Empreendedorismo

Lições para as próximas gerações das empresas familiares

Confira cinco orientações para jovens que irão integrar, ou já ingressaram, em empresas familiares
É presidente do conselho de administração do Grupo Algar.

Compartilhar:

Sendo um País relativamente novo, a condução das empresas familiares brasileiras ainda está nas mãos de segundas ou terceiras gerações – como é o meu caso, ocupando a terceira geração à frente de um grupo quase centenário, o Grupo Algar, fundado pelo meu avô (Alexandrino Garcia) e depois conduzido pelo meu pai (Luiz Alberto Garcia).

Assim como ocorreu comigo no passado, as quartas gerações estão, nesse exato momento, preparando-se para assumir esse imenso desafio, que vem carregado de uma grande responsabilidade: preservar o legado que foi responsável pelo sucesso até aqui e, ao mesmo tempo, ter a coragem de inovar e construir um futuro próspero. Para elas, alguns breves conselhos de quem já percorreu essa mesma jornada:

__1. Ninguém herda uma empresa ou um ativo.__

Uma nova geração de empresa familiar não herda somente ativos ou empresas, mas muito além disso. O que se herda é o legado familiar, que é intrinsecamente ligado ao propósito da organização. Herdamos os valores, que precisam permanecer sempre vivos, para fortalecer a cultura organizacional. Essa cultura é mais importante do que o próprio negócio em si – pois os negócios são dinâmicos e sempre mudam, mas a cultura, com seus princípios e valores, é perene.

__2. É preciso olhar para fora para buscar as competências necessárias.__

As novas competências, que serão a base das novas gerações, certamente passarão por hard e soft skills muito diferentes das anteriores. Antes de tudo, é preciso investir em uma excelente formação acadêmica, mas tendo clareza de que a parte teórica não se sustenta por si só. Ela é fundamental, porém precisa ser complementada com a vivência, tanto em experiências globais quanto em empresas que não fazem parte do círculo familiar. É importante trabalhar fora, ter um chefe, conhecer diferentes realidades e ter oportunidade de testar diferentes habilidades.

__3. Não podemos ter medo do erro inteligente.__

Ao assumirem posições em empresas de controle familiar, as novas gerações muitas vezes se sentem podadas ou com receio de tomar as decisões erradas e prejudicar um negócio já consolidado pelos antecessores. Porém, elas precisam se lembrar de que só há uma maneira de conseguir inovar e fazer diferente: testando. Para isso, não podemos ter medo de errar. Permitir-se o “erro inteligente” é imprescindível para quem deseja aprender, evoluir e construir um novo futuro para uma companhia.

__4. O sucessor deve ser diferente do sucedido.__

É inegável que existe muita pressão para as novas gerações de empresas familiares, mas algo que pode aliviar esse fardo é que ninguém espera que o sucessor seja igual ao sucedido. Isso tanto não faz sentido quanto seria, inclusive, prejudicial. Nessa lógica, é preciso considerar ainda que os desafios enfrentados por cada geração, em épocas distintas, são dinâmicos. No lugar de tentar se espelhar, o caminho é se inspirar e se diferenciar, sempre com paixão e respeito pelo legado que foi deixado.

__5. A relevância da gestão e governança profissional não pode ser subestimada.__

Prevalecia, até pouco tempo atrás, uma visão negativa sobre as empresas familiares, muitas vezes decorrente da ideia de falta de gestão e governança. Por isso, vale ressaltar que, por mais que exista expertise interna na família, ela não pode ser o único suporte de uma organização. É preciso ir além, pois, quando se implementa de fato uma governança profissional e com meritocracia, o [desempenho das empresas de controle familiar](https://www.revistahsm.com.br/post/ermenegildo-zegna-e-as-estrategias-da-empresa-familiar) alcança um outro patamar, já que ampliamos e evoluímos a nossa visão.

## Liberdade

Como um grupo quase centenário, costumamos sempre dizer que as razões que contribuíram para o nossos bons resultados até hoje não serão as mesmas que garantirão nossa sobrevivência no mundo de amanhã. Com isso mente, as novas gerações das empresas familiares têm a liberdade de traçar um novo caminho e buscar sua luz própria – sempre com suor, amor, responsabilidade e respeito aos valores deixados e ao legado já construído.

*Gostou do artigo de Luiz Alexandre Garcia? Saiba mais sobre gestão e liderança de empresa familiar assinando [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e ouvindo [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Fomento para inovação: Alavanca estratégica de crescimento para as empresas

O volume e a previsibilidade dos instrumentos de fomento à inovação como financiamentos, recursos de subvenção econômica e incentivos fiscais aumentaram consideravelmente nos últimos anos e em 2026 a perspectiva é de novos recordes de liberações e projetos aprovados.  Fomento para inovação é uma estratégia que, quando bem utilizada, reduz o custo da inovação, viabiliza iniciativas de maior risco tecnológico, ajuda a escalar e encurtar o tempo para geração de valor dos projetos.

Quanta esperança você deposita em 2026?

No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa – o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Carreira
25 de dezembro de 2025
HSM Management faz cinco pedidos natalinos em nome dos gestores das empresas brasileiras, considerando o que é essencial e o que é tendência

Adriana Salles Gomes é cofundadora de HSM Management.

3 min de leitura
Liderança, Bem-estar & saúde
24 de dezembro de 2025
Se sua agenda lotada é motivo de orgulho, cuidado: ela pode ser sinal de falta de estratégia. Em 2026, os CEOs que ousarem desacelerar serão os únicos capazes de enxergar além do ruído.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
23 de dezembro de 2025
Marcela Zaidem, especialista em cultura nas empresas, aponta cinco dicas para empreendedores que querem reduzir turnover e garantir equipes mais qualificadas

Marcela Zaidem, Fundadora da Cultura na Prática

5 minutos min de leitura
Uncategorized, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
22 de dezembro de 2025
Inclusão não acontece com ações pontuais nem apenas com RH preparado. Sem letramento coletivo e combate ao capacitismo em todos os níveis, empresas seguem excluindo - mesmo acreditando que estão incluindo.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Lifelong learning
19 de dezembro de 2025
Reaprender não é um luxo - é sobrevivência. Em um mundo que muda mais rápido do que nossas certezas, quem não reorganiza seus próprios circuitos mentais fica preso ao passado. A neurociência explica por que essa habilidade é a verdadeira vantagem competitiva do futuro.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
18 de dezembro de 2025
Como a presença invisível da IA traz ganhos enormes de eficiência, mas também um risco de confiarmos em sistemas que ainda cometem erros e "alucinações"?

Rodrigo Cerveira - CMO da Vórtx e Cofundador do Strategy Studio

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de dezembro de 2025
Discurso de ownership transfere o peso do sucesso e do fracasso ao colaborador, sem oferecer as condições adequadas de estrutura, escuta e suporte emocional.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de dezembro de 2025
A economia prateada deixou de ser nicho e se tornou força estratégica: consumidores 50+ movimentam trilhões e exigem experiências centradas em respeito, confiança e personalização.

Eric Garmes é CEO da Paschoalotto

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
15 de dezembro de 2025
Este artigo traz insights de um estudo global da Sodexo Brasil e fala sobre o poder de engajamento que traz a hospitalidade corporativa e como a falta dela pode impactar financeiramente empresas no mundo todo.

Hamilton Quirino - Vice-presidente de Operações da Sodexo

2 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Inovação & estratégia
12 de dezembro de 2025
Inclusão não é pauta social, é estratégia: entender a neurodiversidade como valor competitivo transforma culturas, impulsiona inovação e constrói empresas mais humanas e sustentáveis.

Marcelo Vitoriano - CEO da Specialisterne Brasil

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança