Lifelong learning

O dilema entre “aprender a ser” e “aprender a fazer”

No lugar de mais conteúdo, conexões e compromissos, está na hora de abrir espaço na sua agenda para o autoconhecimento. Mais do que na hora
Chief Knowledge Officer (CKO) na HSM , Singularity Brazil & Learning Village. Graduada em relações internacionais e com MBA em gestão de negócios, se especializou em ESG, cultura organizacional e liderança. É mãe da Clara, apaixonada por conhecer e viver em culturas diferentes.

Compartilhar:

Demandados a aprender a fazer, buscamos mais conteúdos e formações que nos qualifiquem tecnicamente para resolver os desafios de negócios. Não há nada de errado com isso, mas existe outra necessidade crescente: o autoconhecimento. Afinal, para “fazer”, antes de tudo é preciso “ser”. Na HSM Expo 2019, Yuval Harari disse que “o avanço da tecnologia significa que governos e empresas estão cada vez mais próximos de hackear milhões de seres humanos”. Nesse processo, é fundamental seguir um conselho antigo: “Conhece-te a ti mesmo”.

Hoje há uma forte busca por lideranças conscientes, que precisam ser cada vez mais empáticas e inclusivas, com menos estresse, mais resilientes e com a saúde física e mental em dia. Ah, e entregando resultado. Só que ser uma liderança consciente implica desenvolver sua própria consciência, o que exige que a pessoa passe por uma “reforma interna” em um processo de autoconhecimento. Mas sobra tempo para isso?

Forma-se, assim, uma grande incoerência do mundo corporativo, e ficamos distantes da nossa essência e da inteligência da intuição. Buscar conteúdo, contatos e compromissos é mais fácil do que abrir espaço na agenda para a conexão consigo mesmo. E longe do “ser” não é possível identificar conexões e sincronicidades que tornariam nosso trabalho e nossas vidas mais leves e fluidos.

Para aprender a ser é preciso fazer uma jornada de aprendizagem mais longa, densa e complexa do que aquela por competências técnicas. E mais transformadora. Lideranças me contam que, nessa busca por “algo maior”, elas têm incluído abordagens para “autorregulação” nas suas rotinas – desde a prática de esportes até meditação e terapias energéticas. É um avanço, mas o “aprender a ser” precisa também estar, em maior escala, no cotidiano das organizações. E por que isso é importante?

Como me disse Wilma Bolsoni, CEO da Flow School, estamos no apogeu de uma sociedade que vive e se organiza de forma insana, e as pessoas adoecem mental e emocionalmente. Não à toa essa mesma sociedade também clama por inclusão, diversidade, humanidade, inovação, cooperação e mais amor. Para ela, os líderes “sentem que o mundo mudou rápido demais e que eles mesmos precisam mudar para continuar ‘cabendo’ nesse mundo de incertezas, desafios e novos códigos”.

Que tal investir em um plano de “lifelong learning sobre si” para continuar “cabendo” nesse mundo de incertezas? Estas cinco recomendações da Flow School podem ser incluídas no plano:

1. Simplifique.
2. Cuide do físico, do mental e do emocional.
3. Diversifique vínculos e faça parte de grupos ou comunidades fora do trabalho.
4. Inclua-se em sua agenda, fazendo coisas que lhe dão prazer.
5. Medite e busque se conectar com o coração por meio de exercícios de respiração e visualização.

Se você quer continuar a fazer, é incontornável aprender a ser.

Artigo publicado na HSM Management nº 156.

Compartilhar:

Chief Knowledge Officer (CKO) na HSM , Singularity Brazil & Learning Village. Graduada em relações internacionais e com MBA em gestão de negócios, se especializou em ESG, cultura organizacional e liderança. É mãe da Clara, apaixonada por conhecer e viver em culturas diferentes.

Artigos relacionados

A reinvenção dos conselhos no Brasil

Entre progressos estruturais e desafios persistentes, o Brasil passa por uma transformação profunda e se vê diante da urgência de consolidar conselhos mais plurais, estratégicos e preparados para os dilemas do século 21.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de dezembro de 2025
Reuniões não são sobre presença, mas sobre valor: preparo, escuta ativa e colaboração inteligente transformam encontros em espaços de decisão e reconhecimento profissional.

Jacque Resch - Sócia-diretora da RESCH RH

3 minutos min de leitura
Carreira
25 de dezembro de 2025
HSM Management faz cinco pedidos natalinos em nome dos gestores das empresas brasileiras, considerando o que é essencial e o que é tendência

Adriana Salles Gomes é cofundadora de HSM Management.

3 min de leitura
Liderança, Bem-estar & saúde
24 de dezembro de 2025
Se sua agenda lotada é motivo de orgulho, cuidado: ela pode ser sinal de falta de estratégia. Em 2026, os CEOs que ousarem desacelerar serão os únicos capazes de enxergar além do ruído.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
23 de dezembro de 2025
Marcela Zaidem, especialista em cultura nas empresas, aponta cinco dicas para empreendedores que querem reduzir turnover e garantir equipes mais qualificadas

Marcela Zaidem, Fundadora da Cultura na Prática

5 minutos min de leitura
Uncategorized, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
22 de dezembro de 2025
Inclusão não acontece com ações pontuais nem apenas com RH preparado. Sem letramento coletivo e combate ao capacitismo em todos os níveis, empresas seguem excluindo - mesmo acreditando que estão incluindo.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Lifelong learning
19 de dezembro de 2025
Reaprender não é um luxo - é sobrevivência. Em um mundo que muda mais rápido do que nossas certezas, quem não reorganiza seus próprios circuitos mentais fica preso ao passado. A neurociência explica por que essa habilidade é a verdadeira vantagem competitiva do futuro.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
18 de dezembro de 2025
Como a presença invisível da IA traz ganhos enormes de eficiência, mas também um risco de confiarmos em sistemas que ainda cometem erros e "alucinações"?

Rodrigo Cerveira - CMO da Vórtx e Cofundador do Strategy Studio

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de dezembro de 2025
Discurso de ownership transfere o peso do sucesso e do fracasso ao colaborador, sem oferecer as condições adequadas de estrutura, escuta e suporte emocional.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de dezembro de 2025
A economia prateada deixou de ser nicho e se tornou força estratégica: consumidores 50+ movimentam trilhões e exigem experiências centradas em respeito, confiança e personalização.

Eric Garmes é CEO da Paschoalotto

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
15 de dezembro de 2025
Este artigo traz insights de um estudo global da Sodexo Brasil e fala sobre o poder de engajamento que traz a hospitalidade corporativa e como a falta dela pode impactar financeiramente empresas no mundo todo.

Hamilton Quirino - Vice-presidente de Operações da Sodexo

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...