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Como capturar e reter a atenção – e não é só por um curto período

Quem nunca falou e sentiu que o outro “desligou”? Este artigo recorre à neurociência para explicar por que isso acontece - e sugere o que fazer para trazer a atenção de volta.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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Você certamente já se irritou ou se frustrou porque tentou conversar com alguém e essa pessoa se desconectou da conversa por qualquer razão. Se existe um alento nisso, é que você não está só.

Agora a neurociência ajuda a recuperar a atenção de volta. Mais precisamente, é a Dra. Carmen Simon, uma neurocientista cognitiva, especializada em como o cérebro processa e retém informações, quem nos ajuda a entender os caminhos que a mente percorre até focar ou nos deixar falando sozinhos.

A atenção é, sem dúvida, um dos recursos mais escassos e valiosos. Líderes e comunicadores frequentemente se deparam com o desafio de engajar suas equipes em meio a um mar de distrações digitais e demandas simultâneas.

A Dra. Simon desconstrói mitos e fornece estratégias baseadas em ciência para garantir que as mensagens sejam ouvidas, lembradas e internalizadas.

O primeiro mito desfeito: as pessoas não possuem a capacidade de atenção de um peixinho dourado. Simon argumenta que o cérebro humano é perfeitamente capaz de sustentar o foco por longos períodos – basta observar a facilidade com que assistimos a horas ininterruptas de nossas séries favoritas. O problema não está na capacidade cognitiva do público, mas na qualidade do estímulo. Quando o conteúdo falha em ser simultaneamente importante e interessante, a mente divaga. Portanto, a responsabilidade de resgatar e manter essa atenção recai sobre quem fala.

Para navegar nesse desafio, a neurociência sugere abordagens que estimulam tanto o foco externo quanto a reflexão interna.

Uma boa técnica é o uso da provocação controlada. No mundo dos negócios, onde a precisão e a sobriedade costumam ditar as regras, quebrar expectativas pode ser o diferencial necessário. Ao apresentar perspectivas inusitadas, a gente obriga a audiência a processar a informação de maneira mais profunda.

Conto para vocês outro tipo de estímulo simples e divertido: estive recentemente em Stanford acompanhando um grupo de executivos a uma imersão em IA, e um dos professores, que é atleta e adora pedalar, chegava na sala quase caracterizado, dava uma espreguiçada, começava a falar e, de tempos em tempos, quando perguntava algo para a turma e ela interagia, ele dava um pequeno pulinho de celebração. Na primeira vez que acontece, a gente pensa: o que está acontecendo aqui? Na segunda, a gente pensa: “é sério isso?”. Na terceira, a gente redobra a atenção. Ele é um gênio! Aliás, ele tem um Podcast ótimo sobre diferentes formas de pensar o mundo.

Além disso, a compreensão da “cognição corporificada” (embodied cognition) nos oferece uma ferramenta interessante. Essa teoria diz que o aprendizado e a percepção não ocorrem apenas de forma abstrata na mente, mas através da interação física com o ambiente. Em termos práticos, isso significa que apresentações passivas são menos eficazes do que aquelas que exigem ação. Incentivar a equipe a tomar notas à mão, participar de dinâmicas de quadro branco ou responder a perguntas reflexivas aumenta significativamente o engajamento e a retenção de memória. A síntese exigida por essas atividades físicas consolida a informação de maneira que a simples audição não consegue alcançar.

Por fim, quando o líder não está presente para guiar a atenção – como na leitura de um relatório ou e-mail -, a estrutura do conteúdo deve assumir esse papel. Transições lógicas são cruciais para direcionar o pensamento do leitor de um ponto a outro, replicando a forma natural como o cérebro associa ideias.

Incorporar perguntas de autorreflexão ao longo do texto também atua como um mecanismo de ancoragem, trazendo a mente de volta ao foco sempre que ela ameaça se dispersar.

Ao aplicar esses princípios neurocientíficos, podemos transformar nossa comunicação e evitar aquele sentimento de ser deixado vagando sozinho com as nossas ideias.

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É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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