Direito, Regulação & Compliance
3 minutos min de leitura

O novo Marco Legal pode recolocar o transporte coletivo nos trilhos

Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.
Idealizado em parceria entre Learning Village, CESAR e Automotive Business, o Hub Mobilidade do Learning Village se posiciona como um epicentro de inovação e tecnologia no setor.
Engenheiro e advogado, com mestrado em Administração Pública pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa. Atualmente, é Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT. No Sistema Transporte, coordenou os trabalhos relacionados à participação na COP30, contribuindo para a agenda do setor no evento global sobre mudanças climáticas.

Compartilhar:

O transporte coletivo de passageiros é um serviço essencial e uma das principais formas de garantir a mobilidade dos cidadãos, estimular o desenvolvimento e contribuir para a competitividade das empresas. No entanto, para que ele consiga responder a esses desafios à altura, é necessário um ambiente regulatório moderno e seguro. A boa notícia é que o Marco Legal do Transporte Público Coletivo (Lei nº 15.432/2026) representa um progresso nesse sentido. Recentemente aprovado pelo Congresso Nacional, contou com a atuação do Sistema Transporte, que contribuiu com propostas técnicas, participou de audiências públicas e trabalhou junto às comissões temáticas ao longo da tramitação.

Nos últimos anos, o segmento enfrentou uma queda significativa no número de passageiros. De acordo com a Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana, em 2024, 29,4% dos entrevistados deixaram de usar o ônibus completamente. Comparando com 2017, quando apenas 16,1% haviam substituído totalmente o ônibus por outro meio de transporte, observa-se que o impacto dessa migração quase dobrou em menos de uma década. Paralelamente, o uso do transporte individual cresceu: entre 2017 e 2024, a frota de veículos particulares no país aumentou 25,7%, ampliando os desafios para a mobilidade urbana e a sustentabilidade dos sistemas coletivos de transporte.

A diminuição de passageiros gera um ciclo no qual a redução da demanda limita investimentos e afeta a qualidade dos serviços. Nesse cenário, o novo Marco Legal oferece instrumentos para interromper esse processo e permitir que o transporte coletivo volte a ganhar competitividade e relevância.

De acordo com a Pesquisa CNT Perfil Empresarial – Transporte Rodoviário Urbano de Passageiros, hoje, benefícios representam, em média, 22% do custo das tarifas, e 18,5% dos passageiros transportados usufruem de gratuidade. Na maioria dos casos, não existe uma fonte específica de financiamento, gerando desequilíbrio financeiro. Mas, agora, a nova legislação estabelece que esses benefícios devem ter custeio específico previsto em lei e não podem ser transferidos para passageiros pagantes, contribuindo para um modelo mais sustentável. A medida é considerada uma evolução, por atender a uma reivindicação do segmento.

Outra conquista é o incentivo à diversificação das fontes de financiamento do transporte coletivo. O projeto possibilita gerar receita com publicidade e explorar comercialmente terminais e estações, por exemplo, reduzindo a dependência exclusiva do pagamento de passagem e criando condições para investimentos em melhoria dos serviços.

Esses resultados são importantes em um contexto no qual a recuperação da demanda depende menos de preço e mais de qualidade. Ainda de acordo com a Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana, entre as pessoas que deixaram de usar o ônibus como principal meio de transporte, 63,5% afirmaram que retornariam ao transporte coletivo mesmo com uma tarifa mais alta, desde que problemas como falta de conforto e atrasos fossem solucionados.

O ponto é que, com um ambiente regulatório mais estável e previsível, as empresas ganham condições para investir em ferramentas que melhorem a experiência do usuário, tornando o transporte coletivo mais confiável e competitivo em relação ao transporte individual. Recuperar esses usuários exige oferecer uma experiência capaz de gerar valor para o cidadão. A aprovação do Marco Legal é um passo importante para isso, mas sua implementação exige esforço contínuo de regulamentação e aperfeiçoamento.

Compartilhar:

Idealizado em parceria entre Learning Village, CESAR e Automotive Business, o Hub Mobilidade do Learning Village se posiciona como um epicentro de inovação e tecnologia no setor.

Artigos relacionados

Segurança cibernética: o orçamento está protegendo os riscos certos?

O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

O Brasil tem muitos fundos ou muito risco? O que os números realmente mostram

O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

O que o espírito do tempo está tentando nos dizer? Afeto, autonomia e o desafio de construir o futuro

A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de outubro de 2026 14H00
Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Estratégia
8 de outubro de 2026 14H00
Da aquisição à expansão de clientes, o artigo propõe uma reflexão sobre como organizações podem substituir crescimento baseado em volume por crescimento sustentado por retenção, adoção de valor e decisões mais inteligentes.

Renata Centurión - Sócia e Diretora da Winning By Design LATAM

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução