Gestão de pessoas, ESG

O que a tragédia climática no RS nos revela sobre o futuro dos negócios e da sociedade?

O maior desastre climático da história do Rio Grande do Sul e outros eventos extremos no Brasil reforçam a necessidade de mitigar riscos climáticos e adotar práticas sustentáveis para garantir a viabilidade dos negócios no futuro.
CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan InternationalCEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera ntwk. Atualmente, Dilma também é conselheira da Universidade São Judas, da Ampro – Associação de Marketing Promocional; da APD - Associação Pró Dança, APP - Associação dos Profissionais da Propaganda e do ICS - Instituto Clima e Sociedade Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival

Compartilhar:

Uma tragédia que deixou mais de 500 mil pessoas desabrigadas, causou mais de 150 mortes e atingiu 446 municípios gaúchos, se tornando o pior desastre climático da história do Rio Grande do Sul. Eventos climáticos extremos estão cada vez mais intensos e frequentes e não se restringem somente ao sul do Brasil. Na segunda semana de maio, as chuvas intensas castigaram também o Maranhão e vários municípios entraram em estado de emergência. Dados da Organização Meteorológica Mundial, agência especializada da ONU, registraram 12 eventos climáticos extremos no Brasil em 2023, entre eles o de ano mais quente já registrado.

As emergências climáticas afetam os direitos humanos, atingem o direito à vida, moradia, alimentação e saúde. Elas parecem “gritar” que precisamos urgentemente acelerar a mitigação de riscos climáticos, o que envolve repensar a forma como vivemos, como fazemos negócios e nossas atitudes como clientes, que influenciam, inegavelmente, em como as marcas se posicionam no mercado.

Elas nos mostram de uma vez por todas que atuar de acordo com as boas práticas ESG se tornou urgente e emergencial. As empresas que não seguirem essa cartilha vão cada vez mais estar sujeitas a riscos reputacionais, de mercado, regulatórios e legais.

No que diz respeito à legislação, ela avança em uma direção sem volta. Destaco as principais iniciativas no Brasil:

– A PL 2148/15 que regulamenta o mercado de carbono e estabelece tetos para a emissão de GEEs (Gases de Efeito Estufa) e um mercado de venda de títulos.

– O BNDES suspendeu os investimentos em térmicas a carvão e reduziu juros de empréstimos a setores que se comprometem com o corte de emissões de carbono, além de exigir contabilidade de carbono para liberar empréstimos.

– O Bacen e o Conselho Monetário Nacional passaram a exigir reporte climático no padrão TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosure), que tornam mais efetiva a divulgação de informações relacionadas a riscos e oportunidades climáticas.

– A B3 exige que empresas listadas incluam ao menos 1 mulher e 1 minoria sub-representada em seus Conselhos de Administração ou equipes executivas. A parir de 2026, as que não o fizerem vão ter de se explicar publicamente.
Para além da legislação, a tragédia do RS também levou algumas empresas a começarem a mapear os riscos climáticos em seus ativos físicos. Elas estão investindo em estratégias de resiliência climática para ter maior previsibilidade e atuar de forma a mitigar riscos para o negócio.

Todos esses fatores conduzem a uma questão que quero deixar para reflexão: ou as empresas reconhecem definitivamente a importância de adotar práticas sustentáveis “para ontem” (especialmente se ainda não iniciaram o movimento), ou elas terão de investir nessa mudança por força da legislação, ou, no pior dos casos, para reparar eventuais danos que podem ocorrer no negócio devido ao impacto dos eventos climáticos extremos.

Para finalizar, quero reconhecer a grande mobilização nacional, vinda de todos os cantos do Brasil, em prol das vítimas da tragédia do RS, o que mostra um senso de coletividade e de colaboração que, para mim, é a marca dos negócios do futuro.

Adotar práticas ESG implica em critérios de governança transparentes e éticos e um olhar para os interesses de todos os atores do ecossistema. Isso implica em novos valores, novas relações e novas estratégias que levam em conta o interesse coletivo além do individual. Só assim a empresa consegue viabilizar um negócio sustentável em todas as frentes: na relação com os colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros e comunidade, na harmonia com o meio ambiente e no resultado financeiro.

Compartilhar:

CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan InternationalCEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera ntwk. Atualmente, Dilma também é conselheira da Universidade São Judas, da Ampro – Associação de Marketing Promocional; da APD - Associação Pró Dança, APP - Associação dos Profissionais da Propaganda e do ICS - Instituto Clima e Sociedade Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival

Artigos relacionados

Diversidade não gera performance. O que gera é a forma como ela é operada

Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos – e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Liderança, ESG
6 de abril de 2026 18H00
Da excelência paralímpica à estratégia corporativa: por que inclusão precisa sair da admiração e virar decisão? Quando a percepção muda, a inclusão deixa de ser discurso.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

13 minutos min de leitura
Marketing & growth, Liderança
6 de abril de 2026 08H00
De executor local a orquestrador global: por que essa transição raramente é bem preparada? Este artigo explica porque promover um gestor local para liderar múltiplos mercados é uma mudança de profissão, não apenas de escopo.

François Bazini

3 minutos min de leitura
Liderança, Bem-estar & saúde, Gestão de Pessoas
5 de abril de 2026 12H00
O benefício mais valorizado pelos colaboradores é também um dos menos compreendidos pela liderança. A saúde corporativa saiu do RH e entrou na agenda do CEO - quem ainda não percebeu já está pagando a conta.

Marcos Scaldelai - Diretor executivo da Safe Care Benefícios

5 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de abril de 2026 07H00
A nova vantagem competitiva não está em vender mais - mas em fazer cada cliente valer muito mais. A era da fidelização começa quando ela deixa de ser recompensa e passa a ser estratégia.

Nara Iachan - Cofundadora e CMO da Loyalme

2 minutos min de leitura
Marketing & growth
3 de abril de 2026 08H00
Como a falta de compreensão intercultural impede que bons produtos brasileiros ganhem espaço em outros mercados

Heriton Duarte

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
2 de abril de 2026 08H00
À medida que a IA assume tarefas operacionais, surge um risco silencioso: como formar profissionais capazes de supervisionar o que nunca aprenderam a fazer?

Matheus Fonseca - Cofounder da Leapy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de abril de 2026 15H00
Entre renováveis, risco sistêmico e pressão por eficiência, a energia em 2026 exige decisões orientadas por dados e governança robusta.

Rodrigo Strey - Vice-presidente da AMcom

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de abril de 2026 08H00
Felicidade não é benefício: é condição de sustentabilidade para mulheres em cargos de liderança.

Vanda Lohn

4 minutos min de leitura
Lifelong learning
31 de março de 2026 18H00
Quando conversar dá trabalho e a tecnologia não confronta, aprender a conviver se torna um desafio estratégico.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de março de 2026 08H00
Quando mulheres consomem a maior parte dos antidepressivos, analgésicos, sedativos e ansiolíticos dentro das empresas, não estamos falando de fragilidade - estamos falando de um modelo de liderança que normaliza exaustão como competência. Este artigo confronta a farsa da “supermulher” e questiona o preço real que elas pagam para sustentar ambientes que ainda insistem em chamá‑las de resilientes.

Marilia Rocca - CEO da Funcional

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...