Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 minutos min de leitura
Oferecido por:

De volta ao humano. Por que 2026 vai exigir foco em pessoas

Cinco gerações, poucas certezas e muita tecnologia. O cenário exigirá estratégias de cultura, senso de pertencimento e desenvolvimento
CEO e fundador da Companhia de Estágios. Graduado em administração pela Fecap, com pós-graduação em gestão de pessoas pelo Mackenzie, possui mais de 20 anos de experiência na área de RH. Linkedin:

Compartilhar:

Em 2026, o mercado viverá o fenômeno da entrada de uma nova geração nas empresas. Serão cinco gerações atuando simultaneamente: baby boomers, X, millennials, Z e, agora, os alfa, jovens nascidos a partir de 2010. 

Filhos dos millennials, esses adolescentes chegam ao trabalho como aprendizes ou estagiários do ensino técnico, trazendo uma visão integrada entre mundo físico e digital. Para eles, não há fronteiras entre online e offline, tudo é território natural de interação. Isso exigirá das organizações fortalecer competências humanas como comunicação adaptativa, sensibilidade para diferentes repertórios e consistência cultural. Em um local de trabalho onde os valores são difusos e pouco vivenciados no cotidiano, as diferenças de idade deixam de ser riqueza e se tornam ruído. 

Segundo o relatório Glassdoor’s Worklife Trends 2026 (“Tendências de trabalho”, em tradução livre), existe uma propensão de queda nas avaliações dos trabalhadores sobre líderes ao redor do mundo. No comparativo entre 2024 e 2025, termos como “desalinhamento” (+149%), “desconfiança” (+26%) e “desconexão” (+24%) passaram a aparecer de forma mais frequente no compartilhamento das opiniões anônimas dos milhões de usuários da plataforma. Esse movimento reflete um ambiente marcado por conflitos geracionais, incertezas, demissões em massa (os famosos layoffs), retorno ao trabalho presencial e adoção massiva de IA —  fatores que, somados, deixam os profissionais mais cautelosos e menos confiantes. 

Portanto, a gestão de pessoas em 2026 não será apenas sobre lidar com perfis diferentes, será sobre reconstruir pontes entre líderes e suas equipes, gerando confiança e clareza de objetivos num contexto de rápidas transformações.

Mas como fazer isso em um cotidiano corporativo cada vez mais acelerado? Cabe ao RH, às lideranças e à comunicação interna transformar a cultura em prática viva, com orientações objetivas de como as pessoas colaboram, tomam decisões alinhadas à estratégia, resolvem conflitos e compartilham conhecimento. Organizações que conseguem promover conexão e senso de pertencimento fazem isso por meio de ações. 

Slogans de cultura e frases de efeito são como fumaça: dissipam no ar.  A liga acontece quando o colaborador sente, no dia a dia, que ‘’faz parte’’ e suas contribuições importam. Isso envolve abrir espaços estruturados de convivência, como círculos de diálogo para refletir desafios reais do trabalho, e criar mecanismos de colaboração intencional, em projetos nos quais jovens talentos atuem lado a lado com lideranças seniores na resolução de problemas críticos. 

Também envolve tratar feedback como rotina, não como evento anual: conversas de alinhamento frequentes, devolutivas transparentes e reconhecimento imediato dos avanços são fundamentais para alinhar (e engajar) as diferentes gerações. Empresas maduras já entenderam que pertencimento é estratégia de negócio. E quem negligenciar isso terá dificuldade em competir num mercado pressionado pela inteligência artificial, guerra de talentos e pelas expectativas das novas gerações.


Atraindo a nova geração

No que diz respeito à atração dos novos profissionais, empresas devem estar atentas às demandas desses candidatos, bem informados sobre as oportunidades de sua área. Um levantamento recente da Companhia de Estágios apontou que 48% dos estudantes que participam de programas de estágio ou estão em busca de vagas nesta modalidade priorizam flexibilidade e benefícios que favoreçam o seu desenvolvimento. Sendo assim, quem não investe em desenvolvimento ou mantém estruturas excessivamente rígidas, deixando de estimular a participação dos jovens em diferentes projetos, corre o risco de se tornar insignificante para esse público.

Conectar-se aos Alphas passará por linguagem e coerência: definir e comunicar o que a organização pode oferecer e estruturar o programa de aprendiz ou estágio de maneira consistente com a realidade e respeitando o que foi “vendido” no recrutamento. 

Ajustar o programa às expectativas dos jovens não significa atender a tudo o que eles desejam, mas equilibrar benefícios, oportunidades e condições de aprendizado de maneira estratégica. Se, por exemplo, a empresa não consegue oferecer um modelo híbrido, pode compensar com trilhas de capacitação robustas, participação em projetos interáreas, mentoria ativa e suporte educacional. Se não pode ampliar o pacote de benefícios, pode investir numa bolsa-auxílio mais competitiva, horários flexíveis dentro do presencial ou certificações custeadas pela empresa. O que importa é construir uma proposta clara, que ofereça desenvolvimento real e mostre caminhos de evolução, permitindo criar um programa capaz de promover atração e desenvolvimento de talentos em um mercado cada vez mais disputado.

Hoje, há cerca de 1 milhão de vagas de estágio para pouco mais de dez milhões de universitários no Brasil, ou seja, menos de 10% dos que estudam têm acesso a oportunidades. Sem dúvida, as companhias que tratarem o estágio como investimento, e não como custo, estarão muito bem posicionadas para atrair a geração vindoura — formando e mantendo o pipeline de novos talentos. 

O que definirá quem está mais preparado para os desafios do próximo ano será justamente essa capacidade de trazer pessoas novas, oxigenando a organização e sustentando a colaboração entre profissionais de repertórios distintos. Num mercado pressionado por automações, escassez de vagas e queda na confiança institucional, o retorno ao foco nas pessoas não será um gesto simbólico, mas parte essencial da estratégia para crescer e evoluir os negócios. 

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de agosto de 2026 08H00
Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Talita Braga - Diretora Executiva de Finanças da Infor na América Latina

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de agosto de 2026 18H00
Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução