Empreendedorismo

Minha agência bancária fechou. E agora?

Na contramão de instituições bancárias tradicionais, o cooperativismo financeiro encontra em pequenas localidades uma demanda que clama por atendimento presencial e personalizado
Dirigente da Sicoob Credisul no Norte do Brasil, conselheiro fiscal do Sescoop/RO e presidente estadual da JARO - Junior Achievment/RO. Engenheiro de produção, com MBA em gestão empresarial e gestão do agronegócio, mais de 20 anos de experiência profissional, sendo 16 em grandes instituições financeiras nacionais e internacionais, atuando no estado de São Paulo.

Compartilhar:

Não temos dúvidas que é necessário buscar bons índices de eficiência, resultados satisfatórios aos acionistas e proporcionar toda a tecnologia disponível para as demandas dos clientes. No entanto, como fico o atendimento diferenciado e personalizado que é proporcionado presencialmente? 

Os altos investimentos em tecnologia, a consolidação do sistema financeiro nacional com cada vez menos instituições bancárias para atender a grande massa de clientes, a entrada das fintechs, e outras opções de instituições financeiras, têm trazido comodidade e levado acesso remoto às pessoas que assim o desejam.  

No entanto, como ficam àquelas desassistidas por tudo isso? E àquelas que mesmo tendo acesso, preferem contar com a personalidade do atendimento presencial?

Alguns dados do Banco Central mostram que tivemos, de dezembro de 2016 até dezembro de 2020, uma redução de cerca de 17% na quantidade de agências bancárias, o que representa o fechamento de quase 4 mil pontos. 

Esse fato não só gerou a falta de atendimento presencial, mas também desemprego com um impacto de quase 50 mil postos de trabalhos fechados. No final de 2020, vimos ainda vários anúncios de bancos, até mesmo públicos, informado que mais agências serão desativadas ao longo de 2021.

## A vez das cooperativas financeiras 

Nesse mesmo período, as cooperativas financeiras cresceram sua base de pontos de atendimento em 38% com a abertura de 1.800 novas agências físicas e gerou cerca de 18 mil novos postos de trabalho. 

Para se ter uma ideia, o Sistema Sicoob possui atualmente a terceira maior rede de pontos de atendimento, ficando atrás somente do Bradesco e Banco do Brasil.

Isso pode parecer um contrassenso. Por que os sistemas cooperativos estão indo na contramão do mercado? Levando-se em consideração que um ponto de atendimento demanda [investimentos pesados em infraestrutura, tecnologia](https://www.revistahsm.com.br/post/cooperativismo-high-tech), pessoal e possui ainda um alto custo para sua manutenção, se faz realmente necessária essa expansão?

## Cooperativismo local em expansão 

Vamos lá, apesar das cooperativas oferecerem todos os produtos e serviços básicos das demais instituições financeiras, os objetivos finais são bem diferentes. No caso das cooperativas temos como princípios a inclusão, educação financeira e o crescimento econômico com assistencialismo às localidades onde estão operando. 

Isso ocorre porque toda a riqueza gerada permanecer na comunidade, sendo reinvestida não só para melhorar as condições dos cooperados, mas de todo o ecossistema. Isso sem falar que podem existir ainda as sobras que serão divididas pelos cooperados proporcionalmente a sua movimentação. 

Já os bancos, consolidados, estão buscando os melhores índices de eficiência, bem como redução nas despesas e custos de operação, gerando assim mais resultados aos acionistas. Entretanto, seguindo esse modelo de negócio, os bancos aumentam a taxa de desemprego no setor, reprimindo ainda diversas demandas de clientes devido à falta de atendimento. 

O fato de as [cooperativas continuarem a expansão](https://www.revistahsm.com.br/post/do-cooperativismo-de-credito-brasileiro-para-o-mundo) não significa que existe uma falta de atenção aos custos, até porque esses pontos de atendimento visam principalmente a geração de negócios.

São agências modernas, com conforto para que o cooperado se sinta acolhido e possa conversar com alguém que o conheça, que conheça a região e que pode com certeza lhe prestar um atendimento personalizado. 

No entanto, o chamado backoffice ou retaguarda, onde são realizadas tarefas estritamente operacionais, como tesouraria e caixas, por exemplo, também vem diminuindo no cooperativismo justamente pelo avanço tecnológico e pelo alto custo que demandam sem resultado financeiro algum, reduzindo assim as despesas com segurança e riscos aos colaboradores e cooperados.

Hoje no sistema cooperativista, temos associações em grande expansão com índices de eficiência bem melhores em comparação aos bancos, na casa dos 30 a 35%. Ou seja, para cada real gerado, gasta-se trinta centavos enquanto a média dos maiores bancos gira em torno de 50%. Isso mostra que a gestão de custos e investimentos vem sendo feita de maneira muito inteligente.

## Uma demanda quase esquecida

Se formos falar das pequenas cidades, distritos e até bairros bem periféricos, se torna ainda mais importante a expansão do cooperativismo. Hoje, no Brasil, cerca de 10% dos municípios, ou seja, em torno de 500 cidades, só tem a instituição financeira cooperativa como opção, e esse número vem crescendo.

Estamos falando de um público que sofre demais com o atendimento remoto, que sempre é lembrado por todas as pesquisas em função da sua importância, mas que pouco recebe atenção com ações efetivas são as chamadas NMPEs (nano, micro e pequenas empresas), responsáveis pela geração de 75% dos empregos no país. 

Pela modelagem de crédito com critérios técnicos e objetivos, criados pelas instituições financeiras para concessão de operações, essas empresas em sua maioria não atende aos requisitos e vão para informalidade, ou mesmo fecham engordando os números de empresas que encerram suas atividades prematuramente. 

Esse mercado precisa necessariamente de agentes financeiros físicos para analisaram não só dados técnicos, mas também os subjetivos, ou seja, o mercado onde atuam, os sócios, as barreiras de infraestruturas e tributárias, entre outros e isso só ocorre quando há a presença física.

Um movimento muito importante que vem auxiliando no crescimento do cooperativismo é o capítulo da [Agenda BC# do Banco Central](https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/bchashtag). O Bacen espera que o movimento passe de 20% de participação no mercado em um curto período, para isso, vem trazendo mais flexibilidade e acesso às linhas constitucionais, por exemplo.

Com tudo isso podemos concluir que o [cooperativismo financeiro está no caminho certo](https://www.revistahsm.com.br/post/por-que-o-cooperativismo-pode-ser-a-saida-da-crise-economica) com essa sólida expansão de sua base em pontos de atendimento, seguindo seus princípios e proporcionando o desenvolvimento socioeconômico ao ajudar não só seus associados, mas também toda a sociedade. Além disso, toda essa iniciativa e contexto traz a bancarização aos desassistidos e promove uma vida mais digna e justa aos menos favorecidos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A pressão que não aparece no organograma: a carreira das mulheres exige mais remédios do que reconhecimento

Quando mulheres consomem a maior parte dos antidepressivos, analgésicos, sedativos e ansiolíticos dentro das empresas, não estamos falando de fragilidade – estamos falando de um modelo de liderança que normaliza exaustão como competência. Este artigo confronta a farsa da “supermulher” e questiona o preço real que elas pagam para sustentar ambientes que ainda insistem em chamá‑las de resilientes.

Morte: a próxima fronteira do bem-estar

Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.

Os rumos da agenda de diversidade, equidade e inclusão nas empresas brasileiras em 2026

Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência – com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de fevereiro de 2026
Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de fevereiro de 2026
Sem modelo operativo claro, sua IA é só enfeite - e suas reuniões, só barulho.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de fevereiro de 2026
Diante dos desafios crescentes da mobilidade, conectar corporações, startups, parceiros e especialistas em um ambiente colaborativo pode ser o caminho para acelerar soluções, transformar ideias em projetos concretos e impulsionar a inovação nesse setor.

Juliana Burza - Gerente de Novos Negócios & Produtos de Inovação no Learning Village

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de fevereiro de 2026
No novo jogo do trabalho, talento não é ativo para reter - é inteligência para circular.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
25 de fevereiro de 2026
Enquanto o discurso corporativo vende inovação, o backoffice fiscal segue preso em planilhas - e pagando a conta

Isis Abbud - co-CEO e cofundadora da Qive

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
24 de fevereiro de 2026
Estudos recentes indicam: a IA pode fragmentar equipes - mas, usada com propósito, pode ser exatamente o que reconecta pessoas e reduz ruídos organizacionais.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

9 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...