Tecnologia & inteligencia artificial, Marketing & growth
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Quem ainda será relevante no marketing quando a IA virar padrão

À medida que a tecnologia se democratiza, a vantagem competitiva migra para a forma de operar. Este artigo demonstra que como q inteligência artificial já é comum, o diferencial agora está em quem sabe transformá‑la em sistema de crescimento.
Co-fundador e CMO do Reportei

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A inteligência artificial já faz parte da rotina do marketing digital, mas o impacto mais profundo dessa transformação ainda está em curso. O que muda agora não é apenas a forma de executar tarefas, mas os critérios que definem relevância e empregabilidade no setor.

Uma pesquisa recente do Reportei com 186 profissionais mostra que 82,5% já utilizam inteligência artificial diariamente. O uso está concentrado em geração de ideias, produção de conteúdo e análise de dados, o que indica uma adoção ampla no nível operacional. Ao mesmo tempo, apenas 27,38% utilizam automação de forma estruturada, enquanto 59,53% ainda não adotam nenhuma ferramenta desse tipo. A conclusão que surge é de um mercado que incorporou velocidade, mas ainda convive com limitações importantes de organização e escala.

Essa assimetria revela um ponto central. A tecnologia está presente, mas sua aplicação ainda é fragmentada. Em muitos casos, a inteligência artificial funciona como um acelerador de tarefas isoladas, sem necessariamente transformar a lógica de funcionamento das operações. O resultado é um ganho de produtividade que não se traduz integralmente em eficiência ou crescimento sustentável.

Esse cenário ajuda a explicar por que a empregabilidade no marketing começa a se reorganizar. Durante anos, a execução foi o principal diferencial. Criar campanhas, produzir conteúdo e acompanhar métricas eram habilidades suficientes para sustentar valor no mercado. Com a IA absorvendo parte significativa dessas atividades, o foco se desloca para a capacidade de estruturar, conectar e escalar.

Os próprios dados reforçam essa mudança. Entre os principais obstáculos para adoção de automação estão a falta de conhecimento técnico, o custo das ferramentas e dificuldades de integração. Há também uma parcela relevante de profissionais que não sabem por onde começar. Isso mostra que o desafio deixou de ser acesso à tecnologia e passou a ser capacidade de organização e desenho de processos.

Ao mesmo tempo, 30,12% dos profissionais afirmam que gostariam de reduzir atividades operacionais no dia a dia. A contradição é evidente. Existe uma demanda clara por eficiência, mas a estrutura ainda não acompanha essa necessidade. Enquanto isso, a pressão por performance continua aumentando, exigindo mais resultados com menos recursos.

Nesse contexto, a forma como a tecnologia é incorporada faz diferença direta no valor gerado. Operações que conseguem integrar dados, automatizar rotinas e estruturar fluxos ganham previsibilidade e escala. Isso libera tempo para atividades de maior impacto, como análise, estratégia e tomada de decisão. Já estruturas mais fragmentadas tendem a operar com maior custo, mais retrabalho e menor capacidade de evolução.

A inteligência artificial também começa a influenciar o desenho das próprias estratégias. Quando integrada aos processos, ela amplia a capacidade de testar hipóteses, personalizar campanhas e responder com mais agilidade às mudanças de comportamento do consumidor. O uso contínuo gera aprendizado, que se retroalimenta e melhora a performance ao longo do tempo. Esse tipo de aplicação ainda é menos comum, mas tende a definir o próximo estágio de maturidade do marketing.

O mercado já sinaliza uma diferenciação crescente entre perfis profissionais. De um lado, estão aqueles que utilizam a tecnologia como apoio pontual. De outro, profissionais que conseguem transformar ferramentas em sistemas de crescimento, conectando canais, dados e processos de forma consistente. Essa diferença impacta diretamente a capacidade de gerar resultado e, consequentemente, a relevância no mercado.

O avanço da inteligência artificial não elimina o trabalho em marketing, mas redefine o que gera valor. A execução continua importante, mas deixa de ser suficiente. A construção de operações mais inteligentes, integradas e orientadas por dados passa a ocupar um espaço central.

À medida que a tecnologia se torna mais acessível, a vantagem competitiva tende a migrar para a forma como ela é utilizada. O uso superficial tende a se tornar comum. Já a capacidade de estruturar e escalar operações deve se consolidar como um diferencial mais raro.

No fim, a discussão sobre o futuro do marketing passa menos pela adoção de ferramentas e mais pela maturidade na forma de operar. A inteligência artificial já está disponível para a maioria. A diferença, agora, está em quem consegue transformar esse acesso em consistência, eficiência e crescimento.

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