Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
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Sua empresa não precisa de mais IA – precisa de menos gente errada

Este artigo mostra que o problema não está na tecnologia, mas na manutenção de estruturas organizacionais inchadas e pouco preparadas para extrair valor da nova lógica do trabalho.
Juliana Ramalho é CEO da Talento Sênior - A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais - e sócia-fundadora da Talento Incluir - um ecossistema da diversidade e inclusão pioneiro no Brasil. Além das operações da consultoria, é responsável por inovação, tecnologia e expansão internacional. Com 20 anos de experiência no mercado financeiro, passou por diversas áreas no banco Santander, incluindo a superintendência de área de estratégia. É formada em engenharia pela Escola Politécnica (USP), pós-graduada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (USP), MBA internacional na Columbia Business School, em NYC e com Formação Executiva em Mercado da Longevidade pela FGV. Co-autora do livro Economia Prateada — Inovações e oportunidades

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Quase nove em cada dez empresas já implantaram alguma forma de inteligência artificial em pelo menos uma função de negócio. É o que mostra o relatório State of AI 2025 da McKinsey. O dado parece promissor, até você ler a frase: 94% dos respondentes afirmam não enxergar valor significativo dessas iniciativas.

O paradoxo está nos números. Segundo a McKinsey, 94% das empresas que adotaram IA afirmam não enxergar valor significativo dessas iniciativas. Mais tecnologia, mesma estrutura. Mais custo, mesmo resultado.O problema não está na ferramenta. Está na lógica com que a empresa foi construída.

O erro que a IA está tornando insustentável

Durante décadas, crescer significou contratar. Mais projetos, mais pessoas. Mais complexidade, mais camadas de gestão. A lógica parecia simplese funcionou enquanto o custo de contratar errado não aparecia de forma tão explícita no balanço.

A inteligência artificial acelerou o fim dessa lógica. Ao automatizar funções operacionais e repetitivas, ela não apenas reduz o custo por tarefa  como  redesenha o que uma equipe precisa fazer. Funções inteiras que justificavam headcount deixam de exigir pessoas dedicadas. O que fica é o trabalho que exige julgamento, contexto, relações e capacidade de tomar decisão em situações que a máquina ainda não sabe mapear.

O que a IA não substitui, portanto, não é o colaborador genérico. É o profissional que já viu esse problema antes.

O que distingue as empresas que capturam valor da IA

A McKinsey identificou um grupo pequeno, cerca de 6% das organizações, que efetivamente atribui mais de 5% do EBIT a iniciativas de IA. O que elas fazem de diferente não é tecnológico. É organizacional.

Essas empresas redesenharam fluxos de trabalho em vez de apenas adicionar ferramentas. Formaram times mistos, especialistas no domínio, profissionais de tecnologia e os chamados “tradutores”: pessoas que sabem conectar capacidade técnica ao resultado de negócio, que entendem o problema do negócio e sabem fazer a pergunta certa para a máquina. Têm líderes sêniores que não apenas aprovam orçamento de IA, mas conduzem ativamente a transformação. Organizações com esse perfil são três vezes mais propensas a ter resultados expressivos.

O padrão que emerge é consistente: times menores, mais experientes, com clareza de propósito entregam mais do que times grandes operando com camadas de coordenação e profissionais em curva de aprendizado.

A aritmética que o empresário precisa fazer

Existe uma conta que a maioria das organizações não faz com rigor: o custo real de um time inflado versus o custo de um time enxuto com talento sênior ativado sob demanda.

No modelo tradicional, contratar um executivo de alto nível significa salário, encargos, benefícios, tempo de adaptação e o risco de uma demissão cara se o perfil não se confirmar. Esse custo raramente é calculado integralmente  e quando é, surpreende.

No modelo de senioridade flexível, a empresa acessa o mesmo nível de inteligência executiva por projeto ou período determinado, com escopo claro e entrega mensurável. O profissional entra sabendo o que precisa resolver, sem curva de aprendizado longa, sem passivo trabalhista e sem o compromisso de um cargo que pode se tornar desnecessário quando o problema estiver resolvido.

A diferença não é apenas de custo. É de velocidade. O sênior que já atravessou três reestruturações, dois ciclos de crise e uma transformação digital não precisa de meses para entender o que está acontecendo na empresa. Ele entra, lê o momento, e prescreve a sequência. É exatamente o perfil que a IA mais valoriza  porque faz o que a máquina ainda não consegue: ser o tradutor entre o problema real do negócio e a solução certa.

A decisão que separa os que vão crescer dos que vão inflar

A inteligência artificial não é a ameaça ao emprego que muitos previam. É algo mais sutil e mais profundo: ela é o revelador das ineficiências que já existiam e que o crescimento escondia.

As empresas que vão capturar valor real dessa transformação não são as que compraram mais ferramentas. São as que tiveram a coragem de redesenhar como trabalham,começando pela pergunta que poucos fazem: este cargo existe porque resolve um problema real ou porque sempre existiu?

O time que vai ganhar nos próximos anos não é o maior. É o mais capaz de aprender rápido, decidir bem e executar com precisão. O atalho mais eficiente para chegar lá é saber quando trazer a experiência que faz isso sem precisar construir do zero.

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