Uncategorized, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 minutos min de leitura

Os sete desafios das equipes inclusivas

Inclusão não acontece com ações pontuais nem apenas com RH preparado. Sem letramento coletivo e combate ao capacitismo em todos os níveis, empresas seguem excluindo - mesmo acreditando que estão incluindo.
Desde 2008, a Talento Incluir tem a missão de levar ações focada em colaborar com o desenvolvimento das pessoas com deficiência para ampliar a inclusão no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. É a pioneira em inclusão produtiva de Profissionais com Deficiência. Seu propósito Propósito é romper o capacitismo para que as pessoas com deficiência ocupem os espaços nas empresas e na sociedade.
CEO e fundadora do Grupo Talento Incluir.

Compartilhar:


Preparar RH e gestores para a inclusão é importante, mas não suficiente. Se as equipes que convivem com pessoas com deficiência não são orientadas, o capacitismo se torna parte da rotina. Não por acaso, 62% das situações de preconceito partem de colegas diretos e 54% sinalizam que isso acontece por meio de profissionais de outras áreas, segundo a pesquisa “Radar da Inclusão: mapeando a empregabilidade da pessoa com deficiência”*. O que isso mostra? Que sem letramento coletivo e contínuo não existe ambiente seguro nem inclusão real, pois ela só acontece quando o investimento chega a todos os níveis da organização.

Além disso, 9 em cada 10 profissionais com deficiência que estão no mercado de trabalho afirmam ter sofrido capacitismo no ambiente de trabalho. Se a sua empresa não mede esse indicador, não acompanha a jornada de carreira das pessoas com deficiência, não promove um ambiente seguro para denunciar o capacitismo e não investe em letramento para explicar o que ele é, provavelmente esses dados também estão se repetindo aí dentro. Esse letramento deve alcançar a maioria das pessoas das empresas e não apenas as pessoas que já são aliadas do tema e que são, geralmente, as que participam das palestras propostas.

Na prática, o que percebo é que muitas empresas seguem à risca um verdadeiro manual de como excluir pessoas com deficiência, mesmo acreditando que estão fazendo inclusão. E é aqui que entram os erros mais comuns – atitudes que não são detalhes, mas barreiras que comprometem carreira, saúde mental e a imagem da própria empresa. São elas:


1.    Contratar só para cumprir a Lei de Cotas.

Transformar a contratação em checklist legal e parar por aí é excluir. Sem desenvolvimento, sem inclusão de verdade, a empresa apenas ocupa uma vaga — não oportuniza chances de crescimento.

Dica: defina metas de evolução de carreira para PcD e acompanhe indicadores de movimentação, não só de contratação.


2.    Confinar PcDs em cargos operacionais.

Abrir a porta de entrada e trancar o elevador de carreira é dizer: “aqui você pode estar, mas não pode crescer”. Isso não é oportunidade, é exclusão disfarçada.

Dica: crie programas de aceleração de talentos com deficiência e inclua PcD no pipeline de liderança.


3.    Ignorar a jornada de carreira

Não medir promoções, movimentações e aumentos de salário é ignorar práticas de desigualdade. Quem não acompanha indicadores reproduz os piores números do mercado — e mantém a exclusão funcionando em silêncio.

Dica: monitore KPIs de promoção, turnover e remuneração de profissionais com deficiência e compare com os demais grupos da empresa.


4.    Silenciar sobre capacitismo

Não falar sobre o tema em treinamentos, rodas de conversa e integração é naturalizar o preconceito. O silêncio institucional é a forma mais eficaz de perpetuar o problema.

Dica: insira o tema “capacitismo” em todas as iniciativas de DE&I e garanta letramento contínuo para líderes, profissionais com deficiência e equipes.


5.    Tolerar “piadinhas” e microagressões

Tratar ofensas como brincadeira ou fingir que não ouviu permite reforço de estereótipos. Quando não há responsabilização, o capacitismo vira parte da cultura da empresa.

Dica: estabeleça políticas claras contra capacitismo, com responsabilização de líderes e colaboradores, e comunique as consequências.


6.    Negar segurança psicológica

Sem canais de denúncia acessíveis e confiança de resposta, a vítima de capacitismo se cala — e a empresa se torna cúmplice. Falta de segurança não é omissão, é exclusão ativa.

Dica: crie canais acessíveis e anônimos para denúncia, garanta retorno ágil e acolhimento e dê visibilidade às ações tomadas.


7.    Reduzir inclusão a ações pontuais

Fazer campanha em datas simbólicas e desaparecer no resto do ano é marketing. Inclusão real é estratégia contínua: legal, humana e de negócio.

Dica: construa um plano estratégico anual de inclusão com metas, cronograma e budget, e avalie o impacto de cada ação.


Incluir é garantir acesso, oportunidade de carreira e ambiente seguro para que pessoas com deficiência possam trabalhar com dignidade e desenvolver seu potencial. Inclusão é estratégia de negócio, obrigação legal e, acima de tudo, uma atitude humana – porque é o certo a se fazer.

A inclusão precisa ser o que direciona os indicadores da sua empresa – e não o capacitismo. São as metas, os relatórios e os resultados que vão mostrar se a prática é real ou apenas discurso.

E essa responsabilidade tem endereço certo: começa no board e na alta gestão, que decidem prioridades e investimentos, e se concretiza na atuação de cada gestor que lidera profissionais com deficiência. Ambos têm a mesma escolha: deixar que a exclusão continue ditando as regras ou assumir a liderança da mudança.

*Pesquisa “Radar da Inclusão: mapeando a empregabilidade de Pessoas com Deficiência” realizada em parceria da Talento Incluir, Instituto Locomotiva, Pacto Global e a iO Diversidade, realizada em nível nacional, com 1.230 pessoascom 18 anos ou mais, que se declararam com deficiência ou neurodivergência.

Compartilhar:

Desde 2008, a Talento Incluir tem a missão de levar ações focada em colaborar com o desenvolvimento das pessoas com deficiência para ampliar a inclusão no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. É a pioneira em inclusão produtiva de Profissionais com Deficiência. Seu propósito Propósito é romper o capacitismo para que as pessoas com deficiência ocupem os espaços nas empresas e na sociedade.

Artigos relacionados

ESG: uma pauta de sobrevivência empresarial

O ESG deixou de ser uma iniciativa reputacional ou opcional para se tornar uma condição de sobrevivência empresarial, especialmente a partir de 2026, quando exigências regulatórias, como os padrões IFRS S1 e S2, sanções da CVM e acordos internacionais passam a impactar diretamente a operação, o acesso a mercados e ao capital. A agenda ESG saiu do marketing e entrou no compliance – e isso redefine o que significa gerir um negócio

Cultura organizacional, ESG
14 de janeiro de 2026
Cumprir cotas não é inclusão: a nova pesquisa "Radar da Inclusão" revela barreiras invisíveis que bloqueiam carreiras e expõe a urgência de transformar diversidade em acessibilidade, protagonismo e segurança psicológica.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
13 de janeiro de 2026
Remuneração variável não é um benefício extra: é um contrato psicológico que define confiança, engajamento e cultura. Quando mal estruturada, custa caro - e não apenas no caixa

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
12 de janeiro de 2026
Empresas que tratam sucessão como evento, e não como processo, vivem em campanha eleitoral permanente: discursos inflados, pouca estrutura e dependência de salvadores. Em 2026, sua organização vai escolher maturidade ou improviso?

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
9 de janeiro de 2026
Alta performance contínua é uma ilusão corporativa que custa caro: transforma excelência em exaustão e engajamento em sobrecarga. Está na hora de parar de romantizar quem nunca para.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de janeiro de 2026
Diversidade não é jogo de aparências nem disputa por cargos. Empresas que transformam discurso em prática - com inclusão real e estruturas consistentes - não apenas crescem mais, crescem melhor

Giovanna Gregori Pinto - Executiva de RH e fundadora da People Leap

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de janeiro de 2026
E se o maior risco estratégico para 2026 não for uma decisão errada - mas uma boa decisão tomada com base em uma visão de mundo desatualizada?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

8 minutos min de leitura
Estratégia, ESG
6 de janeiro de 2025
Com a reforma tributária e um cenário econômico mais rigoroso, 2026 será um divisor de águas para PMEs: decisões de preço deixam de ser operacionais e passam a definir a sobrevivência do negócio.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
5 de janeiro de 2026
Inovar não é sinônimo de começar do zero. A lente da exaptação revela como ideias e recursos existentes podem ser reaproveitados para gerar soluções transformadoras - da biologia às organizações contemporâneas.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de janeiro de 2026
Em 2026, não será a IA nem a velocidade que definirão as empresas líderes - será a inteligência coletiva. Marcas que ignorarem o poder das comunidades femininas e colaborativas ficarão para trás em um mundo que exige empatia, propósito e inovação humanizada

Ana Fontes - Fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME. Vice-Presidente do Conselho do Pacto Global da ONU Brasil e Membro do Conselho da Presidência da República - CDESS.

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de janeiro de 2026
O anos de 2026 não será sobre respostas prontas, mas sobre líderes capazes de ler sinais antes do consenso. Sensibilidade estratégica, colaboração intergeracional e habilidades pós-IA serão os verdadeiros diferenciais para quem deseja permanecer relevante.

Glaucia Guarcello - CEO da HSM, Singularity Brazil e Learning Village

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança