Finanças
6 min de leitura

Tendência de crescimento no crédito para empresas indica “fim de ressaca” pós-pandemia

O primeiro semestre de 2024 trouxe uma retomada no crédito imobiliário, impulsionando o consumo e apontando um aumento no apetite das empresas por crédito. A educação empreendedora surge como um catalisador para o desenvolvimento de startups, com foco em inovação e apoio de mentorias.
João Boos, diretor comercial da Franq Open Banking

Compartilhar:

O primeiro semestre de 2024 marcou bons índices que demonstraram uma retomada importante nas movimentações financeiras de pessoas físicas no Brasil. Passada uma ressaca pós-pandemia do mercado, já notamos indicadores positivos que dão um certo otimismo.  O crédito imobiliário é sempre um bom balizador, e atualmente está com taxas de aprovação que apontam para os melhores momentos do setor desde a pandemia, com valores liberados na casa dos R$17 bilhões. Com um sinal verde no mundo das PFs, sabemos que o olhar agora muda em direção às PJs.

O cenário para as empresas não começou 2024 com uma fotografia das mais favoráveis, ainda com taxas de inadimplência altas (3,5% em dezembro de 2023), mas a construção dos últimos meses passou a dar indicativos de um aumento do apetite por crédito que, no segundo semestre, se soma também à alta do consumo das famílias — que consequentemente exige mais das empresas e coloca mais moeda para circular.

Não é novidade que o segundo semestre é o momento da esperança. Não existe mágica: o brasileiro passa quase cinco meses do ano pagando impostos, e o segundo semestre é o momento em que é possível colocar a cabeça para fora da água, respirar e realizar a vida financeira. No primeiro semestre se concentram gastos fixos de IPTU, IPVA, Imposto de Renda, escola, material escolar, e no segundo semestre tradicionalmente o brasileiro começa a fazer planos — e executá-los.

Se você faz e executa planos que envolvem finanças, você compra ou financia um carro, um apartamento, tira do papel uma viagem, uma reforma na casa, e tantas outras movimentações que envolvem gastos no âmbito pessoal, no outro lado, indústria e comércio são aquecidos. Some a isso um acúmulo de datas comemorativas e momentos relevantes do mercado como Dia das Crianças, Black Friday e festas de fim de ano, e ainda todas as obrigações financeiras por parte das empresas como 13º salário e pagamento de férias (que tradicionalmente aumentam no segundo semestre). O resultado é uma conta de ampliação da demanda e de gastos por parte das pessoas jurídicas.

Seja nas indústrias de bens, de serviços, seja no comércio, o segundo semestre sempre demanda uma preparação e estocagem para o aumento da demanda. E isso se torna ainda mais importante quando se enxerga um cenário de estabilização da situação financeira das pessoas físicas. 

No mercado a atenção para as tendências aponta alguns sinais. Apesar do cenário do dólar ainda estar confuso, o governo brasileiro tem entregado crescimento do PIB e o mercado enxerga isso. A inflação parece domada, o ajuste fiscal está em pauta e a integridade fiscal está sob controle. Salvo fatores externos que não estão no mapa agora, não vejo situações que podem dificultar no curto e médio prazo a situação brasileira.

A pandemia passou, em 2023 já houve uma recuperação, e agora estamos vendo os bancos, principalmente em relação às empresas, surpreendendo com um aumento de agressividade, especialmente nos grandes clientes. Nos pequenos e médios negócios o mercado ainda parece tímido, mas é fato que os maiores bancos do Brasil voltaram a investir em equipes de venda para PJ.

Nesse cenário, o segundo semestre deve consolidar 2024 como um ano de retorno às modelagens conhecidas do mercado financeiro. A pandemia bagunçou os modelos, que são baseados nos negócios de PF, e agora essa situação parece estar contornada, com indicadores voltando ao ponto conhecido que, por consequência, favorecem a previsibilidade dos negócios de maior volumetria no mercado PJ.

O mercado está sendo empurrado a voltar a caminhar com os próprios pés, com menos linhas de subsídio. Até o BNDES está mais rigoroso. Com isso, a demanda por crédito para as empresas deve aumentar nos próximos meses, em um ritmo que retorna aos modelos pré-pandemia que já eram mais conhecidos. A ressaca acabou.

Diante desse contexto, fomentar a educação empreendedora torna-se imprescindível para o desenvolvimento de negócios de sucesso. O termo nada mais é do que um conjunto de práticas, métodos e habilidades que buscam desenvolver a capacidade empreendedora dos indivíduos. Esse conhecimento pode ser utilizado para criar e gerir novas empresas, inovar e liderar dentro de organizações existentes ou mesmo, para ser utilizado na vida além do universo corporativo, lidando de forma mais positiva diante das diversas situações que podem ocorrer.

No cenário profissional e de carreira, a educação empreendedora desempenha um papel crucial na construção e no sucesso de novos modelos de negócio, uma vez que busca estimular a criatividade, a visão estratégica e a capacidade de identificar oportunidades aos empreendedores, fornecendo habilidades e conhecimentos necessários. Nesse processo de aprendizagem, um dos aspectos mais importantes é a criação de uma mentalidade empreendedora, desenvolvendo profissionais focados em inovação, criatividade e resiliência.

O poder das mentorias

Como um dos pilares fundamentais da educação empreendedora no desenvolvimento de startups, as mentorias atuam de forma multifacetada, proporcionando aos empreendedores orientação, suporte e uma rede valiosa de contatos. Essa orientação estratégica acontece uma vez que os mentores apoiam no desenvolvimento e alinhamento dos planos de negócios, garantindo que sejam realistas e viáveis. Além disso, ajudam a definir uma visão clara e metas de longo prazo para a startup.

Com grande experiência e conhecimento de mercado, esses profissionais apontam tendências e analisam a concorrência, o que facilita na avaliação de oportunidades e ameaças no setor de mercado específico do negócio. Nesse ambiente de grandes incertezas, os benefícios dessa atuação incluem a redução de riscos associados à falta de experiência e informações por parte do empreendedor, além da identificação de novos nichos de mercado e do desenvolvimento de novas estratégias.

O acesso a redes de contatos também é facilitado com o apoio dos mentores, pois eles conectam os empreendedores a possíveis investidores, parceiros estratégicos, clientes e outros mentores. Em sua atuação, também oferecem acesso a eventos importantes do segmento de mercado que podem abrir portas para novas oportunidades. Esse networking facilita parcerias futuras, além de conexões que podem aumentar as chances de captação de recursos financeiros.

Cultura de Inovação

Por fim, é importante reforçar que a educação empreendedora não se limita a transmitir conhecimentos teóricos. Ela também incentiva o desenvolvimento de novos projetos e prepara os empreendedores para lidar com diversos desafios, seja por meio do aprimoramento de habilidades estratégicas, mentorias ou pelo acesso a networking, conexões, recursos e infraestrutura. 

Fomentar a criação de um ambiente que incentiva a inovação e o empreendedorismo é um fator essencial na construção de startups bem-sucedidas. Consequentemente, esse conhecimento contribui não apenas para o sucesso desses negócios, mas no desenvolvimento econômico e social de todo o país. 

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando a liderança encontra a vida real

Este artigo mostra que quando cinco gerações convivem nas empresas e nas famílias, a liderança deixa de ser apenas um papel corporativo e passa a exigir coerência, empatia e presença em todos os espaços da vida.

Diversidade não gera performance. O que gera é a forma como ela é operada

Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos – e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Liderança, Marketing & growth
1º de maio de 2026 07H00
Os melhores líderes internacionais não se destacam apenas pela estratégia. Destacam-se por perceber cedo os pequenos sinais de desalinhamento entre a matriz e os mercados, antes que eles virem problemas caros.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Bem-estar & saúde
30 de abril de 2026 18H00
A nova norma exige gestão contínua de risco, mas só a inteligência artificial permite sair da fotografia pontual e avançar para um modelo preditivo de saúde mental nas organizações. Esse artigo demonstra por que a gestão de riscos psicossociais exige uma operação contínua, preditiva e orientada por dados.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Liderança
30 de abril de 2026 15H00
Este artigo desmonta o mito de que “todo mundo já chegou” na inteligência artificial - os dados mostram que não é verdade. E é exatamente aí que mora a maior oportunidade desta década (para quem tiver coragem de começar).

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
30 de abril de 2026 11H00
O futuro não é humano nem artificial: é combinado. O diferencial está em quem sabe conduzir essa inteligência. Este artigo propõe uma mudança radical de mentalidade: na era em que a inteligência deixou de ser exclusiva do humano, o diferencial competitivo não está mais em saber respostas - mas em fazer as perguntas certas, reduzir a fricção cognitiva e liderar a combinação entre mente humana e IA.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

6 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
30 de abril de 2026 08H00
Quem nunca falou e sentiu que o outro “desligou”? Este artigo recorre à neurociência para explicar por que isso acontece - e sugere o que fazer para trazer a atenção de volta.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 18H00
Este é o primeiro artigo de uma série de cinco que investiga o setor farmacêutico brasileiro a partir de dados, conversas com líderes e comparações internacionais, para entender onde estamos, como o capital vem sendo alocado e até que ponto a indústria nacional consegue, de fato, gerar inovação e deslocamento tecnológico.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

17 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 13H00
Sua empresa tem um lab de inovação, patrocina hackathon e todo mundo fala em "mindset de crescimento". Mas o que, concretamente, mudou no seu modelo de negócio nos últimos dois anos?

Atila Persici Filho - CINO da Bolder e Professor FIAP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 07H00
Este artigo mostra como empresas de todos os portes podem acessar financiamentos e subvenções públicas para avançar em inteligência artificial sem comprometer o caixa, o capital ou as demais prioridades do negócio.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de abril de 2026 14H00
Em um mundo onde algoritmos decidem o que vemos, compramos e consumimos, este artigo questiona até que ponto estamos realmente exercendo o poder de escolha no mundo digital. O autor mostra como a conveniência, combinada a IA, vem moldando nossas decisões, hábitos e até a nossa percepção da realidade.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de abril de 2026 08H00
Organizações recorrem a parcerias estratégicas para acessar tecnologia e expertise avançada, como a implantação de plataformas ERP em poucas semanas

Paulo de Tarso - Sócio-líder do Deloitte Private Program no Brasil

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...