Bem-estar & saúde, Tecnologia & inteligencia artificial
4 minutos min de leitura

IA, pressão por resultado e exaustão: o líder está pronto para essa equação?

A adoção de novas tecnologias está avançando mais rápido do que a capacidade das lideranças de repensar o trabalho. Este artigo mostra que a IA promete ganho de performance, mas expõe lideranças que já operam no limite.
CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Compartilhar:

Tenho refletido bastante sobre a forma como a inteligência artificial entrou no centro da agenda das empresas. E não é difícil entender por quê. Ela promete escala, agilidade, automação e mais eficiência, exatamente o que organizações pressionadas por crescimento e performance querem encontrar. Mas, com essa promessa, existe uma pergunta que me parece cada vez mais urgente: o que acontece quando essa tecnologia chega a empresas que já operam sob pressão constante, excesso de urgência e pessoas no limite?

Para mim, a resposta é clara. Sem uma revisão real do modelo de gestão, a IA não resolve a sobrecarga. Ela só acelera o problema.

Esse é um dos debates mais importantes do futuro do trabalho. Porque não se trata apenas de adotar novas ferramentas, mas de entender se as empresas estão preparadas para repensar a forma como trabalham, lideram e definem resultados. Quando a inteligência artificial é incorporada a rotinas marcadas por acúmulo de tarefas, cobrança permanente e prioridades difusas, o risco é usar a tecnologia não para melhorar o trabalho, mas para intensificar uma lógica que já vinha desgastando as pessoas.

Os números mostram bem essa contradição. O Work Trend Index, da Microsoft e do LinkedIn, apontou que 75% dos trabalhadores do conhecimento já usam IA no trabalho. Ao mesmo tempo, 68% dizem não ter tempo suficiente para se concentrar, e 46% relatam se sentir esgotados. Entre os líderes, 79% afirmam que a adoção de IA é essencial para manter a competitividade, mas 60% reconhecem que suas organizações ainda não têm uma visão ou um plano claro para implementar essa transformação.

Ou seja, a tecnologia está avançando mais rápido do que a maturidade da gestão.

Isso me chama atenção porque, na prática, a IA muitas vezes começa a ser tratada como resposta imediata para qualquer ineficiência. Queremos que ela resuma reuniões, acelere análises, responda e-mails, organize fluxos e aumente a produtividade. Mas ainda fazemos pouco uma pergunta essencial: produtividade para quê, dentro de qual lógica e com qual impacto sobre as pessoas?

Se o modelo continuar sendo o mesmo, o efeito pode ser perverso. O que deveria liberar tempo passa a justificar mais demanda. O que deveria simplificar passa a aumentar a expectativa. E o que deveria apoiar decisões vira mais um elemento de ansiedade em ambientes que já confundem intensidade com alta performance.

Não por acaso, esse pano de fundo apareceu com força no SXSW 2026. Muito além do fascínio pela tecnologia em si, uma das discussões que mais me chamou atenção foi justamente o retorno do olhar para o humano. A IA continua sendo central, claro, mas ficou ainda mais evidente que o verdadeiro debate agora é sobre o tipo de trabalho e de liderança que estamos construindo a partir dela.

É exatamente aí que essa conversa se conecta ao que acreditamos na TotalPass. Para nós, não basta pensar em tecnologia como ferramenta de aceleração. Ela precisa estar inserida em uma visão mais ampla de saúde organizacional. As empresas mais preparadas para o futuro não serão apenas as que automatizam mais. Serão as que conseguirem combinar inovação com ambientes mais saudáveis, metas mais inteligentes, jornadas mais sustentáveis e lideranças mais conscientes do impacto que geram sobre as pessoas.

Porque, sinceramente, o que ainda falta em muitas organizações não é disposição para investir em IA. É coragem para rever hábitos de gestão que já vinham adoecendo o ambiente de trabalho antes mesmo da chegada dessa nova onda tecnológica. Excesso de reunião. Cultura de resposta imediata. Metas superpostas. Falta de foco. Lideranças que passam o dia reagindo, e não necessariamente decidindo. Quando a IA entra nesse contexto, ela não inaugura modelo. Ela apenas turbina o antigo.

E há um ponto que considero ainda mais sensível: o esgotamento da própria liderança. O relatório State of the Global Workplace 2025, da Gallup, mostrou que o engajamento global caiu de 23% para 21% em 2024, e, entre os gestores, recuou de 30% para 27%. Isso diz muito. Porque não existe transformação sustentável quando quem lidera também está operando no limite.

Na TotalPass, acreditamos que o futuro do trabalho passa por uma equação mais equilibrada entre desempenho e bem-estar. Não como forças opostas, mas como dimensões que precisam caminhar juntas. Organizações de alta performance não serão aquelas que simplesmente fizerem mais, mais rápido. Serão aquelas capazes de sustentar resultados ao longo do tempo sem transformar pressão em método de gestão e exaustão em preço inevitável do crescimento.

No fim, a verdadeira vantagem competitiva não estará apenas na adoção da IA, mas na capacidade de transformar essa adoção em um modelo de trabalho mais inteligente, sustentável e humano. A pergunta que fica é: os líderes estão realmente dispostos a rever a forma como operam, ou vão apenas usar a tecnologia para exigir mais de estruturas que já operam no limite?

Compartilhar:

CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Artigos relacionados

Todo fim de ano, o passado se reelege no seu orçamento

Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

A AGI já chegou? E se Ray Kurzweil estiver certo há mais tempo do que imaginávamos?

As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

O que uma prótese de quadril me ensinou sobre os erros de decisão dentro das empresas

Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de agosto de 2026 14H00
Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Caio Navarro - Fundador e CEO da consultoria Hand

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução