Lifelong learning
5 minutos min de leitura
Oferecido por:

Estamos aprendendo mais (e entendendo menos)

Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.
Nossa missão é fortalecer um ecossistema dinâmico de colaboração onde startups, empresas e pesquisadores colaboram para desenhar soluções inovadoras e discutir desafios e avanços significativos para o âmbito corporativo. Sempre com uma abordagem sistêmica e inovadora, promovendo reflexões sobre o futuro, visando impulsionar transformações reais e criativas.
Fundador e CEO da Cognita Learning Lab, doutor em Educação e pós-doutor pela USP, e coordenador do Laboratório de Experimentação em IA e Educação da ABRIA. Atua há mais de 20 anos ajudando organizações a redesenhar suas estratégias de desenvolvimento de pessoas. É criador da metodologia Smart Learning e da plataforma Cognittron - reconhecida internacionalmente pela Neo4j pelo uso de grafos de conhecimento, IA generativa e sistemas adaptativos na construção de novas arquiteturas de aprendizagem com base em neurociências. Sua trajetória aproxima ciências da educação, tecnologia e desenvolvimento organizacional, colocando a aprendizagem no centro da transformação dos negócios.

Compartilhar:

Uma experiência aplicada desenvolvida no Brasil, recentemente reconhecida pela Neo4j, uma das principais empresas globais em tecnologia de grafos, parte de uma pergunta decisiva para o futuro da educação: e se o desafio da aprendizagem hoje não fosse mais acessar conhecimento, mas conectar informações, construir sentido e transformar esse conhecimento em ação?

Desenvolvido pela Cognita Learning Lab, integrante do ecossistema de inovação Learning Village, o trabalho propõe uma nova arquitetura de aprendizagem baseada na integração entre ciências da educação, inteligência artificial e grafos de conhecimento.

Mas a relevância dessa discussão vai muito além da tecnologia. Ela nasce de uma mudança profunda na forma como produzimos, acessamos e nos relacionamos com o conhecimento.

Durante boa parte do século 20, a educação e o treinamento corporativo foram estruturados para responder a um problema muito específico: a escassez de informação. O conhecimento estava concentrado em poucos lugares, especialistas, instituições, livros, e o grande desafio era fazer esse conhecimento circular.

Nas organizações, T&D tornou-se uma engrenagem de distribuição: organizar conteúdos, criar programas e levar conhecimento em escala, com eficiência, padronização e controle. Era uma resposta coerente para um mundo em que o conhecimento parecia mais estável, previsível e transmissível.

A lógica dominante refletia o próprio modelo industrial da época. Dividir o complexo em partes menores, organizar sequências, padronizar experiências e medir avanços eram princípios que faziam sentido em uma sociedade orientada pela linha de montagem. Primeiro aprender. Depois aplicar.

Mas esse mundo deixou de existir.

Hoje, o desafio já não é encontrar informação. É construir sentido diante do excesso. Nunca profissionais tiveram tanto acesso a conteúdos, cursos, vídeos, artigos, dados e ferramentas. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil transformar essa abundância em compreensão, melhores decisões e desempenho concreto.

Como alertava Zygmunt Bauman, vivemos em um mundo de fluxos cada vez mais rápidos, no qual a velocidade das mudanças desafia nossa capacidade de elaborar significado. Estamos cercados de informação, mas carentes de conexões.

Essa talvez seja uma das maiores contradições da aprendizagem corporativa atual: tentamos preparar profissionais para um mundo em rede utilizando arquiteturas educacionais herdadas de uma lógica de linha de montagem.

O resultado é contraintuitivo. Muitas organizações ainda partem da premissa de que mais conteúdo significa mais aprendizagem. Mais cursos, mais trilhas, mais horas e mais certificados aparecem como resposta natural a um ambiente de crescente complexidade. Mas, frequentemente, o excesso produz o efeito contrário: fragmentação, dispersão, sobrecarga cognitiva e baixa transferência para situações reais de trabalho.

