Saúde mental, Gestão de pessoas, Estratégia
2 minutos min de leitura

Negligenciar a saúde mental não é mais uma opção

Lideranças que ainda tratam o tema como secundário estão perdendo talentos, produtividade e reputação.
Fundadora e CEO da Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas. Engenheira civil de formação, possui MBA Executivo pelo Insper e especialização em Empreendedorismo Social pelo Insead, escola francesa de negócios. Empreendedora, palestrante, TEDx Speaker e produtora de conteúdo sobre saúde mental e bem-estar, foi reconhecida em 2023 como LinkedIn Top Voice e, em 2024, como uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina pela Bloomberg Linea.

Compartilhar:

Nas últimas semanas, estive em diferentes salas com CEOs, conselheiros e diretores de grandes empresas. Em todas elas, abri com a mesma frase que aparece no telão desta imagem: negligenciar a saúde mental não é mais uma opção.

E não é força de expressão. É uma constatação baseada em dados, riscos e realidade.

Em 2024, mais de 472 mil brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais e comportamentais. Os números do primeiro semestre de 2025 já indicam que vamos ultrapassar, pela primeira vez, a marca de meio milhão de afastamentos por questões emocionais. 

Isso não é um desvio. É um colapso.

A crise de saúde mental se tornou o principal gargalo oculto da produtividade no Brasil. E as empresas que continuam tratando esse tema como “pauta de RH” ou “campanha de setembro” estão adiando o inevitável: terão que lidar com o impacto emocional, financeiro e humano de um modelo de trabalho que não foi feito para o mundo em que vivemos hoje.

Mas não é só sobre afastamentos.

O presenteísmo – quando o colaborador está fisicamente presente, mas com sua performance comprometida – é outro grande vilão silencioso nas organizações. Segundo dados do “Censo de Saúde Mental da Vittude”, com mais de 100 mil respondentes, a perda média de performance relacionada ao sofrimento emocional nas empresas brasileiras é de 31%.

Isso não significa que apenas um terço dos trabalhadores esteja afetado, mas sim que toda a força de trabalho tem, em média, um terço de sua capacidade produtiva comprometida, alguns profissionais em menor grau, outros em níveis muito mais críticos.

É uma ineficiência distribuída que escapa dos radares gerenciais e se reflete em metas não batidas, retrabalho constante, engajamento em queda e custos crescentes com saúde e turnover.

O que muitos executivos ainda não perceberam é que saúde mental já é um assunto de conselho. Ela afeta diretamente os indicadores de turnover, absenteísmo, produtividade, reputação, custo de saúde, engajamento e, em breve, compliance regulatório.

A nova redação da NR-1 exige que empresas adotem planos concretos de prevenção aos riscos psicossociais. E a NR-17 já permite autuações para empresas que negligenciam o cuidado com a saúde emocional dos seus times.

Mais do que responder à legislação, trata-se de proteger o capital humano e intelectual da organização. Trata-se de garantir que os talentos permaneçam. Que líderes não entrem em colapso. Que os resultados não sejam obtidos à custa da exaustão coletiva.

Negligenciar a saúde mental hoje é negligenciar:

  • a longevidade do seu time
  • a sustentabilidade da sua cultura
  • e a reputação da sua marca empregadora

Empresas que desejam crescer de forma saudável, consistente e ética precisam tratar a saúde mental como tratam seus KPIs estratégicos. Medir, analisar, investir e ajustar.

A era do improviso acabou. O futuro será de quem entendeu que saúde mental não é só sobre acolher.

É sobre antecipar, proteger, sustentar e liderar.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Inovação & estratégia
20 de maio de 2026 08H00
Grandes decisões não cabem em um post. Este artigo mostra por que as decisões que realmente importam continuam acontecendo longe da timeline.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de maio de 2026 13H00
O caso Klarna escancara o verdadeiro gargalo da IA nas empresas: não é a tecnologia que limita resultados, mas a incapacidade de redesenhar o organograma - fazendo com que sistemas capazes operem como consultores de luxo, presos a decisões que continuam sendo tomadas como antes.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Lifelong learning
19 de maio de 2026 07H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo reflete sobre criatividade, filosofia e o risco de terceirizarmos o pensamento em um mundo cada vez mais automatizado (e por que o verdadeiro diferencial continua sendo a qualidade da nossa atenção).

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Lifelong learning
18 de maio de 2026 15H00
Mais do que absorver conhecimento, este artigo mostra por que a capacidade de revisar, abandonar e reconstruir modelos mentais se tornou o principal motor de aprendizagem e adaptação nas organizações em um mundo acelerado pela IA.

Andréa Dietrich - CEO da Altheia - Atelier de Tecnologias Humanas e Digitais

9 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Marketing & growth
18 de maio de 2026 08H00
A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra - e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de maio de 2026 17H00
E se o problema não for a falta de compromisso das pessoas, mas a incapacidade das organizações de absorver a forma como elas realmente trabalham hoje?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
17 de maio de 2026 10H00
Muito além do algoritmo, o sucesso em inteligência artificial depende da integração entre estratégia, dados e times preparados - e é justamente essa desconexão que explica por que tantos projetos não geram valor.

Diego Nogare

7 minutos min de leitura
Liderança
16 de maio de 2026 15H00
Sob pressão, o cérebro compromete exatamente as competências que definem bons líderes - e este artigo mostra por que a falta de autoconsciência e regulação emocional gera um custo invisível que afeta decisões, equipes e resultados.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

8 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de maio de 2026 08H00
Quando falta preparo das lideranças, a inclusão deixa de gerar valor e passa a produzir invisibilidade, rotatividade, baixa performance e riscos reputacionais que não aparecem no balanço - mas corroem os resultados.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de maio de 2026 13H00
Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão