Liderança, Carreira, Cultura organizacional

Quatro elementos para construir um ambiente que inspira e desenvolve pessoas

Simon Sinek diz que “existem duas maneiras de influenciar o comportamento humano. Você pode inspirá-los ou manipulá-los”
Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Compartilhar:

No documentário “Quem se importa?”, sobre empreendedorismo social, um dos entrevistados é [Muhammad Yunus](https://www.revistahsm.com.br/post/sistema-b-certifica-o-impacto-positivo), ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006. Em sua entrevista, ele fala sobre como um bonsai pode ser uma pequena árvore em uma bandeja ou pode se tornar a árvore mais frondosa de uma floresta, e o que vai [determinar isso é o ambiente](https://www.revistahsm.com.br/post/livros-apontam-caminhos-para-uma-lideranca-inclusiva).

Existem três tipos de ambientes: ambiente inóspito (sem condições para aquela planta), ambiente inadequado e o ambiente ideal. Pensando nessa metáfora, qual é o ambiente da sua organização e da sua área hoje? A resposta não deve ser dada exclusivamente pela liderança, mas sim [por todos do time](https://www.revistahsm.com.br/post/voce-sabe-gerenciar-o-seu-chefe), para de fato haver uma visão coesa da realidade.

Para um bonsai crescer, ele precisa de duas condições: a primeira é espaço para suas raízes se aprofundarem e ramificarem na terra; a outra é a existência de fatores que estimulem seu desenvolvimento.

## Impasse do crescimento nas organizações

No mundo corporativo, também é preciso haver condições de crescimento. No entanto, existe um grande dilema nesse contexto: do lado dos gestores, a pergunta é: como vamos manter nossos colabores de alto potencial engajados e inspirados? E do lado dos times, a questão é: como encontrar um ambiente propício para meu crescimento?

Daniela Diniz, que também é [colunista desta HSM Management](https://www.revistahsm.com.br/colunistas/daniela-diniz—trabalho-40), falou em um evento algo que chamou bastante atenção: “Pare de tentar reter talentos, construa uma relação que seja boa enquanto dure”.

Essa afirmação foi bastante pertinente, pois sempre que falo sobre o tema ‘jovens talentos’ em aulas para executivos da Fundação Dom Cabral ou em programas in company da Eureca, vejo que a liderança se preocupa em conseguir manter àquelas pessoas de alto potencial inspiradas e engajadas na organização.

## Ambientes de trabalho e “o melhor de si”

Realmente, o ambiente vai determinar o tipo de cultura que será criado e o nível de engajamento e satisfação dos colaboradores. [Simon Sinek](https://www.revistahsm.com.br/post/liderando-na-industria-4-0), um dos autores de negócios mais lidos dos últimos anos, diz no livro “[O jogo infinito](https://sextante.com.br/livros/o-jogo-infinito/)” que “líderes são responsáveis por criar um ambiente em que as pessoas sintam que podem ser o melhor de si”. Lideranças precisam criar esses ambientes que inspiram, desafiam e fazem seus times evoluírem.

Ao estudarmos grandes autores do mundo corporativo como [Martin Seligman](https://www.revistahsm.com.br/post/felicidade-trabalho-e-produtividade), Dan Pink, Shawn Achor e [Mihaly Csikszentmihalyi](https://www.revistahsm.com.br/post/plato-de-carreira-como-superar-a-estagnacao-profissional), podemos tirar bons princípios para aplicarmos ao contexto das nossas empresas.

Nesse sentido, fizemos uma curadoria de quatro elementos que podem ser usados para construir um ambiente que inspire e faça as pessoas darem o melhor de si:

__- Significado –__ Essa pauta de [busca por propósito](https://www.revistahsm.com.br/post/planejar-ou-nao-planejar-a-carreira-eis-a-questao) pode até parecer “modinha”, mas de fato isso é importante. O ser humano tem uma necessidade intrínseca de entender porque faz o que faz. É essencial que se tenha consciência das suas atividades.

Alguns líderes pensam que basta ter o grande propósito da empresa e tudo está resolvido, mas não é bem assim. Além do propósito organizacional, é preciso ter a consciência do propósito da sua área e como ela está contribuindo para o propósito maior. Na verdade, cada pessoa precisa conectar o propósito dela aos da área e da empresa.

__- Desafio –__ Ser desafiado é essencial para o crescimento. Mihaly traz, em seu livro “[Flow: a psicologia do alto desempenho e da felicidade](https://editoraauster.com.br/flow)”, sua teoria de que “flow” é um estado mental de operação em que a pessoa está totalmente imersa no que está fazendo, caracterizado por um sentimento de total [envolvimento e sucesso no processo da atividade](https://www.revistahsm.com.br/post/plato-de-carreira-como-superar-a-estagnacao-profissional). Esse estado é alcançado por dois eixos: o tamanho da competência e o nível do desafio que se tem.

__- Contribuição –__ Esse elemento diz respeito a quanto o trabalho da pessoa é reconhecido e o quanto ela percebe que seu trabalho é útil para a organização. Temos uma cultura em que as pessoas são obrigadas a cumprir carga horária e, às vezes, mesmo que não tenha o que fazer, precisam esperar o tempo passar. Isso vai desmotivando e tirando o nível de engajamento. Muitos líderes acham que o reconhecimento estraga, mas, na verdade, é uma excelente maneira de manter as pessoas engajadas.

O professor Cortella (que, inclusive, já foi entrevistado aqui em nossa coluna)[ afirma em uma entrevista](https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2016/08/reconhecimento-e-melhor-forma-de-estimular-alguem.html) que: “reconhecimento não é só pecuniário, financeiro, é autoral. É necessário que a empresa exalte, mostre quem colaborou com aquilo. À medida que você tem reconhecimento, comemoração, celebração, isso dá energia vital para continuar fazendo.”

__- Pertencimento –__ Um [estudo global](https://www.bcg.com/publications/2014/people-organization-human-resources-decoding-global-talent) realizado pelo Boston Consulting Group, com mais de 200 mil pessoas em todos os continentes, fez um levantamento dos 26 principais fatos que motivam uma pessoa no seu ambiente de trabalho. Esse estudo apresenta na segunda posição as relações com os colegas de trabalho, e em quarto lugar a relação com seu superior. Isso indica que faz parte das necessidades humanas querer [pertencer a um lugar](https://www.revistahsm.com.br/post/sua-lideranca-e-inclusiva) e fazer parte de algo.

## Avaliando ambientes inspiradores

Diante desses quatro elementos descritos acima, faça uma análise com as seguintes perguntas para identificar o perfil do ambiente da sua organização:

__1.__ Sua área tem um propósito que contribui com o propósito da empresa como um todo?

__2.__ Todas as pessoas que trabalham com você saberiam explicar o seu propósito?

__3.__ É possível enxergar o propósito no dia a dia de atividades?

__4.__ As pessoas têm autonomia para começar novos projetos?

__5.__ As tarefas das pessoas são pensadas como formas de ajudá-las a se desenvolverem?

__6.__ Os liderados têm liberdade para [dar feedback](https://www.revistahsm.com.br/post/manual-do-feedback-7-passos-para-nao-errar) aos seus líderes?

__7.__ Existe algum tipo de reconhecimento diário?

__8.__ As pessoas diariamente falam de suas conquistas e têm senso de realização?

__9.__ Os times comemoram micro vitórias e pequenos avanços?

__10.__ Existe uma cultura de colaboração intensa e frequente entre os diferentes times?

__11.__ Existe uma relação de amizade e respeito além do ambiente de trabalho entre as pessoas?

__12.__ Os objetivos e sonhos são co-criados e compartilhados entre os times?

Para cada pergunta, dê uma nota de 0 a 3.

Resultados: até 15, seu ambiente é inóspito. Entre 15 e 25, seu ambiente é inadequado. Entre 25 e 36, seu ambiente é ideal.

E aí, como foi essa autoanálise? E se fôssemos rodar essa pesquisa na sua equipe, qual seria a resposta dos colaboradores? É preciso constantemente cuidar do seu ambiente para, de fato, fazer com que as pessoas prosperem e se desenvolvam.

Dessa forma, haverá um espaço que consegue extrair o melhor de cada pessoa, fazer com que todos continuem crescendo e, consequentemente, que sua área também evolua e se desenvolva.

## Insights para sua carreira

Por fim, outras perspectivas podem ajudar líderes e talentos na criação de ambientes inspiradores nas organizações. Aos líderes, dois insights são pertinentes.

De início, faça um diagnóstico para entender como as pessoas do seu time percebem o ambiente de trabalho. Em seguida, escolha um dos quatro elementos para começar a trabalhar e criar uma rotina de trabalho para desenvolver esse ambiente.

Aos talentos, cabe avaliar seu ambiente atual de trabalho para perceber quais desses elementos estão presentes na empresa, de modo a propor, posteriormente, as mudanças que enriqueçam os ambientes, tornando-os inspiradores para toda a organização.

Compartilhar:

Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Artigos relacionados

Todo fim de ano, o passado se reelege no seu orçamento

Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

A AGI já chegou? E se Ray Kurzweil estiver certo há mais tempo do que imaginávamos?

As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

O que uma prótese de quadril me ensinou sobre os erros de decisão dentro das empresas

Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução