Uncategorized

Os megaecossistemas organizacionais da China

Crescendo a partir de seus negócios centrais originais, empresas como Alibaba e Tencent passaram a atuar em uma série de novos setores
Edward Tse é fundador e CEO da Gao Feng Advisory Company, uma empresa de consultoria de estratégia e gestão com raízes na China.

Compartilhar:

As empresas chinesas mais valiosas hoje são tipicamente “megaecossistemas” que operam redes de negócios que se apoiam mutuamente e suplementam as habilidades umas das outras. Gigantes da internet como Alibaba e Tencent, sem dúvida as empresas mais conhecidas da China, estão hoje entre as dez maiores empresas públicas em capitalização de mercado.

A noção de ecossistema de negócios não é nova. A Apple, uma das empresas mais valiosas do mundo, foi pioneira nesse sentido. Empresas chinesas, porém, voltam-se hoje para fora para se aperfeiçoar ainda mais na construção desse tipo de corporação.

Exemplos de primeira linha de megaecossistemas na China atual incluem Alibaba, Tencent e Xiaomi. A Alibaba começou como um pequeno marketplace online B2B há quase 20 anos, saltou para o site de cliente para cliente Taobao e depois para o site B2C Tmall. Para dar suporte a esses negócios, a Alibaba criou o Alipay, de pagamentos online por celular, e então o usou como plataforma para oferecer serviços de gestão financeira. Hoje, a Alibaba também se lançou a áreas que incluem automobilidade, saúde pública, mídia, novo varejo, serviços de locação, serviços de nuvem e logística inteligente.

A Xiaomi, mais jovem empresa da Fortune 500, é um ecossistema líder com uma ampla gama de negócios. Ao se associar a uma centena de outras startups desde 2013, a Xiaomi foi capaz de agregar muitos outros produtos em sua plataforma de internet das coisas (IoT), sem ter de produzi-las internamente. Hoje, oferece mais de 300 produtos ligados a estilo de vida e está conectando mais de 170 milhões de aparelhos. Seu negócio de smartphones está se tornando uma parte menor do negócio, enquanto os serviços de internet estão crescendo. Nesse sentido, acrescentou a seu portfólio apps como jogos online, e-books, streaming ao vivo, música e vídeos, finanças na internet, serviços de nuvem e plataformas sociais automotivas. Com uma gama dessas de produtos em seu portfólio, a Xiaomi deu o salto para o novo varejo que foca interconectar sem obstáculos seus canais online e offline. 

O fundador e líder da Xiaomi, Lei Jun, disse que o próximo movimento estratégico seria construir um smartphone + IAoT (IA com IoT) antecipando a tecnologia 5G. Com essa estratégia, é provável que a Xiaomi estenda seu ecossistema e aumente a variedade de seus aplicativos.

Quando as empresas chinesas percebem um mercado se abrindo, elas rapidamente dão o salto para capturar as oportunidades e tentar abreviar as lacunas em habilidades por meio de ecossistemas de parcerias colaborativas. Em contraste, a maioria das corporações estrangeiras tende a fazer o que sempre têm feito e a evitar a “diversificação”. Empresas estrangeiras que operam na China cada vez mais reconhecem essa diferença e estão se aproximando ao aprender com empresas chinesas e a participar de seus ecossistemas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quanto vale uma franquia da Omie?

Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Como a inteligência artificial pode destravar R$ 2,5 trilhões em crédito

Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Nem toda empresa precisa de um C-level

Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Hiperconectados, solitários e irrelevantes?

Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

A próxima revolução será humana?

Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, User Experience, UX
19 de junho de 2026 08H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo expõe um erro recorrente nas organizações: confundir treinamento com preparo e transferir a curva de aprendizagem para o cliente, com impactos diretos na experiência e nos resultados.

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de junho de 2026 16H00
Entre a inovação e o risco, este artigo discute até onde se deve confiar na IA dentro do contexto clínico. A tecnologia, sem dúvidas, amplia capacidades, mas ainda depende de dados de qualidade, supervisão humana e confiança para cumprir seu potencial.

Adalene Tiso - Diretora da unidade Healthcare da Interplayers

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança, Lifelong learning
18 de junho de 2026 08H00
Por que empresas aprendem mais com fracassos analisados com honestidade do que com cases heroicos?

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de junho de 2026 15H00
O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia - mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Marcus Garcia - Diretor Comercial da Konia Tecnologia

3 minutos min de leitura
Lifelong learning
17 de junho de 2026 09H00
Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Daniel Luzzi - CEO Cognita Learning Lab

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
16 de junho de 2026 15H00
O mercado discute o futuro - mas continua ignorando quem já está pronto para trabalhar. Este artigo chama atenção para um movimento ignorado: a crescente presença da geração 60+, e o custo de continuar excluindo um dos recursos mais experientes e disponíveis da força de trabalho.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de junho de 2026 09H00
Na estreia da coluna, as autoras, Cecília Seabra e Thais Giuliani, propõem uma mudança de paradigma na liderança: sair das explicações rápidas e dos julgamentos para construir relações mais consistentes por meio da escuta, da curiosidade e da integração de diferenças.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
15 de junho de 2026 15H00
Colesterol, cardiologista, academia. Tudo certo. Só falta mencionar o que, de fato, está tirando as pessoas de campo.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
15 de junho de 2026 08H00
A liderança não cabe mais em rótulos e quem ainda pensa assim pode estar ficando para trás. Este artigo mostra como a valorização de perfis não lineares e a capacidade de integrar múltiplas experiências redefinem o conceito de talento nas organizações.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
14 de junho de 2026 15H00
Mais do que falta de talento ou tecnologia, este artigo revela o verdadeiro risco das organizações modernas: pessoas que deixam de dizer o que pensam. Este artigo demonstra como isso compromete decisões, inovação e resultados sem que ninguém perceba.

Valter Bahia Filho – Autor e consultor educacional

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo