A próxima efeméride no calendário, após o Carnaval, é o Dia Internacional da Mulher. Há poucos anos, a fórmula era oferecer uma rosa vermelha, um dia de beleza, chocolates e outros símbolos de feminilidade. Pensávamos em celebrar o feminino. Claro que todos gostam de gentileza e de demonstrações de afeto, mas é bom lembrar que o 8 de Março foi inserido no calendário por outras razões.
Se você ainda considera o máximo as ações de beleza, pode oferecer esse ‘cardápio’ em uma semana de cuidados pessoais e bem-estar (wellbeing).
Em março, minha recomendação é discutirmos sobre carreira. Como fazer isso? Existem muitas formas. Vou listar algumas, mas que tal fazermos deste post uma utilidade pública? Se você participou de uma atividade interessante, compartilhe nos comentários. Vamos valorizar práticas que, em nossa opinião, alcançam e transformam mais pessoas.
Algumas ideias:
- Convide mulheres para falar. Não precisa ser sobre a luta delas, e sim sobre suas áreas de atuação. Mulheres cientistas, empresárias, executivas. Qual será a fórmula de cada uma para ter avançado em sua carreira? A conversa não precisa ser apenas sobre as que “vencem” (entre aspas, porque sucesso não se mede pelo cargo), mas também sobre as que enfrentam dificuldades e desafios. Nós também aprendemos com isso, e essa escuta empática pode ajudar a pensar coletivamente em soluções.
- Aproveite para celebrar as diferentes histórias da própria empresa. Celebre e reconheça as mulheres oferecendo mais oportunidades, melhores salários, cargos e reconhecimento. Não se trata apenas de comunicação interna.
- Faça uma escuta ativa. O que mais pode ser feito para que elas avancem?
- Ofereça programas de mentoria e formação complementar. Disponibilize cursos para que ampliem seu repertório, especialmente se isso for feito dentro do horário de trabalho, pois, para muitas, a jornada na empresa é apenas a primeira do dia.
- Busque compromissos objetivos e pragmáticos para avaliar se as práticas internas estão, de fato, promovendo a diversidade. Uma empresa pode até contratar muitas mulheres, mas por quanto tempo elas permanecem? O número de mulheres que entram é realmente maior do que o de que saem?
- Envolva os homens nessa discussão. Como podemos, juntos, ajudar a criar um repertório mais amplo que apoie outras mulheres? Pode parecer um tema ultrapassado, mas, recentemente, em pleno 2026, eu estava em um debate e um colega se queixou de “não haver mais espaço para o homem branco e heterossexual”. Felizmente, o facilitador, com gentileza, lembrou os números ainda tão desiguais da presença masculina e nossa necessidade urgente de equilibrar os espaços.
Enfim, meu desejo sincero é o de ampliar oportunidades. E que nós, mulheres, sejamos um ponto de apoio para que outras possam evoluir cada vez mais. Nem sempre fazer isso com uma pedra na mão é a melhor saída. Encarar situações com enfrentamento apenas constrói mais muros. A via do diálogo é sempre a melhor e mais sustentável, embora esteja longe de ser simples.




