Assunto pessoal

Seu pensamento pode cansar e paralisar você

Paradoxos de pensamento nos levam a um estado de exaustão. Veja cinco paradoxos comuns que podem estar sugando sua energia num ciclo vicioso
Flávia Lippi é jornalista científica, empreendedora social, pesquisadora e criadora de conteúdos sobre neurociências e comportamento aplicado à pessoas e organizações, saúde mental, gestão emocional e inovação nas relações de trabalho. Publicou 13 livros e 8 best-sellers. Criou o método e plataforma A EQUAÇÃO.

Compartilhar:

É normal termos dias em que o cansaço toma conta, segundo os pesquisadores Dittner, Wessely e Brown, do King’s College London e da St. Thomas’ School of Medicine. Mas ficar exausto o tempo todo é um sinal de alerta. Muitas vezes, não é possível reconhecer por conta própria esse fenômeno, o que torna a situação ainda mais complexa. Acontece quando a tecnologia domina o dia a dia sem pausas, a agenda é ocupada por todos menos por você mesmo e há um descompasso entre o que o corpo pede e a cabeça manda. O sinal mais evidente são os ciclos de pensamento que constituem paradoxos sem fim, capturando a atenção e paralisando-o quando você deveria agir.

Para ajudar você a reconhecer esses sinais e agir a respeito, listo cinco paradoxos comuns:

__Paradoxo da atividade física.__ Após um longo dia de trabalho, muitas vezes com cansaço e estresse, é comum abandonar a rotina de exercícios físicos planejada (malhar na academia ou caminhada e o alongamento). A verdade é que, por mais que seja contraintuitivo, queimar energia reenergiza o corpo e prepara você para as atividades mais cansativas. Reflita: corpo e saúde são prioridades?

__Paradoxo do autocuidado.__ Cuidar de si mesmo pode se transformar em pressão constante para atingir o padrão de beleza considerado ideal pela sociedade. Particularmente na era da super-exposição da mídia. Quando o cuidado deixa de ser rotina de bem-estar e se torna obrigação de estar perfeito, vale uma reflexão.Você vive para quem?

__Paradoxo do autodesenvolvimento.__ Cobrar-se aprender pode cansar muito. E não conseguir alcançar os objetivos o frustrará. Há caminho melhor? As pesquisadoras Breines e Chen, da University of California em Berkeley, fizeram um experimento e descobriram um: ter mais autocompaixão e autoaceitação. Quanto mais as pessoas têm isso, mais motivadas a se desenvolver elas ficam. Então, reflita: o investimento em si mesmo é alinhado com seus valores pessoais e vem de um profundo desejo de se autoconhecer ou é só fruto de autocobranças excessivas e exigências sociais?

__Paradoxo da escolha.__ É comum acreditar que infinitas possibilidades trazem liberdade de escolha. Mas ter 1.001 oportunidades pode transformar o senso de liberdade em sensação de estar à deriva, agonia e culpa pelo peso da responsabilidade das escolhas. É como ver a foto de alguém na praia e pensar que está desperdiçando seus finais de semana estudando. O filósofo Jean-Paul Sartre resume esse paradoxo: “viver é ficar equilibrando o tempo todo escolhas e consequências”. Reflita: suas escolhas são fruto desse paradoxo ou do desejo de alcançar algo que você sonhou?

__Paradoxo da produtividade.__ Você acha que, quanto mais tarefas uma pessoa cumpre, maior produtividade ela tem? Não. O nome disso é produção. Para Steve Uzzell, autor de The One Thing, “cumprir várias tarefas de uma vez só é a oportunidade de estragar várias coisas ao mesmo tempo”. A verdadeira produtividade diz respeito à qualidade e ao valor das tarefas completadas. Olhe para a agenda que lota seu dia. Tem produção ou produtividade?

Convido você a analisar esses paradoxos sob três pilares: planos, objetivos, ações. Sempre que houver desalinhamento entre os três, o foco está onde não deveria. E vem o cansaço.

__Leia também: [Pensar cansa mesmo – a ciência confirma](https://www.revistahsm.com.br/post/pensar-cansa-mesmo-a-ciencia-confirma)__

Artigo publicado na HSM Management nº 154

Compartilhar:

Artigos relacionados

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Villain Era: a oportunidade das marcas para escutar quem cansa de agradar

Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Por que a filosofia voltou a ser uma ferramenta de gestão

Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

A tecnologia muda. A essência da advocacia permanece.

Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Chega de olhar pelo retrovisor

A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Cultura organizacional
21 de julho de 2026 14H00
A desconexão entre pessoas custa bilhões às empresas todos os dias. Ainda assim, muitas organizações seguem tratando cultura como documento, engajamento como métrica e comunicação como ferramenta. Talvez o problema esteja justamente aí.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de julho de 2026 09H00
A construção civil está deixando para trás práticas marcadas por desperdícios e retrabalhos. O avanço de soluções industrializadas, novas tecnologias e modelos de gestão mais eficientes aponta para um novo cenário: construir com mais qualidade, menor impacto e maior previsibilidade.

Rafael Brizot - Diretor da Max Mohr

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
20 de julho de 2026 14H00
Sem maturidade informacional, a IA não elimina problemas, apenas os torna mais rápidos e mais difíceis de controlar.

Bergson Lopes - Fundador e sócio-diretor da BLR DATA, Vice-presidente da DAMA Brasil

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
20 de julho de 2026 07H00
Quase 80% dos trabalhadores sentem culpa ao tirar férias e muitos continuam respondendo mensagens durante o período de descanso. O artigo discute como essa cultura afeta pessoas e organizações e por que líderes precisam dar o exemplo para transformar a relação com o descanso.

Tatiana Pimenta - Fundadora e CEO da Vittude e autora do livro “Saúde mental é inegociável”

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 14H00
WhatsApp, redes sociais, chats e inteligência artificial mudaram a forma como as empresas se relacionam com seus clientes. O desafio agora não é apenas responder mais rápido, mas transformar cada interação em uma oportunidade de fortalecer confiança, reputação e valor de marca.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 08H00
Pensamento estratégico, julgamento humano, curadoria de ferramentas digitais, desaprendizagem contínua e construção de significado despontam como as competências que diferenciarão profissionais em uma era em que inteligência e execução estão cada vez mais distribuídas entre pessoas e máquinas.

Denis Caldeira - CEO da Caldeira Growth e autor de "Cresça ou Desapareça"

8 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Cultura organizacional, User Experience, UX
18 de julho de 2026 14H00
À medida que os eventos se consolidam como ferramentas de cultura, engajamento e construção de relacionamentos, a escolha dos destinos deixa de ser uma decisão operacional. Este artigo explora como experiências, conexões humanas e identidade local estão redefinindo o papel dos encontros corporativos e transformando cidades em plataformas de desenvolvimento econômico e cultural.

Aziz Camali Constantino - Idealizador e cofundador do Oxigênio Ilhabela

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de julho de 2026 07H00
Enquanto a maioria das empresas não pode se dar ao luxo de substituir sistemas críticos da noite para o dia, startups vêm assumindo um papel estratégico na construção de uma transformação tecnológica mais rápida, modular e segura.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI e líder do TQI Ventures

3 minutos min de leitura
Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de julho de 2026 13H00
Ferramentas de IA já produzem textos, avaliações, vídeos e conteúdos em segundos. Mas a transformação mais importante talvez não esteja na velocidade da produção, e sim na capacidade de redesenhar experiências de aprendizagem que desenvolvam pensamento crítico, prática, feedback e autonomia humana.

Daniel Luzzi - Fundador e CEO da Cognita Learning Lab

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de julho de 2026 08H00
A sensação constante de apagar incêndios não é apenas um problema de produtividade. Este artigo mostra por que organização, gestão da agenda e definição de limites são competências essenciais para preservar desempenho, reduzir o esgotamento e recuperar o controle sobre a própria rotina profissional.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo