Bem-estar & saúde, User Experience, UX
4 minutos min de leitura

O turismo deixou de vender viagens. Passou a vender transformação.

Impulsionado pelo avanço do wellness e pela busca crescente por experiências com significado, o setor de turismo enfrenta um novo desafio: deixar de vender viagens para entregar transformação, criando vínculos de longo prazo e novas vantagens competitivas.
Diretor de Marketing E Experiencia do Cliente do Grupo Mabu. MBA Internacional em Inovação, Gestão de Negócios e Empreendedorismo na FIA USP, Pós-Graduado em Publicidade e Mercado pela ECA USP, Graduado em Publicidade e Propaganda pela Puc de São Paulo. Mais de 20 anos de experiência em Comunicação e Marketing, desenvolvendo planejamento estratégico com olhar para ROI, gerenciamento de campanhas de marketing digital, projetos de Branding e Comunicação Institucional, bem como campanhas de incentivo e Customer Journey. Desenvolveu equipes visando engajamento entre times e potencializando a performance, atuando fortemente com gestão de mudanças. Liderança de questões complexas, impactando na transformação digital, implementação de metodologias ágeis e inovação.

Compartilhar:

Existe uma pergunta que poucas empresas do turismo estão fazendo, e que talvez seja a mais importante desta década. Quando um cliente retorna para casa depois de uma viagem, ele volta apenas descansado ou verdadeiramente transformado? A resposta determina quem continuará relevante nos próximos anos.

Durante décadas, a indústria do turismo concentrou seus esforços em vender destinos, infraestrutura e serviços. Depois veio a chamada Economia da Experiência, apresentada por B. Joseph Pine II e James H. Gilmore no clássico “The Experience Economy”, que mostrou que consumidores deixaram de comprar apenas produtos para buscar experiências memoráveis.

Mas o mundo mudou novamente. Hoje, estamos entrando em uma nova etapa: a Economia da Transformação.  Nela, consumidores não esperam apenas viver momentos agradáveis. Esperam voltar diferentes da forma como chegaram. Mais saudáveis. Mais conectados. Mais felizes. Mais próximos da família. Mais conscientes do uso do próprio tempo.

Essa mudança ajuda a explicar porque o wellness deixou de ser um segmento da hospitalidade para se tornar uma lógica de negócios.

Segundo o Global Wellness Institute (GWI), a economia mundial do bem-estar movimentou US$ 6,3 trilhões em 2023 e deverá alcançar aproximadamente US$ 9 trilhões até 2028, crescendo a um ritmo superior ao da economia global. Dentro desse universo, o turismo de bem-estar representa um dos segmentos mais dinâmicos, com previsão de superar US$ 1,3 trilhão nos próximos anos.

Os números impressionam.  Mas talvez revelem algo ainda maior. O consumidor não está comprando hotéis. Está comprando energia. Não procura apenas lazer. Busca recuperação emocional. Não deseja simplesmente viajar. Quer investir na própria qualidade de vida.

Essa mudança encontra respaldo em diferentes pesquisas internacionais. Levantamento da McKinsey mostra que bem-estar passou a ocupar posição central nas decisões de consumo em praticamente todas as gerações, influenciando setores tão distintos quanto alimentação, mercado imobiliário, saúde, varejo, mobilidade e turismo.

Ao mesmo tempo, estudos da Deloitte indicam que experiências personalizadas deixaram de ser diferencial competitivo para se tornarem expectativa básica dos consumidores, especialmente daqueles com maior poder aquisitivo.

Talvez este seja um dos maiores desafios para executivos. Durante muitos anos, experiência do cliente significou eficiência operacional. Check-in rápido. Boa gastronomia. Equipe cordial. Quartos confortáveis. Tudo isso continua indispensável.

Mas já não basta. A experiência deixou de ser medida apenas pela satisfação. Ela passa a ser medida pelo impacto: A viagem reduziu o estresse? Fortaleceu vínculos familiares? Criou memórias duradouras? Gerou sensação de pertencimento? Melhorou a saúde física ou emocional daquele cliente?

Essas perguntas parecem subjetivas. Na verdade, são profundamente estratégicas.

Vivemos um cenário em que atenção se tornou escassa, tempo passou a ser um ativo econômico e a fadiga digital redefine prioridades de consumo. Nesse contexto, empresas capazes de devolver equilíbrio tornam-se mais valiosas do que empresas capazes apenas de entregar conforto.

É aqui que experiência do cliente e wellness deixam de caminhar em paralelo. Eles passam a ser a mesma estratégia.

No turismo, isso altera completamente o desenho dos negócios.  A lógica deixa de ser ocupar apartamentos ou aumentar diárias. O objetivo passa a ser ampliar o valor percebido ao longo de toda a relação com o cliente.

Essa visão é especialmente relevante para modelos de relacionamento contínuo, como o Direito Real de Uso, no qual a experiência não termina no check-out. Ela se renova ano após ano, exigindo capacidade permanente de surpreender, escutar, personalizar e evoluir.

Nesse ambiente, dados ganham novo significado. Tecnologia deixa de servir apenas para automatizar processos. Serve para compreender pessoas. A inteligência artificial deixa de responder perguntas. Passa a antecipar desejos. O marketing deixa de persuadir. Passa a construir vínculos.

No Grupo Mabu, temos observado exatamente essa transformação. O investimento em experiência do cliente deixou de ser uma iniciativa da área de atendimento para se tornar uma estratégia corporativa. Escuta ativa, análise de comportamento, personalização das jornadas e desenvolvimento de novas experiências passaram a orientar decisões de produto, comunicação e relacionamento.

Essa mudança dialoga com outro conceito importante apresentado por Pine e Gilmore: em economias maduras, o valor migra continuamente de commodities para produtos, de produtos para serviços, de serviços para experiências e, finalmente, para transformações.

A pergunta para os líderes, portanto, talvez não seja como oferecer uma hospedagem melhor. Mas sim como gerar uma mudança positiva na vida das pessoas. Porque experiências podem ser copiadas. Infraestrutura pode ser replicada. Tecnologia rapidamente se torna acessível.

Transformações genuínas, no entanto, permanecem como uma das poucas vantagens competitivas verdadeiramente sustentáveis. No fim, talvez o turismo nunca tenha vendido apenas viagens. Sempre vendeu versões melhores de quem somos quando voltamos para casa.

A diferença é que agora isso deixou de ser uma percepção intuitiva para se tornar uma estratégia de negócios baseada em dados, comportamento do consumidor e geração de valor de longo prazo. E as empresas que compreenderem essa mudança primeiro provavelmente deixarão de competir apenas pela próxima reserva. Passarão a disputar algo muito mais valioso: um espaço permanente na vida de seus clientes.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Da produção à curadoria: a nova lógica da relevância digital

O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Por que todos os líderes começaram a soar iguais?

A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Live marketing ganha força na era da distração

Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

O futuro das empresas de serviços

Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 14H00
WhatsApp, redes sociais, chats e inteligência artificial mudaram a forma como as empresas se relacionam com seus clientes. O desafio agora não é apenas responder mais rápido, mas transformar cada interação em uma oportunidade de fortalecer confiança, reputação e valor de marca.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 08H00
Pensamento estratégico, julgamento humano, curadoria de ferramentas digitais, desaprendizagem contínua e construção de significado despontam como as competências que diferenciarão profissionais em uma era em que inteligência e execução estão cada vez mais distribuídas entre pessoas e máquinas.

Denis Caldeira - CEO da Caldeira Growth e autor de "Cresça ou Desapareça"

8 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Cultura organizacional, User Experience, UX
18 de julho de 2026 14H00
À medida que os eventos se consolidam como ferramentas de cultura, engajamento e construção de relacionamentos, a escolha dos destinos deixa de ser uma decisão operacional. Este artigo explora como experiências, conexões humanas e identidade local estão redefinindo o papel dos encontros corporativos e transformando cidades em plataformas de desenvolvimento econômico e cultural.

Aziz Camali Constantino - Idealizador e cofundador do Oxigênio Ilhabela

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de julho de 2026 07H00
Enquanto a maioria das empresas não pode se dar ao luxo de substituir sistemas críticos da noite para o dia, startups vêm assumindo um papel estratégico na construção de uma transformação tecnológica mais rápida, modular e segura.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI e líder do TQI Ventures

3 minutos min de leitura
Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de julho de 2026 13H00
Ferramentas de IA já produzem textos, avaliações, vídeos e conteúdos em segundos. Mas a transformação mais importante talvez não esteja na velocidade da produção, e sim na capacidade de redesenhar experiências de aprendizagem que desenvolvam pensamento crítico, prática, feedback e autonomia humana.

Daniel Luzzi - Fundador e CEO da Cognita Learning Lab

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de julho de 2026 08H00
A sensação constante de apagar incêndios não é apenas um problema de produtividade. Este artigo mostra por que organização, gestão da agenda e definição de limites são competências essenciais para preservar desempenho, reduzir o esgotamento e recuperar o controle sobre a própria rotina profissional.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
16 de julho de 2026 14H00
Copa do Mundo, Olimpíadas, Super Bowl ou Black Friday: toda vez que a atenção coletiva se concentra em um grande evento, o mercado de mídia muda de comportamento. Entender esse movimento pode ser a diferença entre capturar demanda reprimida ou pagar, mais uma vez, o preço do improviso.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de julho de 2026 08H00
Robôs humanoides deixaram de ser protótipo e entraram em produção comercial em série. Enquanto conselhos ainda debatem a IA generativa, a automação física avança sem esperar. O atraso não aparece no balanço, mas se acumula como dívida de reação.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Empreendedorismo
15 de julho de 2026 15H00
Construído sobre a área que durante décadas abrigou a fábrica e a recreativa da Tigre, o Cidade das Águas nasceu de uma pergunta pouco comum ao mercado imobiliário: antes de erguer torres, que tipo de bairro vale a pena construir?

Sandra Regina da Silva - Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios

12 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing & growth, User Experience, UX
15 de julho de 2026 08H00
Enquanto a IA assume processos, diagnósticos e tarefas repetitivas, cresce a importância de competências exclusivamente humanas. O desafio das lideranças não é automatizar mais, mas decidir onde a presença humana gera valor que nenhuma tecnologia consegue reproduzir plenamente.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo