Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 minutos min de leitura

Da cultura ao caixa: O impacto real (e subestimado) de nomear o líder errado

Nada destrói uma empresa tão rápido - e tão silenciosamente - quanto um líder mal escolhido. Uma única nomeação equivocada corrói cultura, paralisa times, distorce decisões e drena resultado. Este artigo expõe por que insistir nesse erro não é só imprudência: é um passivo estratégico que nenhuma organização deveria tolerar.
CEO e fundador da Impulso, People Tech sediada no Rio de Janeiro, onde lidera há 16 anos a construção de soluções e times de tecnologia com foco em performance, inovação e impacto real nos negócios. Empreendedor, comunicador e provocador por essência, também é host do Deep Dive Podcast, espaço em que explora liderança, cultura, comportamento e as verdades inconvenientes do mundo empresarial, conectando sua visão estratégica de negócios a conversas profundas sobre pessoas e transformação.

Compartilhar:

Uma contratação equivocada num cargo de liderança não “custa só a remuneração” desse líder. Cria-se um efeito dominó, uma cascata infindável de questões: baixa performance da equipe liderada, erosão de cultura, percepção de ambiente de trabalho tóxico, contágio comportamental que empurra bons talentos para fora, horas e horas de alinhamentos, realinhamentos e remendos para consertar o que nunca deveria ter quebrado.

Em 2025, a pesquisa State of the Global Workplace 2025 da Gallup, mostrou uma queda global de engajamento dos líderes (de 30% para 27%), com impacto estimado em US$ 438 bi de produtividade perdida. O quesito “confiança nos líderes” aparece como um dos principais drivers de engajamento dos times. Se um líder está desengajado, seus times também estão. Segundo a pesquisa, 70% do engajamento de um time pode ser atribuído à sua liderança.

A pesquisa Toxic Workplace Trends Report 2025 da iHire reforça o tópico. Segundo a pesquisa, 53% dos respondentes dizem já ter pedido demissão por um ambiente tóxico. O culpado número 1 por esse ambiente seria atribuído à presença de uma liderança ruim e os principais temas relacionados são: falta de accountability, favoritismo/viés, microgestão, comunicação inconsistente e expectativas pouco claras.

Então como já sabemos e essas pesquisas endossam, o problema não é só incompetência técnica. É também, e talvez principalmente, a falta de fit cultural somada a poder. Quando a confiança na liderança cai, as pessoas param de perseguir a estratégia da empresa e começam a praticar um esporte corporativo muito comum: sobreviver ao chefe.

Ao longo dos anos eu colecionei aprendizados importantes para ajudar a mitigar o risco de contratações equivocadas e também ferramentas necessárias para acompanhar os times ao longo da jornada.

No recrutamento, não confunda convicção com precisão.

No recrutamento de líderes, por vezes eu confiei muito na minha análise pessoal – e portanto cheia dos meus vieses – em detrimento de delegar algumas das análises comportamentais e de fit cultural para pessoas mais isentas no processo. Parece uma coisa óbvia, mas acredito que eu não tenha sido o único que ao se deparar com uma pessoa com potencial espetacular, simplesmente a contratou, ignorando as análises completas que a área de People poderia ter feito.

People só consegue contratar por fit se a empresa souber dizer quem ela é.

Mas ainda existem mais alguns detalhes. Para a área de People realizar esse processo de forma a favorecer o fit com a empresa, precisa-se haver definido previamente os detalhes dos comportamentos, habilidades e atitudes que são esperadas das pessoas dessa empresa. Ouso imaginar que mesmo empresas há muito tempo estabelecidas falham nesse quesito ou ainda usam definições que estão defasadas em relação ao momento atual da companhia.

Já a minha principal ferramenta é o que eu chamo de Termômetro de Engajamento. É preciso monitorar e isso precisa ser simples e ter cadência. Com meia dúzia de perguntas objetivas já é possível saber se um time está engajado ou não. É preciso ter cadência de pelo menos duas, mas idealmente de quatro vezes ao ano, uma a cada trimestre. Se os resultados desse acompanhamento mostram uma queda de engajamento, é preciso investigar e agir. Ao executar isso por trimestres e trimestres consecutivamente, a empresa criará uma história que muitas vezes estará conectada com seus momentos de baixa e alta performance.

O ponto final: os sinais aparecem cedo e a esperança é cara.

As evidências de uma contratação equivocada começam a aparecer cedo. Mas por vezes acreditamos que seremos capazes de reverter a situação e que tudo pode ter sido apenas um início turbulento. Ledo engano. Eu não acredito que coaching ou qualquer outra estratégia seja capaz de reverter comportamentos desalinhados com os valores da companhia. A empresa não tem esse tempo a perder e manter no cargo um líder que é tóxico segundo os valores da companhia é um risco operacional que eu não aceito mais correr.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Essa reunião podia ser um agente

Enquanto agendas lotam e decisões patinam, este artigo mostra como a ascensão dos agentes de IA expõe a fragilidade das arquiteturas de decisão – e por que insistir em reuniões pode ser sinal de atraso estrutural.

Estratégia
28 de março de 2026 06H00
Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência - e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

André Veneziani - VP Comercial Brasil e Latam da C-MORE

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de março de 2026 13H00
Investir em centros de P&D deixou de ser opcional: tornou‑se uma decisão estratégica para competir em mercados cada vez mais tecnológicos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Estratégia
27 de março de 2026 07H00
Medir saúde organizacional deveria estar no mesmo painel que receita, margem e eficiência. Quando empresas tratam bem-estar como benefício e não como gestão, elas não só ignoram dados alarmantes - elas comprometem produtividade, engajamento e resultado.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
ESG
26 de março de 2026 15H00
A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Marceli Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de março de 2026 09H00
À medida que desafios logísticos se tornam complexos demais para a computação tradicional, este artigo mostra por que a computação quântica pode inaugurar uma nova era de eficiência para o setor de mobilidade e entregas - e como empresas que começarem a aprender agora sairão anos à frente quando essa revolução enfim ganhar escala.

Pâmela Bezerra - Pesquisadora do CESAR e professora de pós-graduação da CESAR School e Everton Dias - Gerente de Projetos

7 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
25 de março de 2026 15H00
IA executa, analisa e recomenda. Cabe ao líder humano decidir, inspirar e construir cultura.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
ESG
25 de março de 2026 09H00
Quando propósito vira vantagem competitiva, manter impacto e lucro separados é mais que atraso - é miopia estratégica.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

5 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
24 de março de 2026 14H00
Quando a geopolítica esquenta, o impacto não começa nos noticiários - começa na planilha: energia mais cara, logística pressionada, insumos instáveis e margens comprimidas. Este artigo revela por que guerras longínquas se tornam, em poucos dias, um problema urgente de precificação, estratégia e sobrevivência financeira para as empresas.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
24 de março de 2026 07H00
À medida que a China eleva a inteligência artificial incorporada e as interfaces cérebro‑máquina ao status de indústrias estratégicas, uma nova disputa tecnológica global se desenha - e o epicentro da inovação pode estar prestes a mudar de coordenadas.

Leandro Mattos - Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de março de 2026 14H00
Entre inovação, sustentabilidade e segurança regulatória, o modelo de concessões evolui para responder aos novos desafios da mobilidade urbana no Brasil.

Edson Cedraz - Sócio-líder para a indústria de Government & Public Services e Fernanda Tauffenbach - Sócia de Infrastructure and Capital Projects

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão