Liderança, Estratégia
3 minutos min de leitura

O tamanho da sua bolha define o tamanho das suas decisões

Algoritmos, preferências pessoais e vieses cognitivos influenciam diariamente a forma como enxergamos o mundo, muitas vezes sem que percebamos. Em tempos de polarização, excesso de informação e mudanças rápidas, cultivar curiosidade, escuta ativa e abertura para pontos de vista diferentes pode ser um diferencial importante para quem deseja construir decisões mais inteligentes e sustentáveis.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Em alguns momentos, a gente se dá mais conta de que vivemos numa bolha.

É natural que a gente viva em bolhas, mas também é bom saber o tamanho delas. Se nos permitirmos olhar pontos de vista diferentes, investigá-los, considerá-los, nossas decisões podem ser melhores. Veja, não estou dizendo necessariamente que precisamos mudar de posição, e sim que estamos considerando um horizonte mais amplo de informação para nossa tomada de decisão.

Bolha 1: a que o algoritmo constrói

No meio digital, o algoritmo te entrega mais conteúdos parecidos com o que você consome, seja curtindo ou comentando.

Em alguns momentos a gente ainda se enfurece com alguém com ideias contrárias às nossas e decidimos eliminar essa pessoa dos nossos contatos, “porque onde já se viu isso?” Atire a primeira pedra quem nunca eliminou alguém da rede por esta razão. O nosso cérebro límbico, mais primitivo e ágil – porque nos protege dos perigos básicos da vida – age com força e convicção e nos afasta do inimigo.

Mas te convido a pensar um pouco mais nessa situação. Quando estamos trabalhando em empresas, criando estratégias e nos preparando para uma boa tomada de decisão, quanto mais intenso for o nosso filtro, mais risco às nossas ações. Ter uma visão larga do horizonte nos convida a trazer uma perspectiva mais ampla, considerar outras hipóteses e no fim, tomar melhores decisões.

Bolha 2: a que escolhemos

Há ainda um outro momento, ainda mais sutil. Nós temos mais paciência com algumas pessoas do que com outras. Por exemplo, quando temos alguma dificuldade de relacionamento, ou quando falamos com alguém mais prolixo do que nós, tendemos a ouvir pouco, porque nós já cravamos uma opinião sobre aquilo servir ou não, ser útil ou não, validado ou não. Da mesma forma, é uma decisão de risco, pois nós conviveremos sempre com pessoas diferentes de nós.

Bolha 3: a que o cérebro cria

Há ainda um terceiro ângulo: vieses, ou seja, erros sistemáticos porque acabamos usando atalhos mentais para lidar com a pressão e complexidade de algumas decisões. São muitos os vieses, mas um deles, é o de confirmação. O viés de confirmação é explicado por muitos autores como interpretar evidências de modo favorável às nossas crenças e expectativas. É ler só as pesquisas de mercado que confirmam a estratégia que já decidimos seguir.

Essa é mais uma razão pela qual falamos tanto em ter diversidade nas empresas, seja de gênero, raça, origem, idade, indústrias para as quais as pessoas já trabalharam, etc. Isso melhora a qualidade das nossas decisões por si só? Claro que não. O que precisamos é que as pessoas dessa organização tenham consciência e se esforcem para furar suas bolhas, e ampliarem suas hipóteses e visão sobre aquilo que estão fazendo.

Três olhares complementares para chegarmos aqui: estamos interessados em aumentar nossas bolhas? Se você olha para todos os lados e vê iguais, eu tenho uma má notícia para te dar. Sua bolha é bem pequena e pode te asfixiar. Mas, como tudo tem dois lados, eu prefiro o outro: ampliá-la é uma decisão que depende só de você, da sua abertura e da sua curiosidade. Convide para sua mesa de decisão gente que pensa diferente de você.

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

O tamanho da sua bolha define o tamanho das suas decisões

Algoritmos, preferências pessoais e vieses cognitivos influenciam diariamente a forma como enxergamos o mundo, muitas vezes sem que percebamos. Em tempos de polarização, excesso de informação e mudanças rápidas, cultivar curiosidade, escuta ativa e abertura para pontos de vista diferentes pode ser um diferencial importante para quem deseja construir decisões mais inteligentes e sustentáveis.

O que os Niyamas podem ensinar sobre consciência, disciplina e evolução organizacional

Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Estratégia
8 de outubro de 2026 14H00
Da aquisição à expansão de clientes, o artigo propõe uma reflexão sobre como organizações podem substituir crescimento baseado em volume por crescimento sustentado por retenção, adoção de valor e decisões mais inteligentes.

Renata Centurión - Sócia e Diretora da Winning By Design LATAM

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Vendas
8 de outubro de 2026 08H00
Diante de metas ameaçadas, a reação mais comum é fazer mais: mais reuniões, mais pressão, mais descontos, mais cobranças. O problema é que nem sempre atividade gera resultado. À medida que dezembro se aproxima, o verdadeiro desafio pode estar menos em acelerar e mais em eliminar comportamentos que comprometem decisões, margens e o próximo ciclo de vendas.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

8 minutos min de leitura
Liderança
7 de outubro de 2026 14H00
O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução