Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
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Design Organizacional e Job Crafting (Redesenho do Trabalho): Uma ponte entre números, estrutura e o potencial humano.

Números não executam estratégia sozinhos - pessoas mal posicionadas também a sabotam. O verdadeiro ganho de eficiência nasce quando estrutura, dados e pessoas operam como um único sistema.
Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor convidado em Masters de Liderança na Espanha e Mexico. Miguel é apaixonado e estudioso da Psicologia Positiva, convencido de que existe uma forma mais sustentável de fazer negócios e gerir empresas. No centro de sua atuação está a conexão de desafios estratégicos nas organizações com metodologias centradas nas pessoas. Com um Master Executivo em Liderança Positiva e Estratégia pelo IE - Instituto de Empresas - Madrid. Consultor implementando projetos de Identificação e Desenvolvimento de Talentos, formação e reestruturação de equipes através de Job Crafting, Team Crafting e mapeamento de Redes de Colaboração. Atendeu clientes de diferentes setores – financeiro, engenharia, indústria alimentícia, comércio, serviços e tecnologia.

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Me dei um desafio grande ao escrever este artigo, buscando sintetizar de forma prática a necessidade de conectar mundos que normalmente não conversam entre si ou tem ruídos de comunicação, números, estrutura e potencial humano.

Para isso convidei para me apoiar nesta reflexão Lucas Dian, especialista em Design Organizacional e executivo da Comp empresa que trabalha com Org Design apoiada por IA.

Já a minha escola é da psicologia positiva organizacional e tenho trabalhado temas como talentos e potencial, complementaridade/ colaboração e significado no trabalho.

Sempre tive essa inquietação de fazer a ponte entre a estratégia da organização, o potencial e interesses, valores dos times e uma estrutura/ ambiente que permitisse esse alinhamento.

Das conversas com Lucas também percebi a inquietação de um olhar sistêmico, afinal o melhor desenho de estrutura não funciona se o potencial das pessoas é  mal aproveitado ou existem  questões comportamentais/culturais  a serem resolvidas. Isso afeta o sucesso da organização e o bem-estar das pessoas.

Da mesma forma comportamentos e potencial e valores alinhados com a estratégia em uma estrutura ruim também afetam o sucesso da organização e nosso bem-estar.

A área de pessoas ainda tem enxergado as suas disciplinas e projetos como silos DHO, Talent Acquisition, Rewards e de alguma forma os provedores também estão olhando isso de forma isolada. Com o nível de complexidade e dinamismo  que estamos vivendo ainda que cada um seja especialista em um subsistema, a visão sistêmica é um tema a ser exercitado coletivamente a todos os níveis do time e ouso dizer entre quem provê soluções para o RH.

E agora que temos dados e IA para apoiar nossa análise podemos correlacionar e identificar se os problemas de produtividade e resultados vem de aspectos comportamentais (capital humano e capital social), de processos ou de questões estruturais com mais agilidade.

A evolução do Design Organizacional

A conversa com Lucas foi muito interessante pois na minha mente existiam 2 abordagens, uma que é herança da Era industrial onde as pessoas eram engrenagens de uma estrutura relativamente previsível, estável e vertical, então o foco era redução de custo e eficiência, já a segunda abordagem olhando para outro extremo com foco em autogestão, trabalho em rede, descentralizado, centrado nas pessoas.

Enquanto o 1º modelo já não atende o nível de complexidade e dinamismo em que estamos vivendo, a 2ª demanda um grau de maturidade da organização e das pessoas que fazem parte dela para ser adotado. (E quero dizer que sou fã da autogestão e modelos mais descentralizados, quando bem implementados).

Precisa existir um caminho do meio e é justamente o que Lucas comenta em sua definição de Design ORG – “É o arranjo estruturado para levar valor ao cliente final através  de pessoas”.


Dentro deste arranjo também entra o Workforce Planning – que indo além do HeadCount – deve olhar a capacidade atual e capacidade futura da organização.

Existe uma conexão fundamental com indicadores financeiros como Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização ), P&L ( lucros e perdas), a Estratégia da organização e movimentos de mercado.

Algumas coisas que precisamos responder sobre o desenho organizacional:

  • Ele proporciona uma operação atual saudável,
  • É adequado conforme nossa receita,
  • Ajuda a promover a ambidestria ( inovação vs. operação atual) e
  • Nos dá agilidade para responder a movimentos internos (estratégia) e externos ( mercado).


Um pilar importante neste processo é o “Span of control”  traduzindo de forma simples o tamanho ideal de um time considerando proporção líder/liderados. De longe, esse é um número fixo que segundo Lucas existem algumas variáveis a considerar.

  1. Complexidade – A natureza das atividades
  2. Similaridade – O quanto as funções se parecem em um time.
  3. Dispersão geográfica – Time presencial, híbrido, atuando em projeto ou em outra região.
  4. Planejamento – o quanto precisamos colocar energia na organização das atividades.
  5. Coordenação – Nível de interação adequado entre os membros do time.
  6. Supervisão – A frequência de acompanhamento necessária


Eu coincido com a afirmação de Lucas, que a área de pessoas para ter credibilidade estratégica precisa “Falar a linguagem do negócio, entender de finanças, porque no final do dia o design impacta lá”

Se a estrutura é o “hardware”, as pessoas são o “software” que permitem que a estrutura funcione.