A aprendizagem passa, então, a ser confundida com consumo. A pessoa conclui módulos, assiste aulas e responde avaliações. Sente que aprendeu. Mas, quando precisa interpretar uma situação nova, tomar uma decisão ou resolver um problema complexo, percebe que aquela informação não se transformou em competência. Transformou-se apenas em familiaridade.

Os números reforçam essa tensão. Segundo James Glover, em artigo publicado na Forbes em fevereiro de 2026, dos US$ 98 bilhões investidos em treinamento corporativo nos Estados Unidos em 2024, apenas 10% geraram resultados significativos. O problema, portanto, não parece ser apenas falta de investimento. É uma falha de concepção.

Como destaca Josh Bersin, as abordagens tradicionais de aprendizagem corporativa não precisam apenas ser aprimoradas. Precisam ser reinventadas. Talvez porque ainda estejamos presos a uma ideia herdada do passado: a de que conhecimento é algo que pode ser simplesmente armazenado, empacotado e transferido.

Mas o conhecimento humano funciona de outra maneira.

Conhecimento é relação. Aprendemos conectando conceitos, experiências, problemas, hipóteses, erros, decisões e contextos. Um profissional experiente não se diferencia apenas porque acumulou mais informações. Ele desenvolveu uma rede mais rica de conexões que lhe permite interpretar situações novas e agir melhor diante da incerteza.

É aqui que os grafos de conhecimento ganham relevância. Não apenas como tecnologia, mas como uma nova metáfora para pensar a aprendizagem.

Durante décadas, organizamos experiências formativas em estruturas lineares: módulos, aulas, trilhas e sequências. Mas o mundo real não se apresenta dessa forma. Problemas reais são interdependentes. Decisões envolvem múltiplas variáveis. Competências combinam conhecimentos, habilidades, experiências, repertórios e contextos.

Os grafos permitem representar essa complexidade. Eles deslocam a pergunta central do desenho educacional. Em vez de perguntar apenas “qual conteúdo vem depois?”, passamos a perguntar: “quais conexões uma pessoa precisa construir para agir melhor diante de um desafio?”e

Essa mudança transforma profundamente a arquitetura da aprendizagem. O ponto de partida deixa de ser o conteúdo e passa a ser o contexto. Quais problemas precisam ser resolvidos? Quais decisões precisam ser tomadas? Quais conhecimentos precisam ser mobilizados? Quais experiências precisam ser construídas para que a aprendizagem se converta em ação?

Nesse cenário, a inteligência artificial também assume um papel diferente. Seu maior potencial na educação não está em produzir ainda mais conteúdo, isso talvez apenas acelere o problema que já temos. O verdadeiro avanço acontece quando a IA ajuda as pessoas a navegar pela complexidade: identificar relações, personalizar percursos, oferecer feedback, estimular reflexão e conectar conhecimento ao momento em que ele precisa ser aplicado.

O reconhecimento internacional da Neo4j a um trabalho brasileiro importa justamente por isso. Não representa apenas a validação de uma solução tecnológica. Representa a participação do Brasil em uma discussão global sobre como redesenhar a aprendizagem em uma sociedade marcada por complexidade, inteligência artificial e mudanças aceleradas.

O futuro da educação provavelmente não será definido por quem consegue criar a maior biblioteca de conteúdos. Será definido por quem consegue construir melhores conexões: entre informação e significado, entre conhecimento e decisão, entre aprendizagem e ação.

Porque aprender nunca foi apenas acumular respostas. Aprender é ampliar nossa capacidade de compreender e transformar o mundo.

Compartilhar:

Nossa missão é fortalecer um ecossistema dinâmico de colaboração onde startups, empresas e pesquisadores colaboram para desenhar soluções inovadoras e discutir desafios e avanços significativos para o âmbito corporativo. Sempre com uma abordagem sistêmica e inovadora, promovendo reflexões sobre o futuro, visando impulsionar transformações reais e criativas.

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Oferecido por:
Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 14H00
Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

Rodrigo Miluzzi - Diretor de Operações do Grupo Mabu

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

Oferecido por:
23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

Oferecido por:
13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

Oferecido por:
12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução