ESG, Liderança
3 minutos min de leitura

Ninguém se engaja naquilo que não conhece 

Saiba o que há em comum entre o desengajamento de 79% da força de trabalho e um evento como a COP30
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Não há pessoa em cargo de liderança que não se preocupe com os baixos índices de engajamento compartilhados em cada rodada de divulgação da pesquisa da Gallup sobre engajamento da força de trabalho. A versão de 2025, dá conta de que o engajamento global dos funcionários caiu, custando à economia mundial US$ 438 bilhões em perda de produtividade. Aliás, a consultoria ainda menciona que se o ambiente de trabalho estivesse totalmente engajado, adicionaríamos mais de 9 trilhões de dólares à economia global. Números encantam, eu sei, mesmo que sejam tão hipotéticos quando este. Estamos falando de uma força de trabalho global de 62% de não-engajados e 17% ativamente não engajados. Latino-americanos com números melhores: são 58% não-engajados e 11% ativamente não-engajados. Pessoas que não querem estar, que deixam a vida passar, eventualmente detratoras do que vivem corporativamente. Não estou questionando as razões (que podem, claro, ser tema de outro artigo). 

Neste mês de novembro, me chama a atenção os dados relacionados à COP30, que acontece em Belém. Evento de natureza bastante complexa, envolvendo muitos números, muitos (des)acordos, e de repente eu me dou conta que na rodinha de conversa ao lado da que eu estou alguém pergunta: “por que chamamos de COP 30 se estamos em 2025?”, “mas o que é COP mesmo?”, “que bizarro, por que discute só o E, e não os demais problemas”? … Senhores e senhoras, é preciso respirar fundo, não perder a esperança, e responder todas essas perguntas sem qualquer demonstração de estranhamento.

O que os dois temas têm me comum? Explico-me. Vivemos tempos difíceis. Mas terrivelmente melhores que antes. Hoje temos muito acesso à informação. É uma benção. Tão grande, que nos perdemos nela.  Temos tanta possibilidade, que é difícil escolher. Nessa vastidão de oportunidade e de informação em que fomos atirados, é preciso saber navegar. É preciso saber escolher.

Ah, mas tem gente que não tem opção. Tem gente que não tem escolha. Tem gente que não tem acesso. Tudo isso é verdade. Mas não é sobre eles que eu falo agora (sobre estes eu trabalho em outros contextos e grupos).

Voltemos a este grupo, dos que precisam escolher entre um universo vasto de opções e informações. A HSM fez um evento fantástico nas últimas semanas, em que foi fácil sentir FOMO (o medo de perder coisas, e claro que sim, perdeu-se, pois era impossível multiplicar nossos átomos para estar em tanta coisa boa ao mesmo tempo) e uma parte da agenda se dedicou justamente a essa matéria – é preciso saber navegar. Precisamos aprender a escolher o que ver, ver com calma, entender, aprender a mergulhar, aproveitar a jornada.

Muita coisa está passando por nós. Se estivermos distraídos demais, talvez a gente perca algo importante. Talvez passe por nós um capítulo importante sem o qual perderemos um tempo valioso tentando reviver algo que, alienados, perdemos.

Um papel importante da liderança moderna é ajudar o time a ter atenção ao que virá. Veja: não é necessariamente ensinar algo. É preparar para ver. Preparar para que as pessoas estejam suficientemente atentas para verem por si mesmas, para fazerem suas reflexões, criarem suas próprias sinapses, no seu tempo. É uma forma moderna para “preparar para o mundo” que é definitivamente mais veloz.

Mas o que precisamos para estar nesse lugar de ser bússola? De apontar para um caminho, mas não ser resposta? Estamos em condição de fazê-lo? Exige uma certa dose de desprendimento, de coragem, de assumir o lugar do não saber, mas a abertura e a generosidade de estar junto e de incentivar sempre. Estamos aí, nesse lugar?

Vamos juntos?

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

A pressão que não aparece no organograma: a carreira das mulheres exige mais remédios do que reconhecimento

Quando mulheres consomem a maior parte dos antidepressivos, analgésicos, sedativos e ansiolíticos dentro das empresas, não estamos falando de fragilidade – estamos falando de um modelo de liderança que normaliza exaustão como competência. Este artigo confronta a farsa da “supermulher” e questiona o preço real que elas pagam para sustentar ambientes que ainda insistem em chamá‑las de resilientes.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
7 de março de 2026
Por que sistemas parecem funcionar… até o cliente realmente precisar deles

Marta Ferreira - Cofundadora e presidente da Spread Portugal

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
6 de março de 2026 06H00
A maior feira de varejo do mundo confirmou: não faltam soluções digitais, falta maturidade humana para integrá‑las.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
5 de março de 2026
Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar - e pensar por conta própria

Bruna Lopes de Barros

2 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
4 de março de 2026 12h00
Com todos acessando as mesmas ferramentas para polir narrativas, o que os diferencia? Segundo pesquisa feita com gestores brasileiros, autoconhecimento, expressão e autoria

Patricia Gibin - Consultora e coach

19 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de fevereiro de 2026
Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...