Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 minutos min de leitura

Sua empresa não precisa de mais IA – precisa de menos gente errada

Este artigo mostra que o problema não está na tecnologia, mas na manutenção de estruturas organizacionais inchadas e pouco preparadas para extrair valor da nova lógica do trabalho.
Juliana Ramalho é CEO da Talento Sênior - A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais - e sócia-fundadora da Talento Incluir - um ecossistema da diversidade e inclusão pioneiro no Brasil. Além das operações da consultoria, é responsável por inovação, tecnologia e expansão internacional. Com 20 anos de experiência no mercado financeiro, passou por diversas áreas no banco Santander, incluindo a superintendência de área de estratégia. É formada em engenharia pela Escola Politécnica (USP), pós-graduada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (USP), MBA internacional na Columbia Business School, em NYC e com Formação Executiva em Mercado da Longevidade pela FGV. Co-autora do livro Economia Prateada — Inovações e oportunidades

Compartilhar:

Quase nove em cada dez empresas já implantaram alguma forma de inteligência artificial em pelo menos uma função de negócio. É o que mostra o relatório State of AI 2025 da McKinsey. O dado parece promissor, até você ler a frase: 94% dos respondentes afirmam não enxergar valor significativo dessas iniciativas.

O paradoxo está nos números. Segundo a McKinsey, 94% das empresas que adotaram IA afirmam não enxergar valor significativo dessas iniciativas. Mais tecnologia, mesma estrutura. Mais custo, mesmo resultado.O problema não está na ferramenta. Está na lógica com que a empresa foi construída.

O erro que a IA está tornando insustentável

Durante décadas, crescer significou contratar. Mais projetos, mais pessoas. Mais complexidade, mais camadas de gestão. A lógica parecia simplese funcionou enquanto o custo de contratar errado não aparecia de forma tão explícita no balanço.

A inteligência artificial acelerou o fim dessa lógica. Ao automatizar funções operacionais e repetitivas, ela não apenas reduz o custo por tarefa  como  redesenha o que uma equipe precisa fazer. Funções inteiras que justificavam headcount deixam de exigir pessoas dedicadas. O que fica é o trabalho que exige julgamento, contexto, relações e capacidade de tomar decisão em situações que a máquina ainda não sabe mapear.

O que a IA não substitui, portanto, não é o colaborador genérico. É o profissional que já viu esse problema antes.

O que distingue as empresas que capturam valor da IA

A McKinsey identificou um grupo pequeno, cerca de 6% das organizações, que efetivamente atribui mais de 5% do EBIT a iniciativas de IA. O que elas fazem de diferente não é tecnológico. É organizacional.

Essas empresas redesenharam fluxos de trabalho em vez de apenas adicionar ferramentas. Formaram times mistos, especialistas no domínio, profissionais de tecnologia e os chamados “tradutores”: pessoas que sabem conectar capacidade técnica ao resultado de negócio, que entendem o problema do negócio e sabem fazer a pergunta certa para a máquina. Têm líderes sêniores que não apenas aprovam orçamento de IA, mas conduzem ativamente a transformação. Organizações com esse perfil são três vezes mais propensas a ter resultados expressivos.

O padrão que emerge é consistente: times menores, mais experientes, com clareza de propósito entregam mais do que times grandes operando com camadas de coordenação e profissionais em curva de aprendizado.

A aritmética que o empresário precisa fazer

Existe uma conta que a maioria das organizações não faz com rigor: o custo real de um time inflado versus o custo de um time enxuto com talento sênior ativado sob demanda.

No modelo tradicional, contratar um executivo de alto nível significa salário, encargos, benefícios, tempo de adaptação e o risco de uma demissão cara se o perfil não se confirmar. Esse custo raramente é calculado integralmente  e quando é, surpreende.

No modelo de senioridade flexível, a empresa acessa o mesmo nível de inteligência executiva por projeto ou período determinado, com escopo claro e entrega mensurável. O profissional entra sabendo o que precisa resolver, sem curva de aprendizado longa, sem passivo trabalhista e sem o compromisso de um cargo que pode se tornar desnecessário quando o problema estiver resolvido.

A diferença não é apenas de custo. É de velocidade. O sênior que já atravessou três reestruturações, dois ciclos de crise e uma transformação digital não precisa de meses para entender o que está acontecendo na empresa. Ele entra, lê o momento, e prescreve a sequência. É exatamente o perfil que a IA mais valoriza  porque faz o que a máquina ainda não consegue: ser o tradutor entre o problema real do negócio e a solução certa.

A decisão que separa os que vão crescer dos que vão inflar

A inteligência artificial não é a ameaça ao emprego que muitos previam. É algo mais sutil e mais profundo: ela é o revelador das ineficiências que já existiam e que o crescimento escondia.

As empresas que vão capturar valor real dessa transformação não são as que compraram mais ferramentas. São as que tiveram a coragem de redesenhar como trabalham,começando pela pergunta que poucos fazem: este cargo existe porque resolve um problema real ou porque sempre existiu?

O time que vai ganhar nos próximos anos não é o maior. É o mais capaz de aprender rápido, decidir bem e executar com precisão. O atalho mais eficiente para chegar lá é saber quando trazer a experiência que faz isso sem precisar construir do zero.

Compartilhar:

Artigos relacionados

74% das marcas poderiam desaparecer – e ninguém sentiria falta

No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.

O Brasil na corrida farmacêutica global

Este é o segundo artigo de uma série que explora o setor farmacêutico brasileiro, suas capacidades industriais, dependências e posição na nova corrida global da saúde. Para sua elaboração, foram consideradas contribuições de Reginaldo Braga Arcuri, presidente executivo do Grupo FarmaBrasil, entidade que reúne algumas das principais fabricantes nacionais de medicamentos. Recomenda-se também a leitura do primeiro artigo da série.

Sem operação, agentes inteligentes são apenas promessas

IA sem operação é só experimento caro. Este artigo revela por que a maioria das iniciativas ainda não gera impacto real – e como o verdadeiro desafio não está na tecnologia, mas na capacidade de estruturar, governar e operar processos em escala.

Finanças, Inovação & estratégia
13 de maio de 2026 08H00
Entre pressão por resultados imediatos e apostas de longo prazo, este artigo analisa como iniciativas de CVC podem sobreviver ao conservadorismo corporativo e construir valor além do retorno financeiro.

Rafael Siciliani - Gerente de New Business Development na Deloitte

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
12 de maio de 2026 14H00
O que antes era visto como informalidade agora é diferencial: este artigo explora como a cultura brasileira vem ganhando espaço global - e se transformando em ativo estratégico nas empresas.

Bell Gama - Sócia-fundadora da Air Branding

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
12 de maio de 2026 08H00
Enquanto agendas lotam e decisões patinam, este artigo mostra como a ascensão dos agentes de IA expõe a fragilidade das arquiteturas de decisão - e por que insistir em reuniões pode ser sinal de atraso estrutural.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
11 de maio de 2026 15H00
A troca no comando da Apple reacende um dilema central da liderança: como assumir um legado sem se tornar refém dele - e por que repetir o passado pode ser o maior risco em qualquer processo de sucessão.

Maria Eduarda Silveira - CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
11 de maio de 2026 08H00
Vivara, Natura, Blip, iFood e Endeavor já estão usando o Open Talent para ganhar agilidade e impacto. Este artigo revela por que a liderança por projeto e o talento sob demanda estão redesenhando o futuro do trabalho.

Cristiane Mendes - CEO da Chiefs.Group

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
10 de maio de 2026 15H00
Em certas empresas, estar certo não basta - é preciso ser relevante na sala onde as decisões realmente acontecem. Este artigo revela por que, em estruturas de controle concentrado, a influência do CFO depende menos da planilha e mais da capacidade de ler pessoas, contexto e poder.

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de maio de 2026 08H00
Este artigo revela como contratações executivas mal calibradas - ou decisões adiadas - geram custos invisíveis que travam crescimento, atrasam decisões e comprometem resultados no longo prazo.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
9 de maio de 2026 15H00
Em um setor marcado por desafios constantes, este artigo revela por que a verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de evoluir com consistência, fortalecer relações e entregar valor sustentável no longo prazo.

Rodrigo M. Bortolini - Diretor-presidente da Selgron

5 minutos min de leitura
ESG, Liderança
9 de maio de 2026 09H00
Em um mundo de incerteza crescente, manter conselhos homogêneos deixou de ser conforto - passou a ser risco. Este artigo deixa claro que atingir massa crítica de diversidade não é agenda social, é condição para decisões mais robustas e resultados superiores no longo prazo.

Anna Guimarães - Presidente do Conselho Consultivo do 30% Club Brasil, conselheira e ex-CEO.

5 minutos min de leitura
Lifelong learning
8 de maio de 2026 08H00
Neste artigo, a capacidade de discordar surge como um ativo estratégico: ao ativar a neuroplasticidade, líderes e organizações deixam de apenas reagir ao novo e passam a construir transformação real, sustentada por pensamento crítico, consistência e integridade cognitiva.

Andre Cruz - Founder da Neura.cx

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão