Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
4 minutos min de leitura

Como a inteligência artificial impulsiona as power skills

Em um universo do trabalho regido pela tecnologia de ponta, gestores e colaboradores vão obrigatoriamente colocar na dianteira das avaliações as habilidades humanas, uma vez que as tarefas técnicas estarão cada vez mais automatizadas; portanto, comunicação, criatividade, pensamento crítico, persuasão, escuta ativa e curiosidade são exemplos desse rol de conceitos considerados essenciais nesse início de século.
Cofundador da Mereo, HR Tech presente em mais de 40 países e responsável por atender a 10% das 500 maiores empresas do Brasil. É graduado em Engenharia de Controle e Automação pela PUC-MG e aprimorei minha formação na University of Chicago e em Stanford.

Compartilhar:

Você já ouviu falar em “power skills”? Em tradução livre, esse rol de habilidades no universo do trabalho se enquadraria com alguma tranquilidade no cardápio das fortes competências. Àquelas que alteram o ponteiro da carreira de qualquer pessoa e que são valorizadas, e reconhecidas, pelos gestores dos diversos departamentos de Liderança no Brasil e no exterior.

Criado em 2019, quando Josh Bersin, um influente analista e estudioso da área de recursos humanos, fez um artigo defendendo que, na verdade, as chamadas “soft skills” deveriam ser encaradas como habilidades extraordinárias e, portanto, de soft, ou seja, suave, nada tinham. Na verdade, esses pontos eram power.

Só que essa discussão ganhou novo impulso, quando a Inteligência Artificial (IA) entrou de vez na vida das pessoas, das empresas e de qualquer iniciativa socioeconômica e cultural do planeta. Tanto que até uma ferramenta passou a identificar os principais pontos fortes de um colaborador. Essa ferramenta é a “StrengthsFinder”, usada na avaliação de talentos criada pela Gallup, que identifica os principais pontos fortes de uma pessoa em sua carreira profissional.

Borja Castelar, palestrante e educador, afirma que áreas do conhecimento como comunicação, criatividade, pensamento crítico, persuasão, escuta ativa e curiosidade são exemplos de habilidades humanas que, segundo o palestrante, representam hoje 85% do sucesso profissional. Mas com a IA… Bem, com a IA, essa proporção deve chegar a 95%.

O raciocínio é simples: as tarefas técnicas serão cada vez mais automatizadas, mas as habilidades humanas continuarão sendo decisivas. E o mais importante: devemos potencializar as “power skills” que já temos como fortalezas, e não gastar a maior parte da energia tentando corrigir o que não é natural para nós.

Se pararmos um minuto para refletir sobre isso, vamos perceber que estamos falando de autoconhecimento. Mas não como trajeto. E sim como ponto de partida. Porque não dá para falar em alta performance ou liderança inspiradora sem entender profundamente quais são as nossas forças.

É justamente aí que temos um ponto. Uma questão. A maior parte das avaliações e feedbacks no mundo corporativo foca nas “áreas de melhoria”. Raramente líderes e departamentos de Recursos Humanos concentram esforços em mapear e amplificar as forças já existentes. E isso cria um senão o qual Castelar classificou como “sociedade das fraquezas”. Explico.

O local de trabalho é onde passamos a maior parte do nosso valioso tempo. Nesse espaço de convivência e produtividade, tentamos  nos tornar medianos no que somos ruins, em vez de excepcionais no que somos bons. E essa é a mudança essencial de perspectiva para quem deseja repensar o desenvolvimento de pessoas.

Nessa esteira, a IA terá um papel crucial, porque ela pode funcionar como amplificador das forças humanas, liberando tempo e energia para que possamos usar mais nossas potencialidades. E é aí que surge uma reflexão: dominar a IA generativa será tão fundamental quanto “saber inglês” no futuro.

Portanto, o papel dos departamentos de Gestão e de Liderança não é só adotar tecnologia, mas garantir que ela seja usada para reduzir tarefas repetitivas e criar espaço para o que exige habilidades humanas. Em outras palavras, usar a IA para que as pessoas tenham mais tempo para se comunicar, criar, resolver problemas complexos e liderar – áreas onde as “power skills” podem brilhar.

Só que nada se dá num passe de mágica. Vai precisar do interesse do colaborador, claro, mas fundamentalmente da liderança e de sua força catalisadora. Porque um bom líder não apenas reconhece as forças da sua equipe, mas também cria as condições para que elas sejam usadas todos os dias. E isso envolve muita coisa. Desde possuir curiosidade genuína, praticar escuta ativa, comunicar com clareza e propósito, além de estimular o aprendizado contínuo.

Quando líderes agem assim, conseguem não apenas melhorar resultados, mas também aumentar o engajamento e a retenção de talentos.

Em outras palavras, a união entre IA e “power skills” será uma vantagem competitiva. Porque, sem dúvida, será mais produtivo, mais humano e mais alinhado ao futuro do trabalho. E não se trata de ignorar as fraquezas. Não! Mas parar de fazer delas o centro do desenvolvimento, porque quando trabalhamos a partir do que já somos bons, não só entregamos mais, como nos sentimos mais engajados e realizados.

Essa mudança de mentalidade – do esforço para corrigir, para o impulso de potencializar – pode ser a chave para transformar a gestão de pessoas nos próximos anos. E é exatamente nisso que quero continuar apostando: produtos e práticas que ajudem líderes e equipes a performar com mais naturalidade, propósito e impacto.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando tudo vira conteúdo, o que ainda forma pensamento?

A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo – e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Fornecedores, riscos e resultados: a nova equação da competitividade

Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência – e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

Apartheid climático: Quando a estratégia ESG vira geopolítica

A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Cultura organizacional
13 de janeiro de 2026
Remuneração variável não é um benefício extra: é um contrato psicológico que define confiança, engajamento e cultura. Quando mal estruturada, custa caro - e não apenas no caixa

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
12 de janeiro de 2026
Empresas que tratam sucessão como evento, e não como processo, vivem em campanha eleitoral permanente: discursos inflados, pouca estrutura e dependência de salvadores. Em 2026, sua organização vai escolher maturidade ou improviso?

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
9 de janeiro de 2026
Alta performance contínua é uma ilusão corporativa que custa caro: transforma excelência em exaustão e engajamento em sobrecarga. Está na hora de parar de romantizar quem nunca para.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de janeiro de 2026
Diversidade não é jogo de aparências nem disputa por cargos. Empresas que transformam discurso em prática - com inclusão real e estruturas consistentes - não apenas crescem mais, crescem melhor

Giovanna Gregori Pinto - Executiva de RH e fundadora da People Leap

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de janeiro de 2026
E se o maior risco estratégico para 2026 não for uma decisão errada - mas uma boa decisão tomada com base em uma visão de mundo desatualizada?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

8 minutos min de leitura
Estratégia, ESG
6 de janeiro de 2025
Com a reforma tributária e um cenário econômico mais rigoroso, 2026 será um divisor de águas para PMEs: decisões de preço deixam de ser operacionais e passam a definir a sobrevivência do negócio.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
5 de janeiro de 2026
Inovar não é sinônimo de começar do zero. A lente da exaptação revela como ideias e recursos existentes podem ser reaproveitados para gerar soluções transformadoras - da biologia às organizações contemporâneas.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de janeiro de 2026
Em 2026, não será a IA nem a velocidade que definirão as empresas líderes - será a inteligência coletiva. Marcas que ignorarem o poder das comunidades femininas e colaborativas ficarão para trás em um mundo que exige empatia, propósito e inovação humanizada

Ana Fontes - Fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME. Vice-Presidente do Conselho do Pacto Global da ONU Brasil e Membro do Conselho da Presidência da República - CDESS.

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de janeiro de 2026
O anos de 2026 não será sobre respostas prontas, mas sobre líderes capazes de ler sinais antes do consenso. Sensibilidade estratégica, colaboração intergeracional e habilidades pós-IA serão os verdadeiros diferenciais para quem deseja permanecer relevante.

Glaucia Guarcello - CEO da HSM, Singularity Brazil e Learning Village

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de dezembro de 2025
Segurança da informação não começa na tecnologia, começa no comportamento. Em 2026, treinar pessoas será tão estratégico quanto investir em firewalls - porque um clique errado pode custar a reputação e a sobrevivência do negócio

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...