Liderança, ESG
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Quanta esperança você deposita em 2026?

No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa - o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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Começo de ano sempre nos convida a um balanço. Traçamos metas, renovamos promessas e, quase sempre, depositamos uma boa dose de otimismo no futuro. Mas, e se eu te dissesse que o que realmente precisamos não é de um otimismo ingênuo, mas de algo mais potente e corajoso? E se precisarmos aprender a “esperançar”?

Recentemente, em uma conversa sobre o clássico livro “Sobre a Morte e o Morrer”, de Elisabeth Kübler-Ross, me dei conta de algo profundo. Embora a obra seja famosa por detalhar as cinco fases do luto, o capítulo que mais me marcou foi o último, dedicado inteiramente à esperança. Kübler-Ross nos mostra que, mesmo diante da finitude, a esperança persiste como um fio condutor, uma força que nos impulsiona através da negação, da raiva, da barganha e da depressão.

Isso me fez pensar: quantas “pequenas mortes” vivemos no nosso dia a dia, especialmente no mundo corporativo? O fim de um projeto, uma mudança de carreira, a necessidade de abandonar uma ideia pela qual lutamos. Todos esses são processos de luto em menor escala. E, assim como no livro, a esperança não é a ausência de dor, mas a convicção de que algo novo pode e vai nascer a partir de algum fim.

Vivemos em uma sociedade que nos cobra produtividade incessante e uma performance contínua. O bordão “vai com tudo” (que eu uso muito, aliás) ecoa em nossas mentes, nos empurrando para um limite perigoso, onde não há espaço para pausas, para o luto, para o respiro. Mas um amigo esses dias trouxe outra perspectiva que eu curti: “a vida tem que sobrar”. O ano começa e nos convida novamente para não olhar apenas para o trabalho e para as entregas. Precisamos de espaço para sermos, simplesmente.

É aqui que entra a distinção fundamental: esperança não é esperar. Esperar é passivo, é sentar e aguardar que as coisas melhorem. “Esperançar”, como nos ensina Paulo Freire, é um verbo de ação. É levantar-se, ir atrás, construir. É a predisposição para confiar no futuro, sim, mas agindo positivamente no presente para criá-lo. É dar um salto de fé, como disse a dra. Kübler-Ross, mesmo quando o cenário parece desolador.

No ambiente de trabalho, “esperançar” se traduz em ações concretas. É a liderança que, em meio a uma reestruturação, não apenas comunica as mudanças, mas cria um espaço seguro para que a equipe processe suas perdas e co-construa o próximo capítulo. É o profissional que, diante de um feedback duro, não se paralisa, mas busca ativamente o desenvolvimento, transformando a crítica em combustível. É a coragem de iniciar um projeto inovador, mesmo sem garantias de sucesso, movido pela crença no seu potencial de impacto. É não ter medo de dar certo!

É, em essência, a recusa em se conformar com o status quo e a aposta contínua na nossa capacidade de criar um futuro melhor, um dia de cada vez.

Neste início de 2026, meu convite para você é este: que tal trocarmos o otimismo frágil pela esperança corajosa? Que tal nos permitirmos viver nossas transformações – as que escolhemos e aquelas que apenas chegaram sem nosso convite formal? Que tal escolhermos “esperançar” ativamente, construindo pontes, humanizando nossas relações e, acima de tudo, fazendo a vida “sobrar”?

Não se trata de ignorar os desafios, que são muitos. Trata-se de encará-los com a serenidade de quem sabe que a finitude – de um ciclo, de um ano, etc – é o que nos convida a viver de forma mais plena e significativa.

Feliz 2026

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É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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