Gestão de Pessoas
3 min de leitura

Precisamos olhar para a governança de dados antes da IA

Enquanto a Inteligência Artificial transforma setores globais, sua adoção precipitada pode gerar mais riscos do que benefícios.
Diretor de Arquitetura e Infraestrutura da NEXDOM Healthtech e profissional com 35 anos de experiência no setor de tecnologia.

Compartilhar:

Hoje em dia todos estão correndo atrás de uma IA para chamar de sua. É fato que a Inteligência Artificial dominou não apenas as conversas no ambiente empresarial e da tecnologia, mas até mesmo nos noticiários e no dia a dia das pessoas, com cada vez mais soluções integradas aos equipamentos que fazem parte da nossa rotina. Não é à toa que um estudo da Randstad aponta que 65% dos negócios ampliaram seus orçamentos em IA em 2024, e que segundo a McKinsey 72% das empresas do mundo já adotam algum tipo de tecnologia ligada à IA.

No entanto, o anseio por se colocar dentro das tendências de mercado pode fazer com que etapas sejam puladas e processos acelerados coloquem em risco o produto final. Vale a pena adotar ou criar uma IA apenas para dizer que está inserido nessa tecnologia, sem se preocupar em ter algo de fato funcional? É uma pergunta a ser levada em consideração, visto que sem uma estratégia adequada já é possível notar uma série de negócios com dificuldades para achar algum retorno positivo aos investimentos feitos em IA.

Defendo que antes da implementação da IA, é necessário dar um passo para para o lado e olhar como a sua empresa lida com governança de dados. Sem uma boa gestão de dados, os sistemas podem enfrentar problemas de viés, falta de precisão e até mesmo sérias questões legais e de privacidade. Portanto, investir em uma sólida estrutura de governança de dados é crucial para o sucesso e a confiabilidade da Inteligência Artificial.

Para garantir o sucesso e a ética na utilização de IA, toda empresa deve fazer um “dever de casa” e se atentar a pelo menos sete pontos de governança de dados que considero como cruciais para o processo:

1. Definir objetivos e escopo

2. Formar uma equipe de governança

3. Desenvolver políticas e procedimentos

4. Implementar ferramentas e tecnologias

5. Treinamento e cultura organizacional

6. Monitoramento e auditoria

7. Revisão e melhoria contínua

Com um data lake sólido e confiável, as chances de sucesso são ampliadas e a empresa provavelmente terá uma IA mais confiável, consistente e que dará respostas e soluções mais precisas.Temos que ter em mente que a tecnologia precisa ser abastecida e as respostas que ela nos dá são diretamente conectadas ao conteúdo com que a abastecemos. Se essa base for negligenciada em prol de uma ansiedade de mercado, talvez o investimento será jogado fora.

A área da saúde é um exemplo relevante de setor que pode ser muito beneficiado com a união de governança de dados e IA. Trata-se de uma área com uma vasta gama de informações geradas e, em algumas fontes, uma gestão regulamentada e muito robusta. Isso permite que soluções de IA tenham um material rico para trabalhar. Contudo, há ainda o risco dos chamados silos de informação, unidades de armazenamento que possuem muitos dados, porém não conversam entre si. É importante identificar esses casos, pois abastecer sistemas com essas unidades pode gerar resultados tendenciosos ou incompletos.

Seguindo princípios importantes e éticos, acredito que com o fortalecimento da arquitetura e governança de dados o ganho que teremos com IA em diferentes setores será gigantesco, com aceleradores, simuladores e apoiadores de decisão baseados em modelos de Inteligência Artificial.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de fevereiro de 2026
Cinco gerações, poucas certezas e muita tecnologia. O cenário exigirá estratégias de cultura, senso de pertencimento e desenvolvimento

Tiago Mavichian - CEO e fundador da Companhia de Estágios

4 minutos min de leitura
Uncategorized, Inovação & estratégia, Marketing & growth
6 de fevereiro de 2026
Escalar exige mais do que mercado favorável: exige uma arquitetura organizacional capaz de absorver decisões com ritmo, clareza e autonomia.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
5 de fevereiro de 2026
O desafio não é definir metas maiores, mas metas possíveis - que mobilizem o time, sustentem decisões e evitem o ciclo da frustração corporativa.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, escritor e palestrante

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
4 de fevereiro de 2026
O artigo dialoga com o momento atual e com a forma como diferentes narrativas moldam a leitura dos acontecimentos globais.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
3 de fevereiro de 2026
Organizações querem velocidade em IA, mas ignoram a base que a sustenta. Governança de Dados deixou de ser diferencial - tornou-se critério de sobrevivência.

Bergson Lopes - CEO e fundador da BLR Data

6 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
2 de fevereiro de 2026
Burnout não explodiu nas empresas porque as pessoas ficaram frágeis, mas porque os sistemas ficaram tóxicos. Entender a síndrome como feedback organizacional - e não como falha pessoal - é o primeiro passo para enfrentar suas causas estruturais.

Marta Ferreira - Cofundadora e presidente da Spread Portugal

3 minutos min de leitura
Estratégia, Marketing & growth
1º de fevereiro de 2026
Como respostas rápidas, tom humano e escuta ativa transformam perfis em plataformas de reputação e em vantagem competitiva para marcas e negócios

Kelly Pinheiro - Fundadora e CEO da Mclair Comunicação e Mika Mattos - Jornalista

5 minutos min de leitura
Lifelong learning
31 de janeiro de 2026
Engajamento não desaparece: ele é desaprendido. Esse ano vai exigir líderes capazes de redesenhar ambientes onde aprender volte a valer a pena.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

7 minutos min de leitura
Liderança
30 de janeiro de 2026
À medida que inovação e pressão por resultados se intensificam, disciplina com propósito torna-se o eixo central da liderança capaz de conduzir - e não apenas reagir.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Estratégia
29 de janeiro de 2026
Antes de falar, sua marca já se revela - e, sem consciência, pode estar dizendo exatamente o contrário do que você imagina.

Cristiano Zanetta - Empresário, palestrante TED e escritor

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança