Bem-estar & saúde, Tecnologia & inteligencia artificial
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IA, pressão por resultado e exaustão: o líder está pronto para essa equação?

A adoção de novas tecnologias está avançando mais rápido do que a capacidade das lideranças de repensar o trabalho. Este artigo mostra que a IA promete ganho de performance, mas expõe lideranças que já operam no limite.
CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

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Tenho refletido bastante sobre a forma como a inteligência artificial entrou no centro da agenda das empresas. E não é difícil entender por quê. Ela promete escala, agilidade, automação e mais eficiência, exatamente o que organizações pressionadas por crescimento e performance querem encontrar. Mas, com essa promessa, existe uma pergunta que me parece cada vez mais urgente: o que acontece quando essa tecnologia chega a empresas que já operam sob pressão constante, excesso de urgência e pessoas no limite?

Para mim, a resposta é clara. Sem uma revisão real do modelo de gestão, a IA não resolve a sobrecarga. Ela só acelera o problema.

Esse é um dos debates mais importantes do futuro do trabalho. Porque não se trata apenas de adotar novas ferramentas, mas de entender se as empresas estão preparadas para repensar a forma como trabalham, lideram e definem resultados. Quando a inteligência artificial é incorporada a rotinas marcadas por acúmulo de tarefas, cobrança permanente e prioridades difusas, o risco é usar a tecnologia não para melhorar o trabalho, mas para intensificar uma lógica que já vinha desgastando as pessoas.

Os números mostram bem essa contradição. O Work Trend Index, da Microsoft e do LinkedIn, apontou que 75% dos trabalhadores do conhecimento já usam IA no trabalho. Ao mesmo tempo, 68% dizem não ter tempo suficiente para se concentrar, e 46% relatam se sentir esgotados. Entre os líderes, 79% afirmam que a adoção de IA é essencial para manter a competitividade, mas 60% reconhecem que suas organizações ainda não têm uma visão ou um plano claro para implementar essa transformação.

Ou seja, a tecnologia está avançando mais rápido do que a maturidade da gestão.

Isso me chama atenção porque, na prática, a IA muitas vezes começa a ser tratada como resposta imediata para qualquer ineficiência. Queremos que ela resuma reuniões, acelere análises, responda e-mails, organize fluxos e aumente a produtividade. Mas ainda fazemos pouco uma pergunta essencial: produtividade para quê, dentro de qual lógica e com qual impacto sobre as pessoas?

Se o modelo continuar sendo o mesmo, o efeito pode ser perverso. O que deveria liberar tempo passa a justificar mais demanda. O que deveria simplificar passa a aumentar a expectativa. E o que deveria apoiar decisões vira mais um elemento de ansiedade em ambientes que já confundem intensidade com alta performance.

Não por acaso, esse pano de fundo apareceu com força no SXSW 2026. Muito além do fascínio pela tecnologia em si, uma das discussões que mais me chamou atenção foi justamente o retorno do olhar para o humano. A IA continua sendo central, claro, mas ficou ainda mais evidente que o verdadeiro debate agora é sobre o tipo de trabalho e de liderança que estamos construindo a partir dela.

É exatamente aí que essa conversa se conecta ao que acreditamos na TotalPass. Para nós, não basta pensar em tecnologia como ferramenta de aceleração. Ela precisa estar inserida em uma visão mais ampla de saúde organizacional. As empresas mais preparadas para o futuro não serão apenas as que automatizam mais. Serão as que conseguirem combinar inovação com ambientes mais saudáveis, metas mais inteligentes, jornadas mais sustentáveis e lideranças mais conscientes do impacto que geram sobre as pessoas.

Porque, sinceramente, o que ainda falta em muitas organizações não é disposição para investir em IA. É coragem para rever hábitos de gestão que já vinham adoecendo o ambiente de trabalho antes mesmo da chegada dessa nova onda tecnológica. Excesso de reunião. Cultura de resposta imediata. Metas superpostas. Falta de foco. Lideranças que passam o dia reagindo, e não necessariamente decidindo. Quando a IA entra nesse contexto, ela não inaugura modelo. Ela apenas turbina o antigo.

E há um ponto que considero ainda mais sensível: o esgotamento da própria liderança. O relatório State of the Global Workplace 2025, da Gallup, mostrou que o engajamento global caiu de 23% para 21% em 2024, e, entre os gestores, recuou de 30% para 27%. Isso diz muito. Porque não existe transformação sustentável quando quem lidera também está operando no limite.

Na TotalPass, acreditamos que o futuro do trabalho passa por uma equação mais equilibrada entre desempenho e bem-estar. Não como forças opostas, mas como dimensões que precisam caminhar juntas. Organizações de alta performance não serão aquelas que simplesmente fizerem mais, mais rápido. Serão aquelas capazes de sustentar resultados ao longo do tempo sem transformar pressão em método de gestão e exaustão em preço inevitável do crescimento.

No fim, a verdadeira vantagem competitiva não estará apenas na adoção da IA, mas na capacidade de transformar essa adoção em um modelo de trabalho mais inteligente, sustentável e humano. A pergunta que fica é: os líderes estão realmente dispostos a rever a forma como operam, ou vão apenas usar a tecnologia para exigir mais de estruturas que já operam no limite?

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CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

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