Encontrei pontos comuns onde os números e aspectos de potencial humano precisam trabalhar de mãos dadas, como apoiar na clareza de papéis, adaptação a inovação, reskilling, desenho de novos modelos de gestão e expansão.

Job Crafting – Redesenhando o trabalho com significado.

E é aí que metodologias como o Job Crafting entram em jogo, ela permite com que as pessoas de maneira estruturada definam suas contribuições alinhando potencial, interesses, valores com desafios estratégicos da organização e times.

A metodologia surgiu após uma pesquisa realizada por Amy Wreniewski (Yale) e Jane Duton (Michigan Business School) sobre significado no trabalho e seu impacto positivo no engajamento, produtividade e bem-estar.

O que as pesquisas descobriram é que as pessoas encontravam sentido ampliando a percepção do propósito e impacto do trabalho, redesenhando suas atividades, e redesenhando seus relacionamentos.

A partir da observação desses comportamentos foi criado um método para promover esse redesenho de forma consciente.

O método combina “Psicologia positiva” com “Design thinking” deixando um registro visual/digital das mudanças propostas pelos colaboradores.

Redesenho de Tarefas – Rever onde concentramos tempo, energia e atenção. Revisar escopo de atividades, modificando intensidade, a forma de fazer e inclusive se podemos delegar ou automatizar.

Redesenho de Relacionamentos – Alterar com quem e como nos relacionamos. Considerando rede de apoio, mentores, time.

Redesenho cognitivo – Ampliar a percepção sobre o propósito e impacto que queremos gerar no trabalho.


A pesquisa feita pelos autores Adam Grant e Amy Wreniewski,  revelou que quando o indivíduo acredita que tanto ele, como a sua circunstância podem mudar, existe um efeito duradouro de até 6 meses nos índices de felicidade no trabalho.

Em resumo, essa percepção que consigo agir na minha evolução e na evolução do meu trabalho é o que ajuda a gerar sentido e contribui para um incremento no engajamento.

Como acontece na prática

Em um contexto organizacional essa mudança é negociada de modo que haja um alinhamento entre as possibilidades existentes na estrutura e desafios estratégicos da empresa e o potencial e interesses das pessoas.

O que vi em mais de 600 job craftings foram propostas de geração de valor, revisão de papel e contribuição dentro do próprio cargo ou colaboradores pensando em uma preparação para transições laterais.

Um exemplo de ponte entre desenho organizacional e job crafting

Vivi um case na Atlas Contabilidade, onde houve uma combinação feliz entre um redesenho de estrutura de times para squads e job crafting onde os colaboradores foram agentes ativos da mudança revendo seus papéis na nova estrutura e inclusive o reskilling necessário. Como resultado, as tensões emocionais naturais de uma mudança se transformaram em tensões criativas, reduzindo o atrito com a nova estrutura.

Conclusão

Um olhar integrado entre número de negócios e o potencial das pessoas faz da organização uma arquitetura viva. Esse equilíbrio é fundamental para a sustentabilidade e prosperidade das organizações e das pessoas que fazem parte dela.


Reforço esse convite para um olhar sistêmico, onde um bom design organizacional permite construir a estrutura adequada que gere valor para o negócio, para os clientes e para as pessoas. Metodologias como o job crafting permitem dar voz aos colaboradores e ajudam para que eles encontrem significado no ambiente, nas relações e nas atividades que realizam.

Os dados oriundos tanto dos indicadores de negócio como das contribuições dos indivíduos fazem com que novas estruturas, processos e modelos de gestão surjam com uma conexão consciente entre potencial individual, contribuição real e sucesso organizacional.

Quero agradecer mais uma vez ao Lucas Dian pela sua contribuição, não só com a entrevista, mas compartilhando conteúdo relevante sobre Design Organizacional.

Acredito que esse “desconforto” de buscar sinergias, e complementaridade entre áreas de conhecimento diferentes é fundamental para o sucesso sustentável das pessoas e organizações.

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Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor convidado em Masters de Liderança na Espanha e Mexico. Miguel é apaixonado e estudioso da Psicologia Positiva, convencido de que existe uma forma mais sustentável de fazer negócios e gerir empresas. No centro de sua atuação está a conexão de desafios estratégicos nas organizações com metodologias centradas nas pessoas. Com um Master Executivo em Liderança Positiva e Estratégia pelo IE - Instituto de Empresas - Madrid. Consultor implementando projetos de Identificação e Desenvolvimento de Talentos, formação e reestruturação de equipes através de Job Crafting, Team Crafting e mapeamento de Redes de Colaboração. Atendeu clientes de diferentes setores – financeiro, engenharia, indústria alimentícia, comércio, serviços e tecnologia.

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