanos. Há mais de 10 anos na SOAP, empresa especialista em comunicação e pioneira em apresentações profissionais, Carol encontrou na comunicação uma forma de compreender como as pessoas se relacionam e influenciam a percepção umas das outras. Sua atuação reúne conhecimentos de psicologia, neurociência, gestão de pessoas e negócios para ajudar organizações a desenvolver habilidades de comunicação, fortalecer relações interpessoais e alcançar seus objetivos.

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Você sentou na plenária de qualquer evento. Pegou seu cafézinho, abriu seu caderno e começou a rascunhar insights da palestra de alguém que está falando sobre “intencionalidade”, “humanização” e, claro, “agentes”. 

Faça a lista, possivelmente você vai marcar todas essas palavras na hora de discutir alguma coisa sobre IA. E, sim, a gente também concorda que é difícil fugir delas. Seja alguém gritando que “o Claude Code” é a verdadeira revolução, seja alguém dizendo que “pessoas serão sempre pessoas”.

Quando a gente decidiu reunir time de criativos da SOAP para falar de IA, tudo isso veio pra mesa. Tem o medo da obsolescência, mas tem o fascínio com a possibilidade de criar coisas complexas e muito mais rápido, tem o debate ético, tem o debate estético e artístico, tem até o debate climático (haja água pra tanto meme).

Mas vejo que, no final do dia (eu amo essa expressão, mas as benditas IAs se apropriaram dela), é muito possível falar desse tal potencial humano aumentado, mas sem cair nos clichês. Eu acredito que há um grande bom mix disso tudo.

A socióloga americana Ana Andjelic escreveu um post recentemente sobre onde encontramos de verdade as tendências. “Os clientes mais influentes culturalmente, financeiramente viáveis, formadores de tendências e de alto valor estão se afastando das redes sociais. Eles não parecem estar voltando. Estão em espaços mais difíceis de alcançar: comunidades privadas, eventos ao vivo, varejo físico, boca a boca, livros, zines, entretenimento e newsletters – espaços que exigem intenção para serem acessados, em vez de serem encontrados por acaso por meio de um algoritmo, e nos quais a atenção é oferecida, em vez de explorada.”

Não há nada mais humano do que um encontro, um evento pequeno, um boca a boca, um livro ou uma revista. A vivência está ali, o inesperado, o acaso, o esbarrão na hora do café, uma risada no happy hour. Esse ponto da Ana mostra que toda cultura gera uma contracultura; toda pasteurização excessiva nos retorna a um certo “craft”, uma artesanalidade que a IA pode emular, mas ainda não consegue vivenciar. 

Não humanizar a IA passa por tentar parar de pedir que ela se comporte como alguém. Um agente que pense igual a mim. Um time de agentes para eu demitir toda minha equipe. Uma orquestração de mil agentes para eu ficar dormindo enquanto eles trabalham. Sinceramente, eu não sei se faz sentido ir por aí. Isso certamente não me atrai.

A IA não viveu o frio na barriga antes daquela reunião, não acumulou repertório no susto de um imprevisto e nem percebeu o desconforto de uma sala. E tudo bem. A potência dela está em lugares como: ganhar escala, velocidade, repetir com consistência, otimizar processos. E tudo isso é também fascinante.

O problema começa quando a gente espera que eficiência produza, sozinha, aquilo que depende de vivência. Aqui na SOAP a gente tem seguido um caminho que não fica na briga hard skill x soft skills, mas, sim, cria uma nova possibilidade que a gente chamou de Power Skills.

Por aqui, estamos bastante atentos ao pensamento crítico, e a partir daí, como usar a inteligência comportamental da máquina para dar vida à ideias realmente originais. Que dependem de vivência, até para se fazer uma análise criteriosa daquilo que a IA produz e escalar algo que seja relevante. Nessa hora é mágico ter a mão uma ferramenta que consegue potencializar as possibilidades do meu trabalho. Mas pense! Se você tem ideias medianas ou ruins, a IA vai ser apenas uma máquina de multiplicar ideias medianas ou ruins.

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