Tecnologia & inteligencia artificial, Marketing & growth
4 minutos min de leitura

Quem ainda será relevante no marketing quando a IA virar padrão

À medida que a tecnologia se democratiza, a vantagem competitiva migra para a forma de operar. Este artigo demonstra que como q inteligência artificial já é comum, o diferencial agora está em quem sabe transformá‑la em sistema de crescimento.
Co-fundador e CMO do Reportei

Compartilhar:

A inteligência artificial já faz parte da rotina do marketing digital, mas o impacto mais profundo dessa transformação ainda está em curso. O que muda agora não é apenas a forma de executar tarefas, mas os critérios que definem relevância e empregabilidade no setor.

Uma pesquisa recente do Reportei com 186 profissionais mostra que 82,5% já utilizam inteligência artificial diariamente. O uso está concentrado em geração de ideias, produção de conteúdo e análise de dados, o que indica uma adoção ampla no nível operacional. Ao mesmo tempo, apenas 27,38% utilizam automação de forma estruturada, enquanto 59,53% ainda não adotam nenhuma ferramenta desse tipo. A conclusão que surge é de um mercado que incorporou velocidade, mas ainda convive com limitações importantes de organização e escala.

Essa assimetria revela um ponto central. A tecnologia está presente, mas sua aplicação ainda é fragmentada. Em muitos casos, a inteligência artificial funciona como um acelerador de tarefas isoladas, sem necessariamente transformar a lógica de funcionamento das operações. O resultado é um ganho de produtividade que não se traduz integralmente em eficiência ou crescimento sustentável.

Esse cenário ajuda a explicar por que a empregabilidade no marketing começa a se reorganizar. Durante anos, a execução foi o principal diferencial. Criar campanhas, produzir conteúdo e acompanhar métricas eram habilidades suficientes para sustentar valor no mercado. Com a IA absorvendo parte significativa dessas atividades, o foco se desloca para a capacidade de estruturar, conectar e escalar.

Os próprios dados reforçam essa mudança. Entre os principais obstáculos para adoção de automação estão a falta de conhecimento técnico, o custo das ferramentas e dificuldades de integração. Há também uma parcela relevante de profissionais que não sabem por onde começar. Isso mostra que o desafio deixou de ser acesso à tecnologia e passou a ser capacidade de organização e desenho de processos.

Ao mesmo tempo, 30,12% dos profissionais afirmam que gostariam de reduzir atividades operacionais no dia a dia. A contradição é evidente. Existe uma demanda clara por eficiência, mas a estrutura ainda não acompanha essa necessidade. Enquanto isso, a pressão por performance continua aumentando, exigindo mais resultados com menos recursos.

Nesse contexto, a forma como a tecnologia é incorporada faz diferença direta no valor gerado. Operações que conseguem integrar dados, automatizar rotinas e estruturar fluxos ganham previsibilidade e escala. Isso libera tempo para atividades de maior impacto, como análise, estratégia e tomada de decisão. Já estruturas mais fragmentadas tendem a operar com maior custo, mais retrabalho e menor capacidade de evolução.

A inteligência artificial também começa a influenciar o desenho das próprias estratégias. Quando integrada aos processos, ela amplia a capacidade de testar hipóteses, personalizar campanhas e responder com mais agilidade às mudanças de comportamento do consumidor. O uso contínuo gera aprendizado, que se retroalimenta e melhora a performance ao longo do tempo. Esse tipo de aplicação ainda é menos comum, mas tende a definir o próximo estágio de maturidade do marketing.

O mercado já sinaliza uma diferenciação crescente entre perfis profissionais. De um lado, estão aqueles que utilizam a tecnologia como apoio pontual. De outro, profissionais que conseguem transformar ferramentas em sistemas de crescimento, conectando canais, dados e processos de forma consistente. Essa diferença impacta diretamente a capacidade de gerar resultado e, consequentemente, a relevância no mercado.

O avanço da inteligência artificial não elimina o trabalho em marketing, mas redefine o que gera valor. A execução continua importante, mas deixa de ser suficiente. A construção de operações mais inteligentes, integradas e orientadas por dados passa a ocupar um espaço central.

À medida que a tecnologia se torna mais acessível, a vantagem competitiva tende a migrar para a forma como ela é utilizada. O uso superficial tende a se tornar comum. Já a capacidade de estruturar e escalar operações deve se consolidar como um diferencial mais raro.

No fim, a discussão sobre o futuro do marketing passa menos pela adoção de ferramentas e mais pela maturidade na forma de operar. A inteligência artificial já está disponível para a maioria. A diferença, agora, está em quem consegue transformar esse acesso em consistência, eficiência e crescimento.

Compartilhar:

Artigos relacionados

74% das marcas poderiam desaparecer – e ninguém sentiria falta

No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.

O Brasil na corrida farmacêutica global

Este é o segundo artigo de uma série que explora o setor farmacêutico brasileiro, suas capacidades industriais, dependências e posição na nova corrida global da saúde. Para sua elaboração, foram consideradas contribuições de Reginaldo Braga Arcuri, presidente executivo do Grupo FarmaBrasil, entidade que reúne algumas das principais fabricantes nacionais de medicamentos. Recomenda-se também a leitura do primeiro artigo da série.

Sem operação, agentes inteligentes são apenas promessas

IA sem operação é só experimento caro. Este artigo revela por que a maioria das iniciativas ainda não gera impacto real – e como o verdadeiro desafio não está na tecnologia, mas na capacidade de estruturar, governar e operar processos em escala.

Inovação & estratégia
7 de maio de 2026 15H00
Este artigo mostra por que a inteligência artificial está deslocando o foco da gestão do tempo para o desenho inteligente do trabalho - e como simplificar processos, em vez de acelerá‑los, se tornou a nova vantagem competitiva.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de maio de 2026 08H00
Em vez de acelerar a inovação, o excesso de opções em inteligência artificial está paralisando líderes. Este artigo mostra por que a indecisão virou risco estratégico - e apresenta um caminho prático para escolher, implementar e capturar valor antes que seja tarde.

Osvaldo Aranha - Empresário, palestrante e mentor em Inteligência Artificial, Inovação e Futuro do Trabalho

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
6 de maio de 2026 15H00
Depois de organizar clientes, operações e dados, falta às empresas organizar a si mesmas. Este artigo apresenta o One Corporate Center como a próxima fronteira competitiva.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Liderança
6 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra que quando cinco gerações convivem nas empresas e nas famílias, a liderança deixa de ser apenas um papel corporativo e passa a exigir coerência, empatia e presença em todos os espaços da vida.

Ale Carreiro - Empresário, Fundador e Diretor Comercial da EBEC - Empresa Brasileira de Educação Corporativa

13 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de maio de 2026 14H00
Com crescimento acelerado na contratação internacional e um fluxo cada vez mais bidirecional de talentos, o Brasil deixa de ser apenas exportador de profissionais e passa a se consolidar como um hub global de inteligência artificial - conectado às principais redes de inovação do mundo.

Michelle Cascardo - Gerente de vendas para América Latina da Deel

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
5 de maio de 2026 08H00
Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos - e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
4 de maio de 2026 15H00
Ao comparar a indústria automotiva ao mercado de smartphones, este artigo revela como a perda de diferenciação técnica acelera a comoditização e expõe um desafio central: só marcas com forte valor simbólico conseguem sustentar margens na era dos “carros‑gadget”.

Rodrigo Cerveira - Sócio e CMO da Vórtx e co-fundador do Strategy Studio

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de maio de 2026 08H00
Quando a IA torna o conteúdo replicável, a influência só sobrevive onde há autenticidade, PI e governança. Este artigo discute por que o alcance virou commodity - e a narrativa, ativo estratégico.

Igor Beltrão -Diretor Artístico da Viraliza Entretenimento

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Gestão de Pessoas
3 de maio de 2026 12H00
Equipes não falham por falta de competência, mas por ausência de confiança. Este artigo explora como a vulnerabilidade consciente cria segurança psicológica, fortalece relações e eleva a performance.

Ivnes Lira Garrido - Educador, Mentor, Consultor Organizacional e Facilitador de Workshops

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de maio de 2026 08H00
Mais do que tecnologia, a inteligência artificial exige compreensão. Este artigo mostra por que a falta de letramento em IA já representa um risco estratégico para empresas que querem continuar relevantes.

Davi Almeida - Sócio da EloGroup, Rodrigo Martineli - Executive Advisor da EloGroup e Pedro Escobar - Gerente sênior da EloGroup

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão