Na corrida pela adoção da Inteligência Artificial, a verdadeira vantagem competitiva não está em automatizar mais. Está em mapear até onde a tecnologia resolve suficientemente bem e onde o fator humano se torna indispensável. Durante muito tempo, o desafio das empresas foi tornar o atendimento mais rápido ao reduzir filas, ampliar canais e aumentar a produtividade. A Inteligência Artificial elevou esse movimento a um novo patamar. Hoje, ela resolve solicitações em segundos, opera continuamente e ainda aprende com cada interação.
Mas há uma pergunta que se torna mais relevante do que qualquer indicador operacional. O que, de fato, sustenta a confiança do cliente com a marca? A resposta, invariavelmente, vai além das melhorias agregadas a partir mesmo das melhores soluções tecnológicas.
Velocidade é importante, mas deixou de ser o grande diferencial. O cliente busca autonomia para resolver questões simples, mas também espera encontrar alguém preparado quando enfrenta situações complexas, sensíveis ou que exigem contexto. Em outras palavras, ele quer eficiência sem abrir mão de confiança e principalmente proximidade.
Foi justamente esse aprendizado que vivenciamos com a Ana, assistente virtual da Algar para atendimento aos clientes corporativos. Ela foi desenvolvida para identificar falhas, realizar diagnósticos de rede, correlacionar eventos e informar o cliente sobre o que está acontecendo, reduzindo intervenções manuais em demandas recorrentes.
Hoje, a Ana realiza cerca de 20 mil interações por mês e resolve, de forma autônoma, 72% das solicitações recebidas. Os números mostram o potencial da Inteligência Artificial em escala e eficiência. Mas o principal aprendizado foi outro, cada demanda resolvida pela tecnologia libera capacidade humana para focar em atividades de maior valor agregado, que requerem visão estratégica e interação qualificada.
Em outras palavras, a Inteligência Artificial não reduz a relevância das pessoas, ela explicita onde elas são indispensáveis.
Essa tendência já aparece no mercado. A consultoria Gartner projeta que, até 2029, a IA será capaz de resolver autonomamente até 80% das solicitações no atendimento ao cliente. Mais do que eficiência, isso indica uma reorganização do trabalho. Quanto maior a automação, maior o valor das competências humanas nos contextos de exceção.
Isso exige uma mudança de mentalidade, pois eficiência não é mais medida pelo nível de produtividade, escalabilidade. É saber onde o esforço humano gera mais valor. É nesse ponto que o autoatendimento assistido ganha força. Não se trata de escolher entre atendimento humano ou digital, mas de desenhar jornadas integradas. A tecnologia resolve o previsível, e o humano atua no complexo. Nas especificidades que pode estar relacionadas inclusive às questões geracionais. Ou seja, um cliente com idade mais avançada exigirá um nível de interessão humano muito diferente de um nativo digital.
O desafio, potanto, é o cliente iniciar sua jornada com autonomia, mas encontrando, quando necessário, uma transição fluida para alguém capaz de interpretar nuances e construir soluções.
Philip Kotler, ao discutir o Marketing 5.0, resume essa lógica ao afirmar que a tecnologia deve humanizar as marcas, não desumanizá-las. O valor não está na substituição, mas na qualificação das interações. Essa mudança redefine o papel das equipes. Profissionais deixam tarefas operacionais e passam a atuar como consultores de experiência, interpretando contextos, lidando com situações não estruturadas e entregando aquilo que a tecnologia não reproduz plenamente – confiança, empatia, discernimento e, claro, proximidade verdadeira.
A reflexão leva à pergunta: a medida que a tecnologia assume o previsível, as organizações estão fortalecendo sua capacidade humana para lidar com o imprevisível ou apenas reduzindo custos no curto prazo?
A resposta a essa pergunta diz menos sobre tecnologia e mais sobre capacidade de liderança. O resultado dessa equação é que irá definir o tipo de relação que cada empresa escolhe construir com seus clientes.




