Inovação & estratégia
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O dilema da IA: Menos exclamações, mais interrogações

Entre previsões apocalípticas e modismos corporativos, o verdadeiro desafio é recuperar a lucidez estratégica.
Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

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Há um sinal preocupante ecoando nas salas de diretoria e grupos de networking. De uns tempos para cá, as reuniões de negócios parecem ter trocado o pensamento estratégico por previsões apocalípticas. As frases de efeito agora dominam o palco: “Se não usar IA, vai morrer”, “Humanos ficarão obsoletos”, ou o clássico “IA dominando o comando das empresas”.

Guardadas as devidas proporções, já ouvimos esse mesmo tom urgente com a chegada do “Second Life” e, mais recentemente, com o entusiasmo febril em torno do metaverso. Não se trata de negacionismo tecnológico – afinal, a IA está, sim, redesenhando direções de forma fascinante – mas de um alerta sobre a qualidade da liderança atual.

A armadilha da resposta pronta

Como especialista em comunicação, observo um fenômeno flagrante: executivos de alto escalão pararam de reagir a afirmações sem fundamento com boas perguntas. O cérebro humano é programado para reagir rapidamente ao medo e ao perigo. Quando os “tudólogos” de plantão lançam previsões catastróficas desprovidas de dados, criam uma bagunça mental generalizada que paralisa a estratégia em favor do pânico.

O verdadeiro papel de quem lidera não é ter todas as respostas sobre o futuro, mas sim saber elaborar as perguntas que trazem o time de volta para a realidade do presente.

O filtro da liderança

Para os profissionais que se preparam para liderar equipes neste cenário, o antídoto para o “efeito manada” é a clareza factual. Antes de se deixar levar pelo ritmo acelerado de mudanças hipotéticas, questione:

  • Dados e Fatos: Quais são os números reais do impacto da IA no nosso setor hoje?
  • Investimento vs. Discurso: Qual o volume de investimento necessário para a implementação que você sugere e qual o cronograma real?
  • Consultoria Qualificada: Quem são as vozes técnicas – e não apenas comerciais – que podemos consultar para clarear o assunto?


Muitas vezes, ao perguntar quando um interlocutor iniciou seus investimentos em IA ou qual o plano prático em andamento, o que recebemos são respostas evasivas.

Em tempos de incerteza tecnológica, a sua maior ferramenta de gestão não é o software mais recente, mas a sua capacidade de manter a calma analítica e fazer a pergunta certa na hora certa.

Pense nisso com carinho.

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Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

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