Marketing & growth
6 minutos min de leitura

O maior ativo da sua carreira não está no LinkedIn

Enquanto o networking superficial busca visibilidade, as conexões que realmente transformam carreiras nascem da credibilidade construída em projetos, desafios e relações pautadas pela confiança.
Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B, +20 anos de experiência nos mercados de tecnologia da informação, computação em nuvem, cibersegurança, inteligência artificial e transformação digital. Ao longo de sua trajetória, liderou iniciativas de crescimento, go-to-market, desenvolvimento de negócios, vendas complexas. É Engenheiro Eletricista pela UNESP, pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV EAESP e possui especialização em Inteligência Artificial e Estratégia de Negócios pelo MIT Sloan School of Management. Atua como membro de comitês estratégicos e conselhos consultivos, além de mentor, palestrante e professor de MBA, contribuindo para o desenvolvimento de lideranças e para a formação de organizações mais inovadoras, competitivas e preparadas para os desafios da nova economia.

Compartilhar:

Um relacionamento profissional sólido raramente é fruto de um único encontro brilhante. É consequência de pequenas evidências acumuladas. A pessoa que entregou o que prometeu no prazo combinado. O parceiro que assumiu responsabilidade pública por um erro técnico em vez de empurrar para a equipe. O concorrente que indicou seu nome para um projeto que ele próprio não conseguiria atender.

Existe na tecnologia uma tentação constante de transformar relacionamentos em atalhos. Conhecer alguém “importante”. Estar próximo de quem decide. Circular nos eventos certos com a credencial certa. Tudo isso pode gerar acesso imediato, mas acesso não é vínculo. E vínculo não se produz na velocidade de uma troca de cartões.

O mercado deixa isso claro com brutal regularidade. Empresas são adquiridas e o time inteiro muda. Startups desaparecem durante a madrugada. Executivos que pareciam imbatíveis trocam de cadeira ou saem do radar. Tecnologias que eram tendência há três anos hoje parecem arqueologia corporativa. E ainda assim, algumas relações sobrevivem a tudo isso. Não porque havia interesse comercial envolvido, mas porque foram construídas sobre algo mais sólido: respeito intelectual, troca genuína e reconhecimento mútuo.

Quem atua há mais de uma década no setor consegue mapear isso facilmente. Os contatos que continuam relevantes na agenda dificilmente são os que mais postaram, mais apareceram em palco ou mais distribuíram cartão. São, quase sempre, aqueles que compartilharam conhecimento sem ficar contabilizando o retorno. Que conectaram pessoas certas mesmo quando não havia nada para eles na equação. Que indicaram oportunidades sem esperar recibo. Que construíram reputação antes de tentar construir influência.

Com o tempo, esse comportamento produz algo que não tem substituto: confiança acumulada.

E confiança acumulada é um ativo silencioso. Discreto. Ele não aparece no currículo, não tem linha no LinkedIn, mas atua de forma consistente quando o ambiente aperta. Aparece quando alguém lembra do seu nome anos depois de um projeto difícil. Quando uma indicação chega sem que você tenha pedido. Quando um convite para uma conversa estratégica surge porque as pessoas associam você a clareza, coerência e capacidade real de gerar valor, não porque você “tem contatos”.

Na rotina prática, isso se traduz em situações bem concretas. O CIO que liga para pedir uma segunda leitura sobre uma proposta de fornecedor concorrente. O CFO que aceita uma reunião de quinze minutos porque alguém em quem ele confia falou que vale a pena. O headhunter que escolhe você para uma oportunidade antes mesmo de abrir o processo formal. Nenhuma dessas portas se abre por causa de proximidade ocasional. Elas se abrem por causa de histórico.

Na minha própria jornada, percebo isso de forma muito concreta. As relações que mais abriram caminhos em negócios, projetos e construções profissionais não foram necessariamente as mais planejadas, nem as que nasceram de uma intenção comercial imediata. Foram relações cultivadas ao longo do tempo, em conversas francas, entregas consistentes, trocas generosas e momentos em que a confiança precisou valer mais do que o contrato.

Há uma diferença importante, e muito frequentemente negligenciada, entre ser lembrado e ser respeitado. O networking superficial gira em torno da visibilidade. O networking genuíno gira em torno da credibilidade. A diferença parece sutil. Na prática, muda absolutamente tudo, inclusive a qualidade das oportunidades que chegam até você.

Relações profissionais que duram costumam nascer em contextos de construção conjunta. Projetos difíceis. Momentos de crise. Transições complexas. Conversas honestas sobre erros que ninguém quer colocar em ata. É nesses ambientes que a admiração mútua aparece de verdade, não pela perfeição técnica de ninguém, mas pela forma como cada um lida com pressão, ambiguidade e responsabilidade quando o resultado ainda é incerto.

Por isso algumas das conexões mais fortes da indústria não são as mais frequentes. Há pessoas com quem você fala pouco. Às vezes anos passam sem contato direto. Mas quando a conversa retorna, ela continua exatamente de onde parou. Porque existe uma memória construída de competência, ética e reciprocidade. Esse tipo de relação não precisa de manutenção artificial. Precisa de coerência.

E coerência está se tornando recurso cada vez mais escasso num ambiente onde muitos tentam performar autoridade antes de desenvolver repertório.

No setor de tecnologia, isso fica ainda mais evidente. Vivemos um momento em que conhecimento ficou amplamente acessível, mas discernimento continua sendo recurso raro.

Em tempos de IA, qualquer pessoa consegue repetir uma tendência sobre algum tema, mas poucas conseguem conectar tecnologia, negócio e impacto real com a profundidade necessária para gerar admiração genuína, aquela que não precisa de palco para existir.

É justamente aí que o networking de longo prazo se diferencia.

Ele não é construído sobre quantidade de interações. É construído sobre qualidade de percepção. As pessoas lembram de quem trouxe clareza em momentos confusos. De quem abriu portas sem cobrar pedágio. De quem compartilhou experiência prática em vez de discurso bem formatado. De quem ajudou a traduzir inovação em decisão concreta quando o conselho mais fácil seria dizer “depende”.

Admiração profissional raramente nasce do excesso de autopromoção. Nasce da consistência entre o que se fala e o que se entrega. Há ainda um ponto que costuma ser esquecido. Networking genuíno não é apenas ferramenta de ascensão. É também bússola para atravessar mudanças.

Os ciclos de transformação na tecnologia são inevitáveis e tendem a se acelerar. Novos modelos de negócio surgem, empresas se reinventam, carreiras mudam de direção numa velocidade que há quinze anos seria impossível de imaginar. Nesses momentos de transição, são as relações verdadeiras que funcionam como orientação. Elas abrem perspectivas que você não teria sozinho, provocam reflexões incômodas e necessárias, aceleram aprendizados que o mercado não ensina em curso nenhum.

Não por obrigação. Não por protocolo. Mas porque existe respeito construído ao longo do tempo, e respeito genuíno não caduca.

O maior equívoco sobre networking talvez seja tratá-lo como técnica. Uma habilidade isolada, quase mecânica, que se aprende em workshop e se pratica em evento corporativo. Na realidade, os relacionamentos profissionais mais sólidos são consequência de algo bem mais profundo: curiosidade genuína pelas pessoas, disposição real para contribuir e a capacidade de reconhecer valor no outro sem transformar isso em cálculo imediato.

Networking duradouro sustenta-se em admiração mútua. E admiração não se pede, não se negocia, não se acelera com mensagem no inbox. Se conquista com consistência, com entrega real e com o tempo necessário a cada contexto.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que o marketing precisa sair da própria bolha

As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Por que alguns eventos entram para a história e outros são esquecidos na semana seguinte

Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

O fim da guerra fiscal: como a Reforma Tributária pode mudar a logística brasileira

Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Saudável, gostoso e acessível: a equação que desafia a indústria de alimentos no Brasil 

Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

A fadiga de decidir em tempos de excesso

Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Quanto custa quando o sistema para? Alguns minutos fora do ar podem custar milhões

À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de julho de 2026 08H00
Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional
30 de julho de 2026 14H00
Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

Diego Alegre - CEO do Arquipélago "Culturas que transformam"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de julho de 2026 07H00
A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

21 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de julho de 2026 14H00
Enquanto parte do mercado ainda vê a indústria como “velha economia”, empresas como WEG e John Deere mostram uma realidade diferente: na era da inteligência artificial, o ativo mais valioso pode não ser o algoritmo, mas os dados únicos gerados por ativos físicos que ninguém mais consegue reproduzir.

Átila Persici - COO da Bolder

8 minutos min de leitura
Liderança
29 de julho de 2026 07H00
Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Betania Tanure - PhD, Sócia fundadora da BTA, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 14H00
Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Clara Choen - Fundadora da Savant Consulting

12 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 08H00
Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
27 de julho de 2026 14H00
Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Vinicius Ladeira - Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de julho de 2026 08H00
Enquanto o debate sobre inteligência artificial continua concentrado em modelos, automação e produtividade, uma outra transformação acontece nos bastidores: a tensão gerada entre a democratização e a concentração de poder que pode definir a próxima fase da economia global.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

8 minutos min de leitura
Liderança
26 de julho de 2026 13H00
Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional - planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente - são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

Caio Fontenelle - Fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo