Inovação & estratégia, Marketing & growth, User Experience, UX
3 minutos min de leitura

A IA transforma o atendimento, mas são as pessoas que constroem confiança

Enquanto a IA assume processos, diagnósticos e tarefas repetitivas, cresce a importância de competências exclusivamente humanas. O desafio das lideranças não é automatizar mais, mas decidir onde a presença humana gera valor que nenhuma tecnologia consegue reproduzir plenamente.
CMO da Algar, Ana Flávia Martins tem mais de 30 anos de experiência em marketing e negócios, com foco em business, estratégia empresarial, franquias e mercados B2B, B2B2C e B2C. É formada em Comunicação Social, com especializações em Marketing, além de MBA em Gestão e Empreendedorismo e Negócios Varejo. Atualmente, lidera a estratégia de mercado da companhia, contribuindo diretamente para a performance comercial e os resultados do negócio

Compartilhar:

Na corrida pela adoção da Inteligência Artificial, a verdadeira vantagem competitiva não está em automatizar mais. Está em mapear até onde a tecnologia resolve suficientemente bem e onde o fator humano se torna indispensável. Durante muito tempo, o desafio das empresas foi tornar o atendimento mais rápido ao reduzir filas, ampliar canais e aumentar a produtividade. A Inteligência Artificial elevou esse movimento a um novo patamar. Hoje, ela resolve solicitações em segundos, opera continuamente e ainda aprende com cada interação.
 
Mas há uma pergunta que se torna mais relevante do que qualquer indicador operacional. O que, de fato, sustenta a confiança do cliente com a marca? A resposta, invariavelmente, vai além das melhorias agregadas a partir mesmo das melhores soluções tecnológicas.
 
Velocidade é importante, mas deixou de ser o grande diferencial. O cliente busca autonomia para resolver questões simples, mas também espera encontrar alguém preparado quando enfrenta situações complexas, sensíveis ou que exigem contexto. Em outras palavras, ele quer eficiência sem abrir mão de confiança e principalmente proximidade.
 
Foi justamente esse aprendizado que vivenciamos com a Ana, assistente virtual da Algar para atendimento aos clientes corporativos. Ela foi desenvolvida para identificar falhas, realizar diagnósticos de rede, correlacionar eventos e informar o cliente sobre o que está acontecendo, reduzindo intervenções manuais em demandas recorrentes.
 
Hoje, a Ana realiza cerca de 20 mil interações por mês e resolve, de forma autônoma, 72% das solicitações recebidas. Os números mostram o potencial da Inteligência Artificial em escala e eficiência. Mas o principal aprendizado foi outro, cada demanda resolvida pela tecnologia libera capacidade humana para focar em atividades de maior valor agregado, que requerem visão estratégica e interação qualificada.

Em outras palavras, a Inteligência Artificial não reduz a relevância das pessoas, ela explicita onde elas são indispensáveis.
 
Essa tendência já aparece no mercado. A consultoria Gartner projeta que, até 2029, a IA será capaz de resolver autonomamente até 80% das solicitações no atendimento ao cliente. Mais do que eficiência, isso indica uma reorganização do trabalho. Quanto maior a automação, maior o valor das competências humanas nos contextos de exceção.

Isso exige uma mudança de mentalidade, pois eficiência não é mais medida pelo nível de produtividade, escalabilidade. É saber onde o esforço humano gera mais valor. É nesse ponto que o autoatendimento assistido ganha força. Não se trata de escolher entre atendimento humano ou digital, mas de desenhar jornadas integradas. A tecnologia resolve o previsível, e o humano atua no complexo. Nas especificidades que pode estar relacionadas inclusive às questões geracionais. Ou seja, um cliente com idade mais avançada exigirá um nível de interessão humano muito diferente de um nativo digital.

O desafio, potanto, é o cliente iniciar sua jornada com autonomia, mas encontrando, quando necessário, uma transição fluida para alguém capaz de interpretar nuances e construir soluções.
 
Philip Kotler, ao discutir o Marketing 5.0, resume essa lógica ao afirmar que a tecnologia deve humanizar as marcas, não desumanizá-las. O valor não está na substituição, mas na qualificação das interações. Essa mudança redefine o papel das equipes. Profissionais deixam tarefas operacionais e passam a atuar como consultores de experiência, interpretando contextos, lidando com situações não estruturadas e entregando aquilo que a tecnologia não reproduz plenamente – confiança, empatia, discernimento e, claro, proximidade verdadeira.
 
A reflexão leva à pergunta: a medida que a tecnologia assume o previsível, as organizações estão fortalecendo sua capacidade humana para lidar com o imprevisível ou apenas reduzindo custos no curto prazo?

A resposta a essa pergunta diz menos sobre tecnologia e mais sobre capacidade de liderança. O resultado dessa equação é que irá definir o tipo de relação que cada empresa escolhe construir com seus clientes.

Compartilhar:

CMO da Algar, Ana Flávia Martins tem mais de 30 anos de experiência em marketing e negócios, com foco em business, estratégia empresarial, franquias e mercados B2B, B2B2C e B2C. É formada em Comunicação Social, com especializações em Marketing, além de MBA em Gestão e Empreendedorismo e Negócios Varejo. Atualmente, lidera a estratégia de mercado da companhia, contribuindo diretamente para a performance comercial e os resultados do negócio

Artigos relacionados

O Brasil tem muitos fundos ou muito risco? O que os números realmente mostram

O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

O que o espírito do tempo está tentando nos dizer? Afeto, autonomia e o desafio de construir o futuro

A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução