Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura

“Best before”: repensar o consumo é um passo cultural, que aproxima o Brasil de uma economia mais inteligente e sustentável

Modernizar o prazo de validade com o conceito de “best before” é mais do que uma mudança técnica - é um avanço cultural que conecta o Brasil às práticas globais de consumo consciente, combate ao desperdício e construção de uma economia verde.
CEO e founder da Food To Save - empresa que atua no combate ao desperdício de alimentos no país e na promoção do acesso a bons alimentos. Lucas foi eleito empreendedor do ano pela EY, reconhecido como um dos Top 50 Creators do LinkedIn na categoria Food Industry & Food Tech.

Compartilhar:

Recentemente participei da sessão da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços, em Brasília, em que foi discutida a PL 3095/2025. O encontro reuniu parlamentares, o presidente da ABRAS, João Galassi, ABIA | Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e diversas entidades do setor. A proposta busca modernizar o prazo de validade dos alimentos, introduzindo o conceito de “best before” ou “consumir preferencialmente antes de”.

O conceito, já adotado na União Europeia, Reino Unido, EUA e Canadá, indica que a data de validade não significa, necessariamente, que o produto não pode mais ser consumido. Após essa data, é necessário que o consumidor faça uma análise sensorial simples – verificando cheiro, aparência e sabor – para avaliar se o produto ainda está próprio para o consumo. Essa política há décadas orienta consumidores e empresas a aproveitarem alimentos de forma mais consciente e segura. A experiência internacional mostra que é possível, sim, reduzir o desperdício por meio da mudança no consumo.

Em ano de COP 30, as discussões sobre o impacto do desperdício de alimentos tornam-se ainda mais urgentes. Apesar de ser impactado fortemente pelas alterações climáticas, anualmente, o Brasil descarta um volume impressionante de alimentos, equivalente à capacidade total do estádio Maracanã, totalizando cerca de 46 milhões de toneladas de comida desperdiçada, conforme dados da ONU. Enquanto milhões de pessoas passam fome, estamos jogando fora bilhões de reais e contribuindo para a emissão de gases do efeito estufa. É mais do que urgente a necessidade de nos unir para mudar essa realidade.

A boa notícia é que o combate ao desperdício de alimentos já se consolidou como um novo setor da economia verde, com impacto ambiental direto e potencial de escala global. Hoje, combater o desperdício é também uma forma de reduzir emissões e gerar valor econômico. As empresas que entenderem isso sairão na frente, porque o consumidor está mais consciente e quer fazer parte da solução. Só para se ter uma ideia, o estudo “Investing in the Green Economy”, elaborado pelo London Stock Exchange Group revelou que a economia verde global atingiu a marca de US$ 7,2 trilhões de capitalização de mercado só no primeiro trimestre do ano passado, tornando-se o segundo setor com melhor desempenho mundial na última década, atrás apenas do setor de tecnologia.

Na Food To Save, por exemplo, tratamos esse tema com seriedade porque acreditamos que transformar o ecossistema alimentar exige união entre iniciativa privada, entidades setoriais e poder público. É preciso promover políticas públicas modernas, educação do consumidor e práticas que tornem o consumo consciente um hábito e o combate ao desperdício uma cultura. Atualizar a legislação brasileira é um passo essencial para evitar que alimentos próprios para consumo continuem sendo descartados por falta de clareza nas datas de validade. Produtos não perecíveis, como biscoitos, massas ou cereais, podem perder crocância ou sabor, mas mantêm seu valor nutricional e segurança.

Apesar de não ser uma solução única, podemos nos inspirar e olhar para o modelo do “Best Before” como uma ferramenta poderosa dentro de uma estratégia maior para reduzir o desperdício e ensinar sobre os alimentos. Modernizar o prazo de validade é muito mais do que uma questão técnica, é um passo cultural, que aproxima o Brasil de uma economia mais inteligente, sustentável e alinhada aos desafios do futuro. 

Compartilhar:

Artigos relacionados

A pressão que não aparece no organograma: a carreira das mulheres exige mais remédios do que reconhecimento

Quando mulheres consomem a maior parte dos antidepressivos, analgésicos, sedativos e ansiolíticos dentro das empresas, não estamos falando de fragilidade – estamos falando de um modelo de liderança que normaliza exaustão como competência. Este artigo confronta a farsa da “supermulher” e questiona o preço real que elas pagam para sustentar ambientes que ainda insistem em chamá‑las de resilientes.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
7 de março de 2026
Por que sistemas parecem funcionar… até o cliente realmente precisar deles

Marta Ferreira - Cofundadora e presidente da Spread Portugal

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
6 de março de 2026 06H00
A maior feira de varejo do mundo confirmou: não faltam soluções digitais, falta maturidade humana para integrá‑las.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
5 de março de 2026
Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar - e pensar por conta própria

Bruna Lopes de Barros

2 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
4 de março de 2026 12h00
Com todos acessando as mesmas ferramentas para polir narrativas, o que os diferencia? Segundo pesquisa feita com gestores brasileiros, autoconhecimento, expressão e autoria

Patricia Gibin - Consultora e coach

19 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de fevereiro de 2026
Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...