Algumas das maiores transformações de mercado começam antes de aparecerem claramente nas estratégias das empresas. A longevidade é uma delas. Estamos vivendo mais, mas principalmente, construindo uma sociedade com uma composição etária diferente daquela para a qual boa parte dos negócios foi desenhada.
Os números do IBGE mostram a dimensão dessa mudança. Em 2000, 8,7% da população brasileira tinha 60 anos ou mais. Em 2025, esse percentual chegou a 16,6%. Em 2070, a projeção é de 37,8%. Isso não é apenas uma discussão sobre envelhecimento. É uma transformação de mercado.
Quando quase 4 em cada 10 brasileiros tiverem mais de 60 anos, saúde, consumo, serviços, tecnologia, mercado de trabalho e bem-estar precisarão se adaptar a novas necessidades e comportamentos.
Na TotalPass, conseguimos observar parte dessa transformação na prática. Hoje, 67,9% dos nossos usuários têm entre 20 e 39 anos, mas 18% estão entre 40 e 49 anos e 9,4% têm 50 anos ou mais. Entre os usuários com 60+, a maior concentração está em São Paulo (65,06%), Rio de Janeiro (16,70%) e Minas Gerais (4,76%).
Esse público também apresenta padrões próprios: concentra os treinos principalmente pela manhã e no início da semana. A própria relação com a atividade física está mudando. A musculação representa 75,9% das atividades realizadas na TotalPass. Mais do que uma preferência por treino, esse dado aponta para a importância crescente de força, autonomia e capacidade funcional à medida que a expectativa de vida aumenta.
Esse movimento aparece em outras frentes. Em 2025, 52% das pessoas afirmaram acreditar que estarão mais saudáveis nos próximos anos. Entre a Geração Z, o uso de dispositivos de monitoramento passou de 18% em 2020 para 27% em 2024. Os aplicativos de treino também avançaram da 7ª para a 4ª posição entre as principais tendências do mercado fitness mundial, segundo o ACSM.
A longevidade está mudando não apenas quanto tempo vivemos, mas o que esperamos fazer durante esse tempo. E isso cria uma oportunidade para empresas capazes de antecipar essa transformação.
Nossa própria trajetória de crescimento reforçou essa visão. Ao escalar a TotalPass, aprendemos que identificar mudanças de comportamento antes que elas se tornem óbvias é parte essencial de construir novos mercados. Foi assim que ampliamos nossa atuação para além da atividade física, conectando empresas a diferentes soluções de saúde e bem-estar.
A mesma lógica vale para a longevidade.
O desafio não é simplesmente criar produtos para pessoas mais velhas, mas entender como a própria definição de envelhecer está mudando e antecipar as necessidades de uma sociedade que viverá cada vez mais.
A longevidade já está redesenhando o mercado. Para as empresas, a questão é simples: acompanhar essa transformação ou ajudar a construí-la?





