Assunto pessoal

Como colecionar resultados

As pessoas têm autoimagem e desempenho ruins por se compararem a outras no Instagram? Os esportes de alta performance mostram que o caminho é o contrário
André Heller se apresenta hoje como um empreendedor comportamental a palestrante de alta performance para lideranças. Ex-jogador de vôlei campeão olímpico e mundial, é autor do livro *Foque a Ação, Colecione Resultados*, em que este artigo se baseia.

Compartilhar:

Não há brasileiro que não conheça Bruno Mossa de Rezende, o Bruninho, célebre levantador da Seleção Brasileira de Vôlei. Olhando para suas três medalhas olímpicas – uma de ouro e duas de prata – e para sua genética – filho de um medalhista da geração de 1984 no vôlei feminino, Bernardinho, e da fantástica jogadora da Seleção Feminina Vera Mossa –, qualquer um diria que jogar vôlei para ele era a coisa mais fácil do mundo, que ele armava os ataques já no berçário da maternidade.

Em uma conversa comigo, no entanto, Bruninho contou uma história diferente. As incessantes comparações técnicas com outros levantadores que a Seleção do Brasil havia tido o faziam sentir como se precisasse provar sua capacidade técnica a todo momento. Ele sofria e, arrisco dizer, não desempenhava tudo que podia.
Foi só depois de um árduo processo de desenvolvimento que o Bruno entendeu que não precisava ter mãos tão brilhantes como as do levantador que ele sucedeu. No processo, Bruno basicamente refletiu sobre suas limitações (aceitou-as e ressignificou-as) e reconheceu suas virtudes diferenciais. Unir ambos os recursos – limitações e virtudes – foi seu modo de gerar ótimos resultados para o time. E não a comparação. Quando perguntei ao Bruno o que ele diria hoje ao Bruninho de 20 anos de idade, sabe o que ele respondeu? “Eu diria para ele acreditar no processo, no dia a dia. Não pensar só nos resultados.”

A verdade é que todo mundo pensa em resultados a priori. Pior ainda: em resultados comparados. E desiste por conta disso. É para haver resultados, sim, mas a posteriori. De fato, Bruno é reconhecido como um dos melhores levantadores do mundo. Já pensou se, por comparar-se, ele tivesse desistido?

Eu também quase desisti, e pelo mesmo motivo – a comparação excessiva com os demais. Quando criança, eu era asmático, limitação evidente na comparação com os coleguinhas. Minha mãe me colocou na natação, que em tese melhoraria meu sistema respiratório, mas surgiu outra limitação: alergia a cloro – a pele ficava toda empipocada. Depois, fui para o basquete, com minha altura de 1,80 m. E veio a terceira limitação: falta de coordenação motora.

Até o dia que a escola abriu processo seletivo para atletismo. Meu professor, de olho no tamanho de minhas pernas e na ausência de gordura, pediu que eu me inscrevesse. Eu me destaquei nos testes; fui bem na corrida, no salto em altura… Foi a primeira vez que não me comparei com ninguém; sabia que todos os outros treinavam há mais tempo do que eu. E só fiz aquilo que o professor me pedia. Cheguei em casa aos gritos: “Mãe, vou ser atleta!”.

Como você sabe, não segui com o atletismo. Mas ao trocar a comparação excessiva – essa que acontece o tempo todo nas redes sociais – pela ação, pude me tornar um atleta e um colecionador de resultados.

__Leia também: [O poder da cultura do respeito](https://www.revistahsm.com.br/post/o-poder-da-cultura-do-respeito)__

Artigo publicado na HSM Management nº 156.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Bem-estar & saúde, Estratégia
30 de junho de 2026 15H00
A partir dos sinais do Web Summit Rio 2026, este artigo mostra como a saúde mental deixou de ser benefício periférico para se tornar uma variável crítica de negócio, impactando investimento, regulação e a própria sustentabilidade das empresas.

Weber Stival - Fundador e CEO da Unolife.

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de junho de 2026 08H00
A NR-1 mudou a regra: cuidar da saúde mental agora exige gestão. Este artigo mostra como a nova norma transforma riscos psicossociais em variável estratégica, exigindo das empresas organização, método e accountability na gestão do ambiente de trabalho.

Erich Silva - COO e Head de Talentos da Lecom

3 minutos min de leitura
Liderança
29 de junho de 2026 16H00
Ao revisitar a história de Francisco Serrão, este artigo propõe uma inversão rara na lógica da liderança contemporânea: talvez a verdadeira coragem não esteja em continuar a todo custo, mas da capacidade de definir limites.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de junho de 2026 08H00
Ao contrastar o poder das big techs ocidentais com a força industrial e estrutural do Oriente, este artigo amplia a leitura sobre inovação e revela que o futuro da economia global não será definido por empresas isoladas, mas pela interação entre ecossistemas tecnológicos interdependentes.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de junho de 2026 15H00
Com Sérgio Frangioni e a Blanver como pontos de observação, o terceiro artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira investiga como decisões empresariais, PDPs, IFAs e produção local podem aproximar inovação farmacêutica da vida concreta dos pacientes.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

13 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de junho de 2026 08H00
Diante de um cenário de sobrecarga crescente no trabalho, este artigo mostra que o problema não está apenas no volume, mas na forma como o trabalho é organizado, e apresenta caminhos práticos para redesenhá-lo com mais significado, autonomia e energia.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Estratégia
27 de junho de 2026 15H00
Mais do que acumular experiências, este artigo propõe uma mudança na forma de pensar carreira, apoiando-se em conceitos como “capital profissional” (composto de cinco capitais) e “professional equity”

Nathália Brandão - Head de Educação Corporativa no TikTok LATAM, Escritora e Forbes Under 30

5 minutos min de leitura
Liderança
27 de junho de 2026 08H00
Na estreia da coluna do Grupo Mulheres do Brasil, este artigo mostra que a liderança do futuro não será construída por decisões individuais, mas pela capacidade de mobilizar diversidade, escuta e inteligência coletiva para enfrentar desafios que já não cabem em uma única visão.

Andrea Gasques - Diretora de Comunicação do Grupo Mulheres do Brasil

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de junho de 2026 14H00
Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

Janaina Calazans - Gerente de Ensino Superior da CESAR School

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de junho de 2026 08H00
Este artigo revela por que o verdadeiro desafio da IA não é adoção, mas uso intencional, capaz de ampliar o pensamento, e não substituí-lo.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo