Saúde Mental

Empresa preocupada com saúde é mais valorizada pelos colaboradores

Ter a preocupação com o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores causa impacto não só no engajamento e na produtividade, mas também reduz o turnover e, consequentemente, melhora os resultados do negócio. Mas há desafios
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

Compartilhar:

Um novo estudo indica um caminho para que empresas sejam mais valorizadas pelos seus funcionários. O *[Pulso RH – A saúde do colaborador brasileiro](https://alice.com.br/estudo-saude-colaborador?utm_source=imprensa&utm_medium=hsm&utm_campaign=estudo-saude-colaborador)*, que ouviu 1.000 trabalhadores em outubro, concluiu que os colaboradores são mais engajados nas empresas que têm preocupação com a saúde mental e bem-estar físico – 35% a mais do que naquelas em que não há iniciativas nessa frente. E não há diferenças significativas entre as faixas etárias.

Esse estudo foi idealizado pela Alice, plano de saúde corporativo e gestora de saúde, numa parceria com Beneficência Portuguesa de São Paulo, Caju, Grupo Fleury, Gupy, O Futuro das Coisas e Zazos, a partir da pesquisa aplicada pelo Opinion Box.

Os resultados comprovam, então, que uma boa estratégia é que a empresa e, consequentemente, seus líderes tenham um olhar mais humanizado quanto à saúde física e mental das pessoas.

Entretanto, a preocupação deve ser genuína e num amplo espectro, com ações que promovam ambientes saudáveis, incentivem os bons hábitos no que tange à alimentação, às atividades físicas, ao sono etc. Afinal sabe-se que esses fatores impactam a saúde das pessoas. Porém aí há um gap levantado pelo *Pulso RH*: da amostra, 63% disseram que nunca receberam orientações das empresas sobre como melhorar a alimentação, assim como os exercícios físicos. Então, não basta só oferecer um bom plano de saúde e ter ações pontuais e isoladas.

Curiosamente, o estudo escancarou a correlação da postura da empresa com a percepção que o trabalhador tem em relação à sua própria saúde mental. Entre aqueles que veem que sua empresa se preocupa com a saúde mental dos colaboradores, 70% consideram sua própria saúde mental boa ou ótima. O percentual cai para 40% entre os que consideram que a empresa não tem essa preocupação. Ainda nessa esteira, no primeiro grupo de empresas, 24% revelaram já ter tido burnout, contra 37% no segundo grupo.

## Responsabilidade da empresa ou não?
“A saúde é responsabilidade da pessoa”, destaca Sarita Vollnhofer, CHRO da Alice, “porém a empresa pode ser catalisadora”, completa ela. Assumir esse papel, ainda mais quando se busca estar alinhada aos fatores ESG (governança ambiental, social e corporativa, na tradução), traz vários benefícios aos negócios.

![Sarita Vollnhofer](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/3yysVQ1meY3mx0i5iN4qCs/a4b23ef88910ac6a3ddac28c1306fa05/Sarita_Vollnhofer.jpg)

Foto: Sarita Vollnhofer, CHRO da Alice.

Conforme o estudo da Alice, 77% dos colaboradores se dizem engajados e conectados às empresas que se preocupam com a saúde mental e bem-estar físico – nas que não há essa preocupação, o percentual cai para 58%. Outro dado que justifica a postura é que 97% têm orgulho de trabalhar em empresas do primeiro grupo, frente aos 75% orgulhosos do segundo grupo.

## Autonomia e reconhecimento
Claro que todas as ações e iniciativas devem ser calcadas numa cultura organizacional que valorize, neste caso, o S do ESG – onde os colaboradores estão inseridos. E, para isso, os holofotes também recaem sobre os gestores, os líderes. “Autonomia e reconhecimento causam importante impacto”, avisa Vollnhofer.

O Pulso RH mostrou que, quando têm a percepção que são reconhecidos, 69% disseram que sua saúde é ótima ou boa; já quando o reconhecimento é inexistente, só 37% consideraram a saúde ótima ou boa. Na questão da autonomia, gozar de saúde ótima ou boa foi apontada por 63% dos que têm autonomia e somente 40% dos que não a têm.

Os dados revelados na pesquisa mostram por que as empresas devem se preocupar com suas pessoas, com seus times. Vollnhofer pontua que são muitos os benefícios quando empresas se conectam à busca por um mundo mais saudável, pois colaboradores mais engajados impactam na produtividade e, consequentemente, nos resultados corporativos.

## Muito a avançar…
Desde a pandemia de covid-19, o mercado corporativo teve grande evolução no relacionamento e trato com as pessoas. “Foi uma evolução forçada e necessária, mas há muito a fazer”, diz ela. Ainda hoje, a grande maioria está diante dos desafios dos diferentes modelos de trabalho (presencial, híbrido, remoto). Se por um lado, sabe-se que as conexões entre as pessoas são importantes para a saúde mental – e isso no mundo virtual não é igual no presencial –, por outro, há o tempo perdido no trânsito no ir e vir do trabalho, por exemplo.

Enquanto se analisam e se decidem as melhores formas de se trabalhar, as iniciativas visando a saúde mental e o bem-estar ainda são muito isoladas na maioria das empresas, avalia a CHRO da Alice. O ideal, segundo ela, é o cuidado holístico e pensar em prevenção, o que poucas fazem.

“É preciso mostrar a importância com dados e fatos. E precisa medir, ter indicadores também da saúde das pessoas. Mais que isso, tem de ter diagnóstico próprio, porque cada empresa é diferente da outra”, avisa ela. Até mesmo dentro da empresa, as necessidades de um time diferem das de outro, o que requer ações específicas por áreas. “Isso tem que evoluir no Brasil. É uma questão muito estratégica”, conclui.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de junho de 2026 08H00
A NR-1 mudou a regra: cuidar da saúde mental agora exige gestão. Este artigo mostra como a nova norma transforma riscos psicossociais em variável estratégica, exigindo das empresas organização, método e accountability na gestão do ambiente de trabalho.

Erich Silva - COO e Head de Talentos da Lecom

3 minutos min de leitura
Liderança
29 de junho de 2026 16H00
Ao revisitar a história de Francisco Serrão, este artigo propõe uma inversão rara na lógica da liderança contemporânea: talvez a verdadeira coragem não esteja em continuar a todo custo, mas da capacidade de definir limites.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de junho de 2026 08H00
Ao contrastar o poder das big techs ocidentais com a força industrial e estrutural do Oriente, este artigo amplia a leitura sobre inovação e revela que o futuro da economia global não será definido por empresas isoladas, mas pela interação entre ecossistemas tecnológicos interdependentes.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de junho de 2026 15H00
Com Sérgio Frangioni e a Blanver como pontos de observação, o terceiro artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira investiga como decisões empresariais, PDPs, IFAs e produção local podem aproximar inovação farmacêutica da vida concreta dos pacientes.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

13 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de junho de 2026 08H00
Diante de um cenário de sobrecarga crescente no trabalho, este artigo mostra que o problema não está apenas no volume, mas na forma como o trabalho é organizado, e apresenta caminhos práticos para redesenhá-lo com mais significado, autonomia e energia.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Estratégia
27 de junho de 2026 15H00
Mais do que acumular experiências, este artigo propõe uma mudança na forma de pensar carreira, apoiando-se em conceitos como “capital profissional” (composto de cinco capitais) e “professional equity”

Nathália Brandão - Head de Educação Corporativa no TikTok LATAM, Escritora e Forbes Under 30

5 minutos min de leitura
Liderança
27 de junho de 2026 08H00
Na estreia da coluna do Grupo Mulheres do Brasil, este artigo mostra que a liderança do futuro não será construída por decisões individuais, mas pela capacidade de mobilizar diversidade, escuta e inteligência coletiva para enfrentar desafios que já não cabem em uma única visão.

Andrea Gasques - Diretora de Comunicação do Grupo Mulheres do Brasil

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de junho de 2026 14H00
Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

Janaina Calazans - Gerente de Ensino Superior da CESAR School

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de junho de 2026 08H00
Este artigo revela por que o verdadeiro desafio da IA não é adoção, mas uso intencional, capaz de ampliar o pensamento, e não substituí-lo.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Estratégia, Gestão de recursos
25 de junho de 2026 15H00
A teoria dos jogos expõe o erro estrutural por trás do modelo reativo que consome bilhões sem gerar resultados proporcionais. Este artigo mostra que não falta dinheiro na saúde, falta estratégia para usar.

Dr. Jorge Luiz Andrade - Anestesiologista e vice-presidente da Unimed Nova Iguaçu

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo