Estratégia, Comércio
5 minutos min de leitura

O Brasil que produz e o Brasil que consome: preço, emprego e produção fazem parte da mesma equação

O debate sobre competitividade costuma ser tratado sob a ótica do consumidor ou da indústria. O artigo propõe uma visão integrada, mostrando como consumo, produção, geração de renda, inovação e desenvolvimento econômico estão conectados. O desafio não é escolher entre um ou outro, mas criar condições para que avancem de forma complementar.
Diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Compartilhar:

Ao escolher um produto, o consumidor compara preço, qualidade, conveniência e prazo de entrega. É natural que procure fazer o melhor uso de seu dinheiro, sobretudo quando o orçamento está apertado. Cabe às empresas conquistar sua preferência. Cabe ao poder público assegurar que essa disputa ocorra em condições equilibradas e contribua para o desenvolvimento do País.

Há, porém, uma conexão que precisa ocupar mais espaço no debate: o consumidor também é trabalhador, empreendedor e contribuinte. Seu poder de compra depende da renda gerada por uma economia capaz de produzir, investir e oferecer oportunidades. Por isso, as decisões que ampliam o acesso ao consumo precisam ser avaliadas também por seus efeitos sobre a sustentação dessa renda.

Uma fábrica reúne muito mais que máquinas e instalações. Nela se encontram conhecimento acumulado, profissionais qualificados, fornecedores, tecnologia e relações comerciais construídas ao longo de anos. Ao seu redor, movimentam-se transportadores, prestadores de serviços, centros de pesquisa e estabelecimentos comerciais. Essa rede ajuda a sustentar a vida econômica de cidades e regiões.

Construir essa capacidade exige tempo, capital e persistência. Quando ela se perde, sua recuperação pode ser longa e difícil. Uma fábrica não se reconstrói com a mesma velocidade de um clique.

Essa reflexão é especialmente importante para uma cadeia como a têxtil e de confecção, que conecta a produção de fibras ao varejo, passando por fiação, tecelagem, malharia, beneficiamento e confecção. Em cada etapa há trabalho, investimento e decisões empresariais. A força desse conjunto está também nas conexões entre seus elos.

O comércio internacional faz parte do desenvolvimento dessa cadeia. Importar amplia alternativas, permite acesso a insumos e tecnologias e estimula a concorrência. Exportar abre mercados e exige aprimoramento permanente. Uma integração bem construída oferece oportunidades em ambas as direções.

Para que seus benefícios sejam duradouros, precisamos de igualdade tributária e regulatória concorrencial. Quem atende ao mesmo consumidor deve estar sujeito a obrigações equivalentes, com fiscalização efetiva. Diferenças de eficiência, inovação e qualidade devem decidir a disputa. Assimetrias no cumprimento das regras precisam ser corrigidas.

A responsabilidade ambiental integra essa discussão. O compromisso com a sustentabilidade deve acompanhar o produto até o pós-consumo. Coleta, reaproveitamento e destinação de resíduos exigem organização e recursos. É necessário definir como todos os que colocam produtos no mercado brasileiro participarão dessas soluções, inclusive nas vendas internacionais diretas ao consumidor.

As empresas brasileiras, por sua vez, têm uma tarefa permanente: elevar produtividade, desenvolver produtos, qualificar pessoas e melhorar a gestão. A defesa da produção ganha consistência quando vem acompanhada do compromisso de inovar e atender melhor à sociedade.

Esse esforço precisa encontrar um ambiente que permita transformar investimento em resultado. As políticas de crédito, comércio exterior, tributação, trabalho e meio ambiente devem ser avaliadas em conjunto. Medidas adotadas em uma área podem fortalecer ou comprometer os objetivos de outra. O País precisa dar coerência a essas escolhas.

O Brasil tem espaço para ampliar seu consumo e sua capacidade produtiva. Aproximar esses dois objetivos exige reconhecer que o preço de uma compra e as condições de geração de renda fazem parte da mesma realidade econômica.

Queremos que nossas fábricas continuem produzindo, inovando e criando oportunidades. Queremos que os jovens encontrem caminhos de qualificação e trabalho e que os consumidores tenham acesso a produtos melhores. O futuro que desejamos depende das condições que construímos hoje para que essas aspirações avancem juntas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Crédito também é marca: confiança não se promete, se comprova

Campanhas podem atrair clientes e ofertas podem gerar conversão. Mas a reputação de uma marca financeira é construída nas decisões que impactam o cotidiano das pessoas: a clareza das condições, a facilidade da jornada e o suporte oferecido quando surgem dificuldades. O artigo analisa por que coerência e responsabilidade se tornaram ativos cada vez mais valiosos para as empresas do setor.

“Invisible IT”: Sua empresa sabe quantos agentes de IA estão tomando decisões em seu nome?

Agentes inteligentes capazes de acessar sistemas e tomar decisões já fazem parte da rotina de muitas organizações. O problema é que boa parte deles foi criada fora dos mecanismos tradicionais de controle. O texto discute por que empresas precisarão tratar agentes de IA como identidades corporativas formais, sujeitas às mesmas regras de supervisão, segurança e responsabilização aplicadas a qualquer colaborador ou sistema crítico.

Sabedoria: a competência que a inteligência artificial não pode substituir

Quanto mais inteligentes se tornam as máquinas, maior parece ser a necessidade de desenvolver capacidades profundamente humanas. O artigo discute como empatia, autoconsciência, propósito e discernimento podem se tornar elementos centrais da liderança em um mundo onde a inteligência está cada vez mais acessível, mas a sabedoria continua sendo uma escolha.

ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT