Tecnologias exponenciais
7 min de leitura

O uso das emoções na aproximação da relação humano-máquina

O avanço do AI emocional está revolucionando a interação humano-computador, trazendo desafios éticos e de design para cada vez mais intensificar a relação híbrida que veem se criando cotidianamente.
CEO da HSM, Singularity Brazil e Learning Village. Foi Chefe Global de Operações na The Bakery, onde hoje é Conselheira da empresa. Ocupou o cargo de CIO na Deloitte e na Andrade Gutierrez. É Doutora em Administração pela COPPEAD, atua como docente com foco em inovação em diversas instituições, como a Fundação Dom Cabral, a Singularity Brazil e a USP, além de ser membro do conselho de tecnologias de educação do SENAI e do programa de desenvolvimento de talentos femininos AngelUS Network.

Compartilhar:

A Inteligência Artificial (IA) tem revolucionado a maneira como interagimos com a tecnologia cotidianamente. Uma das propostas mais intensas nos últimos anos para garantir que a relação humano-máquina fique cada vez mais estreita é o uso de mais emocional da IA, o que chamam de AI Emocional ou Empathy IA.

Essa tecnologia busca compreender, criar vínculo e simular emoções humanas, tornando as interações com máquinas mais naturais e intuitivas. No entanto, seu desenvolvimento apresenta desafios significativos que precisam ser superados para garantir um impacto positivo. Há quem diga que isso não será possível, inclusive, mas a tentativa é tornar a IA cada vez mais uma extensão do nosso corpo, assim a utilizamos como instrumento prático e produtivo no dia-dia.

Mas, afinal, o que é AI Emocional?

Em resumo, IA emocional é um campo que visa criar sistemas capazes de interpretar emoções humanas e responder de maneira apropriada. Isso pode incluir desde assistentes virtuais que reconhecem o tom de voz dos usuários até robôs sociais projetados para interações mais humanizadas. A Lu, da Magalu, e a Sam, da Samsung, são notórios exemplos de como isso funciona.

Ao invés de agentes robôs instrumentalmente práticos e estéreis, as empresas estão criando formas mais complexas e afetivas para ter contato com seus consumidores. A escolha das mulheres, com certos tom de voz e aparência procuram sim territorializar esta construção em um espaço efetivo e que atenda as demandas cotidianas.

Apesar do potencial, sabemos que isso não é fácil de ser feito e atualizado constantemente. Por isso, há desafios de design que precisam ser enfrentados, como a criação de agentes artificiais com aparência e comportamento convincentes. Aspectos como tom de voz, expressões faciais e linguagem corporal devem ser cuidadosamente planejados para evitar a rejeição por parte dos usuários.

A IA emocional representa um dos avanços mais empolgantes da inteligência artificial, abrindo portas para interações mais naturais entre humanos e máquinas. No entanto, seu sucesso depende da capacidade dos desenvolvedores e pesquisadores em equilibrar inovação com responsabilidade ética.

Se implementada corretamente, essa tecnologia pode transformar a forma como nos relacionamos com a IA, criando experiências mais intuitivas, confiáveis e personalizadas. O futuro da interação humano-computador está sendo moldado agora, e a IA emocional desempenhará um papel central nessa evolução.

Alguns pontos que foram abordados no SXSW 2025 foram:

A Voz Humana como Interface Tecnológica

A voz humana está emergindo como uma das interfaces mais poderosas para interagir com a tecnologia. Projetos como Voice Gems estão explorando essa capacidade ao capturar e transformar vozes em artefatos digitais únicos, destacando como a expressão vocal pode ser utilizada para criar novas formas de arte e comunicação.

O Papel das Emoções na Interação Humano-Computador

Estudos indicam que compreender e responder adequadamente às emoções humanas é essencial para melhorar a confiança e a usabilidade dos sistemas de IA. Técnicas como rastreamento ocular já são utilizadas para avaliar como os usuários interagem com máquinas e para entender suas reações emocionais durante essas interações. Tempo de tela é algo também extremamente crucial, algumas empresas mensuram, inclusive, o quanto a pessoa gasta com auxílio de AI Bots.

AI Multimodal e Agentes Autônomos

Os agentes autônomos multimodais estão se tornando cada vez mais sofisticados. Esses sistemas são projetados para interagir tanto no mundo digital quanto no físico, adaptando-se a diferentes contextos. No entanto, para que sejam eficazes, eles precisam ser capazes de aprender continuamente e lidar com ambientes dinâmicos de forma eficiente.

Os Desafios Éticos do AI Emocional

A evolução da IA emocional também levanta importantes questões éticas. Um dos principais debates gira em torno do uso de dados emocionais de forma responsável e respeitosa. Além disso, práticas como a reanimação digital de vozes de indivíduos falecidos sem consentimento levantam preocupações sobre privacidade e moralidade.

Próximos Passos para a Evolução da IA Emocional

Para que a IA emocional seja utilizada de forma eficaz e ética, algumas direções precisam ser priorizadas:

  • Definir diretrizes claras para o design ético de agentes de IA, garantindo transparência e consentimento no uso de dados emocionais.
  • Desenvolver agentes autônomos capazes de operar em ambientes dinâmicos, aprendendo e se adaptando continuamente.
  • Explorar novas aplicações para a voz humana como interface tecnológica, ampliando seu potencial em interações digitais.
  • Investigar profundamente como a expressão emocional pode impactar a interação humano-computador, garantindo experiências mais intuitivas e confiáveis.

Compartilhar:

CEO da HSM, Singularity Brazil e Learning Village. Foi Chefe Global de Operações na The Bakery, onde hoje é Conselheira da empresa. Ocupou o cargo de CIO na Deloitte e na Andrade Gutierrez. É Doutora em Administração pela COPPEAD, atua como docente com foco em inovação em diversas instituições, como a Fundação Dom Cabral, a Singularity Brazil e a USP, além de ser membro do conselho de tecnologias de educação do SENAI e do programa de desenvolvimento de talentos femininos AngelUS Network.

Artigos relacionados

Quando pessoas inteligentes discordam, o problema pode não ser a informação

Em reuniões de conselho, comitês executivos e equipes de alta gestão, é comum que profissionais experientes analisem os mesmos dados e cheguem a conclusões completamente diferentes. Nem sempre isso é sinal de desalinhamento ou falta de informação. Muitas vezes, a divergência revela algo mais profundo: critérios distintos para avaliar riscos, oportunidades, prioridades e sucesso.

2027 começa em outubro: o que os CEOs já estão decidindo agora

Embora o calendário ainda indique os últimos meses de 2026, as principais decisões que definirão o desempenho das empresas no próximo ciclo já estão sendo tomadas agora. A questão não é prever o que acontecerá em 2027, mas construir antecipadamente as capacidades que permitirão responder melhor ao que vier.

Plataformização da educação: 3 pontos para refletir antes de levar tecnologia para a sala de aula

Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

O que Guimarães Rosa pode ensinar sobre liderança na era da IA

Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

O caso Abril não foi uma crise da mídia. Foi uma crise de adaptação

Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Seu valor termina quando sua performance cai?

Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de setembro de 2026 08H00
Durante anos, as empresas disputaram espaço na tela dos usuários por meio de aplicativos, portais e plataformas digitais. Agora, a ascensão das interfaces de inteligência artificial inaugura uma nova lógica: em vez de buscar atenção, os softwares passam a competir para estar presentes no momento exato em que uma decisão é tomada.

Fulvio Mascara - Head global de inovação da Foursys

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
21 de setembro de 2026 14H00
Da carta assinada por milhares de pesquisadores aos recentes pedidos de desaceleração feitos por líderes da OpenAI, Anthropic e DeepMind, cresce o debate sobre os riscos e os limites da inteligência artificial. O desafio talvez não seja decidir se devemos continuar avançando, mas descobrir como fazê-lo sem perder o controle do rumo que estamos escolhendo.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
21 de setembro de 2026 08H00
Entre ciência da felicidade, burnout, inteligência artificial e futuro do trabalho, a 4ª edição do Mind Summit deixou à autora uma pergunta maior: em um mundo saturado de informação, como distinguimos evidência, narrativa e ideias realmente capazes de mudar a forma como trabalhamos?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

8 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de setembro de 2026 14H00
Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Geopolítica
20 de setembro de 2026 08H00
A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos - energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva - que pode transformar sua posição internacional.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução