Liderança, ESG
3 minutos min de leitura

Quanta esperança você deposita em 2026?

No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa - o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:


Começo de ano sempre nos convida a um balanço. Traçamos metas, renovamos promessas e, quase sempre, depositamos uma boa dose de otimismo no futuro. Mas, e se eu te dissesse que o que realmente precisamos não é de um otimismo ingênuo, mas de algo mais potente e corajoso? E se precisarmos aprender a “esperançar”?

Recentemente, em uma conversa sobre o clássico livro “Sobre a Morte e o Morrer”, de Elisabeth Kübler-Ross, me dei conta de algo profundo. Embora a obra seja famosa por detalhar as cinco fases do luto, o capítulo que mais me marcou foi o último, dedicado inteiramente à esperança. Kübler-Ross nos mostra que, mesmo diante da finitude, a esperança persiste como um fio condutor, uma força que nos impulsiona através da negação, da raiva, da barganha e da depressão.

Isso me fez pensar: quantas “pequenas mortes” vivemos no nosso dia a dia, especialmente no mundo corporativo? O fim de um projeto, uma mudança de carreira, a necessidade de abandonar uma ideia pela qual lutamos. Todos esses são processos de luto em menor escala. E, assim como no livro, a esperança não é a ausência de dor, mas a convicção de que algo novo pode e vai nascer a partir de algum fim.

Vivemos em uma sociedade que nos cobra produtividade incessante e uma performance contínua. O bordão “vai com tudo” (que eu uso muito, aliás) ecoa em nossas mentes, nos empurrando para um limite perigoso, onde não há espaço para pausas, para o luto, para o respiro. Mas um amigo esses dias trouxe outra perspectiva que eu curti: “a vida tem que sobrar”. O ano começa e nos convida novamente para não olhar apenas para o trabalho e para as entregas. Precisamos de espaço para sermos, simplesmente.

É aqui que entra a distinção fundamental: esperança não é esperar. Esperar é passivo, é sentar e aguardar que as coisas melhorem. “Esperançar”, como nos ensina Paulo Freire, é um verbo de ação. É levantar-se, ir atrás, construir. É a predisposição para confiar no futuro, sim, mas agindo positivamente no presente para criá-lo. É dar um salto de fé, como disse a dra. Kübler-Ross, mesmo quando o cenário parece desolador.

No ambiente de trabalho, “esperançar” se traduz em ações concretas. É a liderança que, em meio a uma reestruturação, não apenas comunica as mudanças, mas cria um espaço seguro para que a equipe processe suas perdas e co-construa o próximo capítulo. É o profissional que, diante de um feedback duro, não se paralisa, mas busca ativamente o desenvolvimento, transformando a crítica em combustível. É a coragem de iniciar um projeto inovador, mesmo sem garantias de sucesso, movido pela crença no seu potencial de impacto. É não ter medo de dar certo!

É, em essência, a recusa em se conformar com o status quo e a aposta contínua na nossa capacidade de criar um futuro melhor, um dia de cada vez.

Neste início de 2026, meu convite para você é este: que tal trocarmos o otimismo frágil pela esperança corajosa? Que tal nos permitirmos viver nossas transformações – as que escolhemos e aquelas que apenas chegaram sem nosso convite formal? Que tal escolhermos “esperançar” ativamente, construindo pontes, humanizando nossas relações e, acima de tudo, fazendo a vida “sobrar”?

Não se trata de ignorar os desafios, que são muitos. Trata-se de encará-los com a serenidade de quem sabe que a finitude – de um ciclo, de um ano, etc – é o que nos convida a viver de forma mais plena e significativa.

Feliz 2026

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

Menos chat, mais gente

Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar – e pensar por conta própria

A revolução que a tecnologia não consegue fazer por você

Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de fevereiro de 2026
No novo jogo do trabalho, talento não é ativo para reter - é inteligência para circular.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
25 de fevereiro de 2026
Enquanto o discurso corporativo vende inovação, o backoffice fiscal segue preso em planilhas - e pagando a conta

Isis Abbud - co-CEO e cofundadora da Qive

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
24 de fevereiro de 2026
Estudos recentes indicam: a IA pode fragmentar equipes - mas, usada com propósito, pode ser exatamente o que reconecta pessoas e reduz ruídos organizacionais.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de fevereiro de 2026
Com bilhões em recursos não reembolsáveis na mesa, o diferencial não é ter projeto - é saber estruturá‑lo sem tropeçar no processo.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
ESG
22 de fevereiro de 2026
Depois do Carnaval, março nos convida a ir além das flores e mimos: o Dia Internacional da Mulher nos lembra que celebrar mulheres é importante, mas abrir portas é essencial - com coragem, escuta e propósito.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
21 de fevereiro de 2026
A autêntica transformação cultural emerge quando intenção e espontaneidade deixam de ser opostas e passam a operar em tensão criativa

Daniela Cais – TEDx Speaker, Design de Relações Profissionais

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de fevereiro de 2026
A verdadeira vantagem competitiva agora é a capacidade de realocar competências na velocidade das transformações

Cristiane Mendes - CEO da Chiefs.Group

4 minutos min de leitura
Liderança, Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de fevereiro de 2026
A crise silenciosa das organizações não é técnica, é emocional - e está nos cargos de poder.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
18 de fevereiro de 2026
Quando 80% não se sentem realizados, o problema não é individual - é sistêmico.

Tatiana Pimenta - CEO da Vittude

7 minutos min de leitura
ESG
17 de fevereiro de 2026
O ESG deixou de ser uma iniciativa reputacional ou opcional para se tornar uma condição de sobrevivência empresarial, especialmente a partir de 2026, quando exigências regulatórias, como os padrões IFRS S1 e S2, sanções da CVM e acordos internacionais passam a impactar diretamente a operação, o acesso a mercados e ao capital. A agenda ESG saiu do marketing e entrou no compliance - e isso redefine o que significa gerir um negócio

Paulo Josef Gouvêa da Gama - Coordenador do Comitê Administrativo e Financeiro da Sustentalli

4 minutos min de leitura