Bem-estar & saúde
3 minutos min de leitura

Como capturar e reter a atenção – e não é só por um curto período

Quem nunca falou e sentiu que o outro “desligou”? Este artigo recorre à neurociência para explicar por que isso acontece - e sugere o que fazer para trazer a atenção de volta.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Você certamente já se irritou ou se frustrou porque tentou conversar com alguém e essa pessoa se desconectou da conversa por qualquer razão. Se existe um alento nisso, é que você não está só.

Agora a neurociência ajuda a recuperar a atenção de volta. Mais precisamente, é a Dra. Carmen Simon, uma neurocientista cognitiva, especializada em como o cérebro processa e retém informações, quem nos ajuda a entender os caminhos que a mente percorre até focar ou nos deixar falando sozinhos.

A atenção é, sem dúvida, um dos recursos mais escassos e valiosos. Líderes e comunicadores frequentemente se deparam com o desafio de engajar suas equipes em meio a um mar de distrações digitais e demandas simultâneas.

A Dra. Simon desconstrói mitos e fornece estratégias baseadas em ciência para garantir que as mensagens sejam ouvidas, lembradas e internalizadas.

O primeiro mito desfeito: as pessoas não possuem a capacidade de atenção de um peixinho dourado. Simon argumenta que o cérebro humano é perfeitamente capaz de sustentar o foco por longos períodos – basta observar a facilidade com que assistimos a horas ininterruptas de nossas séries favoritas. O problema não está na capacidade cognitiva do público, mas na qualidade do estímulo. Quando o conteúdo falha em ser simultaneamente importante e interessante, a mente divaga. Portanto, a responsabilidade de resgatar e manter essa atenção recai sobre quem fala.

Para navegar nesse desafio, a neurociência sugere abordagens que estimulam tanto o foco externo quanto a reflexão interna.

Uma boa técnica é o uso da provocação controlada. No mundo dos negócios, onde a precisão e a sobriedade costumam ditar as regras, quebrar expectativas pode ser o diferencial necessário. Ao apresentar perspectivas inusitadas, a gente obriga a audiência a processar a informação de maneira mais profunda.

Conto para vocês outro tipo de estímulo simples e divertido: estive recentemente em Stanford acompanhando um grupo de executivos a uma imersão em IA, e um dos professores, que é atleta e adora pedalar, chegava na sala quase caracterizado, dava uma espreguiçada, começava a falar e, de tempos em tempos, quando perguntava algo para a turma e ela interagia, ele dava um pequeno pulinho de celebração. Na primeira vez que acontece, a gente pensa: o que está acontecendo aqui? Na segunda, a gente pensa: “é sério isso?”. Na terceira, a gente redobra a atenção. Ele é um gênio! Aliás, ele tem um Podcast ótimo sobre diferentes formas de pensar o mundo.

Além disso, a compreensão da “cognição corporificada” (embodied cognition) nos oferece uma ferramenta interessante. Essa teoria diz que o aprendizado e a percepção não ocorrem apenas de forma abstrata na mente, mas através da interação física com o ambiente. Em termos práticos, isso significa que apresentações passivas são menos eficazes do que aquelas que exigem ação. Incentivar a equipe a tomar notas à mão, participar de dinâmicas de quadro branco ou responder a perguntas reflexivas aumenta significativamente o engajamento e a retenção de memória. A síntese exigida por essas atividades físicas consolida a informação de maneira que a simples audição não consegue alcançar.

Por fim, quando o líder não está presente para guiar a atenção – como na leitura de um relatório ou e-mail -, a estrutura do conteúdo deve assumir esse papel. Transições lógicas são cruciais para direcionar o pensamento do leitor de um ponto a outro, replicando a forma natural como o cérebro associa ideias.

Incorporar perguntas de autorreflexão ao longo do texto também atua como um mecanismo de ancoragem, trazendo a mente de volta ao foco sempre que ela ameaça se dispersar.

Ao aplicar esses princípios neurocientíficos, podemos transformar nossa comunicação e evitar aquele sentimento de ser deixado vagando sozinho com as nossas ideias.

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Seu data center está preparado para racks de 100 kW?

A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Sharenting: o limite entre compartilhar e expor

Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução