Em alguns momentos, a gente se dá mais conta de que vivemos numa bolha.
É natural que a gente viva em bolhas, mas também é bom saber o tamanho delas. Se nos permitirmos olhar pontos de vista diferentes, investigá-los, considerá-los, nossas decisões podem ser melhores. Veja, não estou dizendo necessariamente que precisamos mudar de posição, e sim que estamos considerando um horizonte mais amplo de informação para nossa tomada de decisão.
Bolha 1: a que o algoritmo constrói
No meio digital, o algoritmo te entrega mais conteúdos parecidos com o que você consome, seja curtindo ou comentando.
Em alguns momentos a gente ainda se enfurece com alguém com ideias contrárias às nossas e decidimos eliminar essa pessoa dos nossos contatos, “porque onde já se viu isso?” Atire a primeira pedra quem nunca eliminou alguém da rede por esta razão. O nosso cérebro límbico, mais primitivo e ágil – porque nos protege dos perigos básicos da vida – age com força e convicção e nos afasta do inimigo.
Mas te convido a pensar um pouco mais nessa situação. Quando estamos trabalhando em empresas, criando estratégias e nos preparando para uma boa tomada de decisão, quanto mais intenso for o nosso filtro, mais risco às nossas ações. Ter uma visão larga do horizonte nos convida a trazer uma perspectiva mais ampla, considerar outras hipóteses e no fim, tomar melhores decisões.
Bolha 2: a que escolhemos
Há ainda um outro momento, ainda mais sutil. Nós temos mais paciência com algumas pessoas do que com outras. Por exemplo, quando temos alguma dificuldade de relacionamento, ou quando falamos com alguém mais prolixo do que nós, tendemos a ouvir pouco, porque nós já cravamos uma opinião sobre aquilo servir ou não, ser útil ou não, validado ou não. Da mesma forma, é uma decisão de risco, pois nós conviveremos sempre com pessoas diferentes de nós.
Bolha 3: a que o cérebro cria
Há ainda um terceiro ângulo: vieses, ou seja, erros sistemáticos porque acabamos usando atalhos mentais para lidar com a pressão e complexidade de algumas decisões. São muitos os vieses, mas um deles, é o de confirmação. O viés de confirmação é explicado por muitos autores como interpretar evidências de modo favorável às nossas crenças e expectativas. É ler só as pesquisas de mercado que confirmam a estratégia que já decidimos seguir.
Essa é mais uma razão pela qual falamos tanto em ter diversidade nas empresas, seja de gênero, raça, origem, idade, indústrias para as quais as pessoas já trabalharam, etc. Isso melhora a qualidade das nossas decisões por si só? Claro que não. O que precisamos é que as pessoas dessa organização tenham consciência e se esforcem para furar suas bolhas, e ampliarem suas hipóteses e visão sobre aquilo que estão fazendo.
Três olhares complementares para chegarmos aqui: estamos interessados em aumentar nossas bolhas? Se você olha para todos os lados e vê iguais, eu tenho uma má notícia para te dar. Sua bolha é bem pequena e pode te asfixiar. Mas, como tudo tem dois lados, eu prefiro o outro: ampliá-la é uma decisão que depende só de você, da sua abertura e da sua curiosidade. Convide para sua mesa de decisão gente que pensa diferente de você.




