Liderança

Sonhe com ambição, lidere com convicção: as prescrições do discurso de Kamala Harris

Repleta de símbolos, a fala da primeira mulher a ocupar vice-presidência dos EUA é um recado para todos nós
Elisa Rosenthal é a diretora presidente do Instituto Mulheres do Imobiliário. LinkedIn Top Voices, TEDx Speaker, produz e apresenta o podcast Vieses Femininos. Autora de Proprietárias: A ascensão da liderança feminina no setor imobiliário.

Compartilhar:

O mês de novembro começou com um fato histórico: a eleição da primeira mulher negra, filha de imigrantes, para vice-presidente dos Estados Unidos. Ao lado de Joe Biden, Kamala terá um enorme desafio de liderança nos próximos 4 anos. E sua jornada começa com uma mensagem de força e esperança, especialmente para meninas e mulheres de todo o mundo.

*”Eu posso ser a primeira mulher neste cargo, mas não serei a última. Porque toda garotinha nos assistindo hoje vai ver que este é um país de possibilidades.”*

O trecho do discurso da vitória reforçou o que a executiva Audrey Gelman afirmou ao sair grávida na capa da INC Magazine: “Você não pode ser o que não pode ver”. E todos nós vimos Kamala caminhar em direção ao púlpito, vestindo o terno branco.

A escolha da roupa tem um enorme significado: a cor das sufragistas, mulheres que lutaram pelo direito ao voto em 1920.

E, se entre as quatro paredes do universo corporativo o debate sobre o tradicional “dress code” parece perder força, na fala da representatividade, a moda pode ser uma poderosa ferramenta de comunicação.

A cor branca também foi a escolhida por milhares de mulheres lideradas por Gloria Steinem e Betty Friedan, quando marcharam em Washington para apoiar a emenda pela Igualdade de direitos, em 1978.

Geraldine Ferraro, a primeira candidata à vice-presidência dos EUA, também usou um terno branco, quando aceitou a nomeação do Partido Democrata, em 1984.

Assim como Hillary Clinton ao assumir sua nomeação para concorrer à Presidência nas últimas eleições americanas, ato que impulsionou as redes sociais na campanha #wearwhitetovote (vista branco para votar).

Em fevereiro passado, as democratas da Câmara de Representantes (deputados) compareceram ao discurso do Estado da União de branco, reivindicando a igualdade de gênero.

Numa das eleições mais disputadas da história, o branco também pode simbolizar o pedido de trégua, uma vez que a bandeira branca é usada para representar a paz entre os povos, torcidas e exércitos.

Foram muitas as mensagens verbais e não verbais do primeiro discurso da dupla que irá comandar a maior potência do planeta nos próximos anos, o que não deixa dúvidas sobre a importância da comunicação que transmitimos, seja pelas palavras, símbolos e, principalmente, pelos nossos atos.

## Sonhe com ambição

O instituto criado pela designer de moda americana Tory Burch e que leva o mesmo nome da estilista foi fundado em 2009 e propõe a reflexão com uma provocação: abrace sua ambição.

“Conforme nossa empresa cresceu, aprendi sobre os obstáculos que as mulheres enfrentam, desde equilibrar trabalho e família (meu maior desafio) até obter financiamento. Muitas também carecem da confiança, das redes de negócios e do treinamento de que precisam para concretizar suas ideias”.

Sabemos que diferença entre o veneno e o remédio está na dose e a ambição é uma virtude que, por vezes, fica condenada por esta delicada dosagem.

O que Kamala trouxe em seu discurso foi a prescrição ideal para todas as meninas e mulheres que irão acompanhar ainda mais de perto a sua ascensão profissional.

“E às crianças do nosso país, independentemente do seu gênero, mandamos uma mensagem clara: sonhe com ambição, lidere com convicção e veja-se onde os outros podem não ver você, simplesmente porque eles nunca viram antes. E nós aplaudiremos vocês em todos os passos do caminho.”

Agora resta a nós, cidadãos do mundo, que atuamos de forma independente ou por meio de instituições e corporações, seguir os passos deste caminho, lembrando de deixar sempre um sinal para aquelas que virão.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Executivos estão estudando contabilidade para chegar ao C-level. Eu fiz o caminho inverso.

O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Segurança cibernética: o orçamento está protegendo os riscos certos?

O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

O Brasil tem muitos fundos ou muito risco? O que os números realmente mostram

O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

Liderança
4 de outubro de 2026 14H00
Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de outubro de 2026 08H00
Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Pedro Fenati Bicalho - Sócio-diretor da FC Partners

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
3 de outubro de 2026 14H00
Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

5 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance
3 de outubro de 2026 08H00
Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de outubro de 2026 14H00
Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Carolina Ferrés - Diretora POK Brasil

Oferecido por: POK
11 minutos min de leitura
Cultura organizacional
2 de outubro de 2026 08H00
Medo e pressão são ótimos para o resultado. Desde que você não precise das mesmas pessoas no trimestre seguinte.

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Comunicação, Estratégia
1º de outubro de 2026 14H00
Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

Caetano Tona - Fundador da Life Lab, TEDx Organizer e Professor de Comunicação na ESPM

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT